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Da ficção à realidade: conheça Anguila, uma das melhores ilhas do Caribe

Sem resorts all inclusive e com natureza intocada, a pequena Anguila se distingue das outras ilhas do arquipélago caribenho

 (Divulgação/Divulgação)

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Julia Storch

19 de janeiro de 2023, 06h00

Nem sempre a ficção se distancia da realidade. Em Macondo, cidade criada por Gabriel García Márquez em Cem Anos de Solidão, centenas de borboletas amarelas fazem parte do cenário local. No plano real, o mesmo se vê em Anguila, uma pequena ilha de 102 quilômetros quadrados no Caribe. Por lá, a natureza pouco explorada confere um cenário intocado para turistas que buscam sossego.

Sem a presença de resorts all inclusive, Anguila, que ainda é colônia britânica, vai na contramão do turismo massificado. “Queremos manter o que era o Caribe vintage, das antigas, e preservar a identidade própria do país”, comenta Paulo Raia, diretor-geral que comanda há seis anos o hotel Zemi Beach House Resort. “Por aqui não há grandes marcas; nem queremos isso. Os hóspedes podem ficar à vontade sem a ostentação de mostrar relógios ou roupas de grife”, diz Raia.

De fato, o destino não é o mais popular entre as ilhas vizinhas, como Saint Martin, Barbados, Saint Barth ou Porto Rico. Porém, entre areias brancas e mar azul-turquesa, não se trata de um destino pouco luxuoso. Por lá, é possível se hospedar em redes conhecidas, como Four Seasons, em Barnes Bay, Belmond Hotel Cap Juluca, em Maundays Bay, Frangipani Beach Resort, em Meads Bay, e em hotéis butique, como o Zemi, na praia de Shoal Bay. As diárias no Zemi para janeiro são a partir de 1.399 dólares para duas pessoas.

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Hotel Zemi Beach: conforto sem ostentação (Dylan Cross/Divulgação)

Entre as melhores ilhas do Caribe

Com um mar tão azul quanto as instagramáveis águas das Maldivas, a revista de viagens americana Travel + Leisure classificou Anguila em terceiro lugar na lista das melhores ilhas do Caribe e a de número 21 no ranking das melhores do mundo.

“Estamos muito satisfeitos que Anguila continue a ser identificada como uma das melhores ilhas do mundo pelos viajantes mais exigentes que nos conhecem melhor”, disse Stacey Liburd, diretora do Conselho de Turismo de Anguila.

Para chegar à ilha, a American Airlines opera voos três vezes por semana, com escala em Miami. Também é possível viajar via Panamá, com a Copa Airlines, com outra parada em Saint Martin e mais um voo curto ou uma viagem de barco até Anguila. Todo o transporte na ilha é feito de carro — com a mão inglesa, atenção! Não há transporte público, e os moradores locais não costumam andar de bicicleta.

Por uma estrada que serpenteia toda a ilha, é possível cruzar o país em meia hora de carro. Pelas águas quentes, também é possível conhecer de barco regiões como a isolada ilhota Sandy, com poucos metros quadrados. Por lá, lanchas estacionam para um mergulho e drinques no único restaurante dali.

Outra parada oceânica é na Ilha de Scilly, cercada por uma mureta incrustada de conchas. No centro da ilhota, o restaurante Gorgeous Scilly Cay, com mesas na areia. Da cozinha, todos os pratos saem do fogo, como lagostas e lagostins recém-pescados, peixes e frango. Comandado por uma família americana desde 1985, o local rústico convida para um almoço estendido por cervejas e drinques com rum à beira-mar. Uma refeição completa por lá fica por volta de 150 dólares. Alguns minutos de barco separam Scilly da ilha principal.

A gastronomia caribenha também é um ponto alto do país que se autointitula a “capital culinária do Caribe”. Entre o peixe do dia ou lagosta, a resposta é sempre inclinada ao red snapper ou mahi mahi, pescados que são sucessos locais.

São mais de 120 restaurantes na ilha, que vão de trailers na beira das ruas a restaurantes com fusão caribenha-asiática, como o Veya. O espaço conta com mesas na altura da copa das árvores e pratos como a couve-flor assada com batatas, tofu, purê de espinafre indiano e arroz de coco ou o peixe ao molho de missô com bok choy e gohan. Outro clássico do país é o johnnycake, um pão frito adocicado que lembra um bolinho de chuva, mas é servido como couvert ao lado de bolo de banana.

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(Arte/Exame)

No ano passado o país sediou pela primeira vez um festival internacional de gastronomia. Em 2023, o evento acontece de 3 a 6 de maio, com degustações em hotéis e restaurantes, concursos de churrasco, colheitas de sal e aulas de pratos como ceviche e johnnycake.

Já nos copos o rum, claro, é o protagonista. Espere receber um rum punch como drinque de boas-vindas nos hotéis e restaurantes. No Zemi há um bar dedicado ao destilado de cana-de-açúcar, com mais de 80 rótulos da bebida de países como Peru, Venezuela, Martinica, Jamaica, Cuba, Barbados e França. O valor de um shot do rótulo jamaicano Appleton pode chegar a 650 dólares. O espaço também funciona como charutaria.

Outro diferencial do hotel Zemi é o spa. Os tratamentos, como massagens, banhos e cuidados faciais, são realizados em uma casa de 300 anos trazida diretamente da Tailândia. Feita de madeira de teca, a construção é montada com encaixes e sem pregos.

Da Ásia para o Caribe, no início da década de 1970 a casa foi desmontada, cada peça foi numerada e depois transportada para Anguila, onde foi inteiramente refeita como era em Chiang Mai, no norte da Tailândia. O espaço foi transformado em cinco suítes de tratamento, um hamam e um bar de sucos detox, que já foi um depósito de arroz. As manhãs também podem ser iniciadas com uma aula de ioga no spa (mais relaxante do que vigorosa), com vista parcial para o mar, além das onipresentes borboletas amarelas.

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