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Entenda como apostas online têm crescido nos últimos tempos

Empresas de apostas esportivas online esperam regras mais claras no país para avançar investimentos

Em 2022 todos os 20 clubes da Série A do Brasileirão tiveram sites de apostas esportivas entre os seus patrocinadores (Buda Mendes/Getty Images)

Em 2022 todos os 20 clubes da Série A do Brasileirão tiveram sites de apostas esportivas entre os seus patrocinadores (Buda Mendes/Getty Images)

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Marcos Bonfim

15 de dezembro de 2022, 06h00

Quem ouve nomes como Vini Jr., Rivaldo, Denilson, Ronaldo Fenômeno e Roberto Carlos já cria uma associação com a seleção brasileira de futebol. O primeiro tem papel de destaque na seleção sob o técnico Tite. Os demais deixaram as suas marcas com jogadas, gols e contribuições para a conquista do penta. Eles marcam presença também no mercado de apostas esportivas, uma indústria de 6,3 bilhões de reais, de acordo com dados da consultoria inglesa H2 Gambling Capital, especializada no setor. No mundo, esse é um negócio com receita anual de 91 bilhões de dólares. 

Os sites de apostas encontraram no patrocínio a atletas como as cinco estrelas da seleção o caminho para a promoção do negócio, em alta no mundo e aqui. “Houve um crescimento enorme das apostas esportivas no Brasil, e o grande indicador é a quantidade de patrocínios e anúncios de sites no país”, diz Pedro Trengrouse, especialista em gestão de esportes da Fundação Getulio Vargas. 

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Em 2022, por exemplo, todos os 20 clubes da Série A do Brasileirão tiveram sites de apostas esportivas entre os seus patrocinadores. Em sete deles, o espaço principal, máster, era ocupado por uma empresa do setor. 

Os sites oferecem opções diversas de apostas, de corrida de galgos — famosa raça de cachorro de origem britânica — a quem será o próximo primeiro-ministro do Japão, em alguns casos. Mas, nesse mercado, o futebol é rei e domina entre as investidas e os palpites de milhões de apostadores pelo mundo. O crescimento experimentado no Brasil é resultado de um decreto do governo de Michel Temer, em 2018, já no fim do mandato. A iniciativa liberou a exploração comercial da atividade e o emprego de estratégias de comunicação e publicidade para a promoção dos sites. 

Apesar do avanço, o mercado vive em um limbo jurídico no país. Por causa da Lei das Contravenções, de 1941, do governo de Getúlio Vargas, as empresas não podem operar a partir do do território nacional porque se enquadram na categoria de jogos de azar. Os sites precisam ter os seus servidores hospedados no exterior e não podem ter escritórios aqui. Ou seja, todo o dinheiro vai para fora do país.

Com o decreto de Temer, caberia ao Ministério da Fazenda (na gestão atual, o Ministério da Economia) fazer a regulamentação do setor no período de dois anos, prorrogável por outros dois, e encerrar a querela. O prazo se encerrou em 12 de dezembro último e não houve uma definição. Procurado, o ministério informou que o tema “ainda está em estudo”. 

Na nova gestão, que sobe a rampa em 1o de janeiro de 2023, quem já falou sobre o tema foi Edinho Silva (PT), atual prefeito de Araraquara e entre os cotados para a Secretaria Especial de Comunicação Social. Ele já defendeu a regulamentação com o direcionamento dos recursos oriundos da tributação para a área de educação. A ausência de uma legislação traz insegurança jurídica e tributária. Além disso, deixa de gerar empregos com a potencial entrada das empresas em território nacional. 

Grandes empresas dessa indústria apostam na regulamentação para ampliar os investimentos no país. Na Betano, uma das líderes globais em apostas esportivas, a projeção é de que o mercado brasileiro triplique de tamanho em até cinco anos após a criação de um arcabouço de regras.

“Estamos mais próximos do que nunca da regulamentação do setor no país e isso, certamente, vai contribuir para o desenvolvimento ainda maior do mercado, que tem potencial de crescimento no Brasil nos próximos anos, principalmente entre o público acima dos 30 anos”, diz Alexandre Fonseca, country manager da Betano no Brasil. Num cenário de regulamentação em 2023, a H2 Gambling Capital projeta um faturamento do setor de 11,2 bilhões de reais em 2024. Em 2027, alcançaria em torno de 17,9 bilhões de reais.

(Arte/Exame)

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