Revista Exame
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As carreiras mais promissoras para 2023

Tecnologia, logística e ESG estarão em alta, mesmo com as incertezas do cenário macro

Os executivos brasileiros estão apreensivos quando o assunto é encontrar profissionais qualificados: 68% dos líderes acreditam que recrutar talentos será mais desafiador no próximo ano (Denis Novikov/Getty Images)

Os executivos brasileiros estão apreensivos quando o assunto é encontrar profissionais qualificados: 68% dos líderes acreditam que recrutar talentos será mais desafiador no próximo ano (Denis Novikov/Getty Images)

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Luciana Lima

Publicado em 15 de dezembro de 2022, 06h00.

Mesmo com uma recessão global à vista, crise é uma palavra que começa a sair do vocabulário dos CEOs brasileiros. É o que aponta o Guia Salarial 2023, levantamento feito há 15 anos pela consultoria em recursos humanos Robert Half. A edição mais recente, de setembro, mostra que 94% dos executivos estão mais confiantes agora, na comparação com o ânimo visto nos últimos 12 meses. O otimismo se reflete no aumento dos times: 47% dos líderes pretendem abrir vagas de trabalho em 2023. Outros 47% planejam preencher posições já abertas sem contratar mais gente. 

O otimismo dos brasileiros contrasta com o pessimismo dos estrangeiros. Nos Estados Unidos, 50% dos presidentes estão considerando cortar empregos nos próximos seis meses, segundo pesquisa da KPMG. Fatores como a guerra interminável na Ucrânia e a crise de energia em boa parte da Europa estão na conta. Além disso, a inflação mais alta em 40 anos colabora para o pessimismo geral lá fora.

No Brasil, ainda há demanda reprimida por mão de obra especializada. “Empresas querem contratar para desengavetar projetos congelados na pandemia”, diz Maria Sartori, diretora associada da Robert Half.

Os executivos brasileiros estão apreensivos quando o assunto é encontrar profissionais qualificados: 68% dos líderes acreditam que recrutar talentos será mais desafiador no próximo ano. Outros 84% estão preocupados com a retenção dos profissionais. Por trás do problema está o trabalho híbrido. “Ficou mais difícil encontrar talentos com habilidades para esse contexto, como comunicação, flexibilidade e resiliência”, diz. 

A disputa a tapa por talentos deve ficar ainda mais aguda no setor de tecnologia. O setor é um dos que prometem liderar as contratações, ao lado de bens de consumo, logística, varejo e agronegócio, de acordo com a Robert Half. 

Para além de escassos, os profissionais de tecnologia buscados pelas empresas devem ter atributos diferentes daqui para a frente. Agora, além dos desenvolvedores e engenheiros de dados, entram em cena os gerentes de tecnologia mais generalistas — especialistas em infraestrutura com soft skills para lidar com pessoas, ideias e situações muito distintas das suas. A mudança de muitas empresas para o trabalho híbrido depois da pandemia aumentou a importância de profissionais com foco em estruturar redes ou mesmo áreas inteiras com colegas a muitos quilômetros de distância ou trabalhando em fusos horários diferentes.

Tudo leva a crer que a habilidade generalista também será muito útil na logística, um dos setores mais promissores para 2023. Nos últimos anos, o setor sofreu uma pancada com a ruptura em cadeias globais de suprimento após o fechamento de fábricas na China por causa da covid-19. A guerra na Ucrânia e as sanções à Rússia só atrapalharam ainda mais. Dito isso, os percalços macro só elevaram a demanda por profissionais criativos na hora de encontrar soluções para as empresas movimentarem produtos e serviços num mundo cada vez mais complexo. Por isso, para fazer diferença, o profissional de logística hoje precisa entender do negócio de ponta a ponta — uma mudança e tanto num setor acostumado com profissionais especialistas em etapas. “Ser mais generalista permite uma melhor visão dos processos, desde o custo de um insumo que não chega à planta até um contêiner que não sai do porto”, diz Sartori. 

Com o avanço das práticas de ESG (sigla em inglês para políticas ambientais, sociais e de governança), profissionais especializados no tema começam a se destacar em diferentes mercados — e para além das posições na área de recursos humanos. Na indústria, engenheiros e gerentes de ESG figuram entre os cargos com mais vagas para 2023. Também no mercado financeiro, os especialistas em ESG estão entre as carreiras quentes, com salários de até 15.000 reais. 

(Arte/Exame)