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Relembre o roubo histórico contra Kim Kardashian em Paris que vai virar docussérie

Crime durante semana de moda levou milhões em joias e marcou a vida da empresária

Kim Kardashian: assalto milionário em Paris será tema de docuserie ( LEO VIGNAL / AFP via Getty Images)

Kim Kardashian: assalto milionário em Paris será tema de docuserie ( LEO VIGNAL / AFP via Getty Images)

Publicado em 23 de abril de 2026 às 07h44.

Última atualização em 23 de abril de 2026 às 07h45.

O assalto à mão armada contra Kim Kardashian em Paris, em 2016, vai ganhar uma docuserie inédita. Intitulada Kim, the Diamond and the Grandpa Robbers, a produção terá quatro episódios e é desenvolvida pela Pernel Media para o Canal+.

Segundo a revista Variety, a série revisita um dos crimes mais midiáticos da década com acesso a personagens centrais do caso, incluindo integrantes da quadrilha e advogados de defesa.

Kardashian, apesar de já ter exposto sua vida em realities como Keeping Up with the Kardashians, não participa do projeto.

Crime que chocou o mundo

O assalto ocorreu na madrugada de 3 de outubro de 2016, durante a Paris Fashion Week, no Hôtel de Pourtalès. Por volta das 3h, cinco homens armados, disfarçados de policiais, invadiram o prédio após renderem o concierge e o obrigarem a levá-los até o apartamento da empresária, que estava sozinha.

No quarto, os criminosos apontaram uma arma para Kardashian e exigiram suas joias, em especial o anel de diamante dado por Kanye West. Em seguida, ela foi amarrada com abraçadeiras plásticas, teve a boca amordaçada e foi trancada no banheiro.

Em depoimentos posteriores, Kardashian relatou que temeu ser estuprada e assassinada durante a ação. Ela afirmou que tentou manter a calma acreditando que essa seria sua única chance de sobreviver.

Os assaltantes fugiram levando um conjunto de joias avaliado entre 9 e 11 milhões de dólares — incluindo o anel de cerca de 20 quilates, estimado em até US$ 5 milhões. O crime é considerado o maior roubo contra uma pessoa física na França em mais de duas décadas.

Além do anel, foram levados colares, pulseiras, relógios e outros itens de alto valor, além de celulares da empresária — o que levantou preocupações sobre acesso a dados pessoais.

Apesar da magnitude do roubo, quase nenhum item foi recuperado. Apenas uma cruz de diamantes caiu durante a fuga e foi encontrada por um morador. Investigações indicam que grande parte das joias foi derretida e revendida no mercado ilegal, dificultando sua rastreabilidade.

Investigação e 'A Gangue dos Vovôs'

A investigação avançou a partir de provas de DNA coletadas no local, incluindo vestígios nas fitas usadas para amarrar Kardashian. As evidências levaram à identificação de suspeitos com histórico criminal na França.

Em janeiro de 2017, operações policiais resultaram na prisão de mais de uma dezena de pessoas. O grupo era formado majoritariamente por homens entre 50 e mais de 70 anos, o que levou a imprensa a apelidá-los de "A Gangue dos Vovôs" (Grandpa Robbers).

Entre os principais nomes apontados estava Aomar Aït Khedache, considerado o mentor do crime. Outro integrante, Yunis Abbas, chegou a admitir participação e, anos depois, publicou um livro, "J'ai séquestré Kim Kardashian" (Eu Sequestrei Kim Kardashian, em tradução livre) relatando sua versão do assalto.

Ladrão de Kim Kardashian, Yunice Abbas posa durante uma sessão de retratos em Paris, França, em 09/02/2021.

Yunice Abbas: Ladrão de Kim Kardashian, posa durante uma sessão de retratos em Paris, França, em 2021 (Eric Fougere/Corbis/etty Images))

Julgamento quase uma década depois

Após quase nove anos de investigação, perícias e disputas judiciais, o caso chegou a julgamento em 2025 no Palais de Justice, com forte atenção da imprensa internacional. Ao todo, 10 réus — nove homens e uma mulher — responderam por acusações como roubo à mão armada e sequestro.

Kim Kardashian optou por depor presencialmente, detalhando por horas como foi rendida e o medo de não sair viva da situação, o que deu peso emocional ao processo. A acusação se apoiou principalmente em provas de DNA coletadas no local, além de confissões parciais de alguns envolvidos, para sustentar que o grupo atuou de forma organizada e premeditada.

O tribunal acabou condenando oito dos dez réus, incluindo o apontado mentor da ação, com penas que chegaram a cerca de uma década de prisão — em muitos casos parcialmente suspensas.

Dois acusados foram absolvidos por falta de provas. A decisão foi interpretada como equilibrada pelas autoridades francesas, ao reconhecer a gravidade do crime e o trauma da vítima, mas também considerar a idade avançada dos condenados e o tempo já cumprido em detenção preventiva.

Nenhum dos réus deixou o tribunal diretamente para a prisão, o que gerou debate sobre a proporcionalidade das penas em um caso de grande repercussão internacional.

As penas variaram, mas foram consideradas moderadas, em parte pela idade avançada dos envolvidos e pelo tempo já cumprido em prisão preventiva.

Ilustração do tribunal feito em 13 de maio de 2025 em Paris mostra a celebridade norte-americana Kim Kardashian testemunhando perante o Tribunal de Justiça para o julgamento do roubo de 2016.

Ilustração durante o depoimento de Kim Kardashian no julgamento contra criminosos que roubaram a celebridade em 2026. (Benoit PEYRUCQ/AFP/Getty Images))

Impacto na vida e na exposição pública

O episódio teve efeitos duradouros na vida da empresária. Após o assalto, Kardashian ficou meses afastada das redes sociais e passou a adotar protocolos mais rígidos de segurança.

Ela também mudou a forma como compartilha sua rotina, evitando divulgar localização em tempo real ou exibir itens de alto valor — prática comum antes do crime e que, segundo investigadores, ajudou a quadrilha a mapear seus movimentos.

O caso passou a ser citado como um marco nos debates sobre riscos da hiperexposição digital.

Bastidores da docuserie

Dirigida por Agnès Buthion, a docuserie promete explorar o contraste entre a visibilidade global da vítima e a atuação de criminosos experientes em uma operação planejada.

A produção também aborda como o episódio ultrapassou o campo policial e se transformou em um fenômeno midiático global.

A estreia está prevista para 2027, com distribuição internacional.

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