Aos 17 anos, ele era tenista patrocinado pela Lacoste; hoje é o CEO

O ex-tenista Pedro Zannoni assume a operação da Lacoste na América Latina

Em dezembro de 1993, Pedro Zannoni, então um jovem tenista de 17 anos, venceu pelo Brasil o torneio Sunshine Cup, na Flórida, uma espécie de Copa Davis juvenil, disputada entre países. Márcio Carlsson e Gustavo Kuerten faziam parte da equipe. Carlsson não foi muito longe na carreira. Nunca ganhou um título e a posição máxima que alcançou foi a de 119o no ranking da Associação dos Tenistas Profissionais. Gustavo Kuerten fez história. Venceu 20 campeonatos, permaneceu 43 semanas como número 1 do mundo e amealhou 14 milhões de dólares em premiações. Zannoni foi tenista profissional por um breve período. Depois, estudou direito, fez um programa para executivos em Wharton, na Pensilvânia, e seguiu carreira corporativa em marcas esportivas, como Wilson, Puma e Asics.

Quando era tenista juvenil, Zannoni teve o patrocínio da Lacoste. Por voltas do destino, em maio deste ano, quase três décadas depois, ele assumiu o cargo de CEO para a América Latina da mesma Lacoste. Com um detalhe: o então companheiro de equipe Gustavo Kuerten, de quem ficou amigo e com quem disputou jogos de duplas, é embaixador global da marca. “Ainda não nos falamos, mas está na minha agenda”, afirma Zannoni. Kuerten é peça-chave na comunicação da grife e um elo entre o Brasil e a matriz, a França. Tricampeão de Roland Garros, é uma figura adorada em Paris. Com suas vitórias, foi responsável por um aumento expressivo do interesse dos brasileiros pelo tênis — e consequentemente pelos produtos da Lacoste, que tem no esporte da raquete sua origem.

Gustavo Kuerten, o técnico Larri Passos, Zannoni e Márcio Carlsson: campeões da Davis juvenil em 1993 | Divulgação

Gustavo Kuerten, o técnico Larri Passos, Zannoni e Márcio Carlsson: campeões da Davis juvenil em 1993 | Divulgação (Marcos Santos/Stock.XCHNG/)

“O Brasil é o quarto mercado em importância estratégica para a Lacoste, depois da França, dos Estados Unidos e da China”, diz Zannoni. O que não significa share em faturamento, um dado não revelado pela empresa, controlada por um grupo familiar suíço. O executivo chega com a missão de integrar as subsidiárias do Brasil, hoje com Rachel Maia no comando (uma das entrevistadas na reportagem Mulheres contra a crise), da Argentina, do Chile e do Uruguai. No ano que vem a região deve incorporar o escritório da Colômbia, que responde hoje ao bloco dos Estados Unidos, e abrir uma representação no Peru. Apesar de o carro-chefe da marca ser a clássica camisa polo, é no segmento de sneakers que está a aposta maior de crescimento local, principalmente entre o público mais jovem.

O desafio, como acontece com todos os segmentos, é a atual crise causada pela pandemia. Duas lojas em outlets devem ser inauguradas em breve, mas apenas porque já estavam previstas antes da propagação do coronavírus. Entre as recentes medidas estão o investimento na plataforma própria de e-commerce, inaugurada há um ano, e novas parcerias com marketplaces. No ano que vem, assim que as condições forem mais favoráveis, a ideia é ter mais lojas em outras capitais brasileiras, além de São Paulo e Rio de Janeiro, no novo conceito global chamado ­Le Club, com uma linguagem visual que simula um estádio de tênis, em que predominam a cor verde e o mobiliário clássico de madeira.

A herança da grife, fundada pelo tenista René Lacoste em 1933, é bastante presente. Basta lembrar que Novak Djokovic, número 1 do mundo, é patrocinado pela Lacoste. Apesar de ter uma linha de performance, a Lacoste quer cada vez mais ser reconhecida como uma marca de moda. Esse reposicionamento ficou marcante a partir de 2010, quando o estilista português Felipe Oliveira Baptista assumiu a direção criativa da maison. Ele sacudiu a poeira de cima do crocodilo, inovou em cores e modelagens e voltou a colocar a Lacoste para desfilar na conceitual Semana de Moda de Paris. Dois anos atrás, Baptista saiu, sendo substituído pela inglesa Louise Trotter, a primeira mulher no cargo de chefe de criação. Em entrevista recente, Trotter revelou o caminho que imagina para a grife: “Quero fazer a roupa que as pessoas querem usar. Todos desejam viver mais, parecer jovens e transitar com naturalidade entre o trabalho e o dia a dia”.

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