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Adeus às armas na Taurus?

O que você faria se sua empresa fabricasse um produto politicamente incorreto, cujo mercado se encolhe a cada ano? Sairia do negócio? Mudaria sua estratégia? O empresário Carlos Alberto Murgel, presidente da Forjas Taurus, maior fabricante de armas curtas da América do Sul e uma das três principais do ramo no mundo, enfrentou esse dilema.

Nos últimos dois anos, vendo minguar um mercado que sempre pareceu imune a crises, Murgel percebeu que o futuro da empresa gaúcha era incerto. "A sociedade culpa as armas pelo aumento da criminalidade", diz Murgel. Ele não concorda, naturalmente - "Uma arma em casa é uma fechadura a mais", costuma dizer -, mas descobriu que não adianta brigar com a realidade. No mercado interno, por exemplo, as vendas de armas caíram 50% desde 1995.

A resposta tinha um nome - diversificação -, e os meios para implementá-la estavam dentro de casa. A Taurus já é dona de uma fábrica de capacetes em Guarulhos, na Grande São Paulo, e de outra que produz ferramentas manuais no Rio Grande do Sul. O primeiro passo foi sacudir a fábrica de ferramentas (alicates, chaves de fenda, chaves de boca), que estava com capacidade ociosa.

A Taurus buscou quem entende do assunto e firmou uma joint venture com a francesa Rondy. Da aliança, nasceu, em julho de 1996, a Tauron, cujo controle é dividido meio a meio pela Taurus e pela Rondy. A nova empresa exporta ferramentas produzidas no Brasil e importa algumas linhas fabricadas pelo sócio francês.

A principal alternativa, porém, é a entrada no setor de autopeças, com aproveitamento da capacidade instalada da fábrica de armas e da de ferramentas. O alvo da Taurus são os fornecedores de subconjuntos para a indústria automobilística. "Há uma tendência forte de as montadoras utilizarem fornecedores de sistemas completos.


Queremos fornecer para esses grandes fornecedores", diz Murgel. Ao optar por um nicho, a Taurus não bate de frente com especialistas do ramo. Há oito meses, a empresa começou a fabricar, por exemplo, anéis para juntas homocinéticas. "São pequenas peças que serão parte de conjuntos completos de transmissão, fabricados por grandes empresas de autopeças como Albarus e DHB", diz Murgel.

As mudanças também foram implantadas na fábrica de pistolas que a Taurus mantém em Miami, nos Estados Unidos. Murgel investiu num novo processo conhecido como MIM (Metal Injection Moulding), que substitui a tradicional usinagem na produção de peças de alta precisão. São seus clientes fabricantes locais de equipamentos médicos , odontológicos e de informática. "Vamos trazer o MIM para o Brasil e fornecer peças complexas para terceiros", diz Murgel.

Com a nova estratégia, a Taurus espera diminuir a dependência das armas. Há menos de quatro anos, elas respondiam por 80% do faturamento do grupo, que chegou a 77,5 milhões de dólares em 1996.

A partir deste ano, a expectativa é que não representem mais de 50%. Com a diversificação, a Taurus, que fechara 1995 no vermelho, voltou a ter um pequeno lucro, de 876 000 reais, no ano passado. A Taurus não descarta a possibilidade de buscar um sócio para o negócio de autopeças. "Estamos abertos a todas as possibilidades para manter a empresa lucrativa", diz Murgel.


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