BBB 26: Reality mostra que conversa nas redes vale tanto quanto números na televisão (Montagem/Exame)
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Publicado em 24 de janeiro de 2026 às 08h03.
Mesmo em um cenário de retração contínua da audiência da TV aberta, o Big Brother Brasil 26, que estreou no dia 12, mostra que ajustes estratégicos podem fazer diferença. A edição atual encerrou sua primeira semana com números muito próximos aos do ano anterior, o que mostra uma manutenção de público.
De acordo com levantamento do site Notícias da TV, considerando os dados da Grande São Paulo, o BBB 26 fechou sua primeira semana com média de 15,9 pontos. O índice representa apenas um décimo a menos do que o BBB 25, que marcou 16 pontos no mesmo período entre 13 e 19 de janeiro de 2025.
Embora a diferença possa parecer negativa à primeira vista, ela ganha outro peso quando analisada no contexto atual da televisão brasileira. A migração do público para plataformas digitais, streaming e redes sociais tem afetado diretamente o desempenho da TV aberta, especialmente no horário nobre.
Para Mayka Castellano, doutora e mestre em Comunicação e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), esse tipo de dado está se tornando mais importante para as emissoras.
"Cada vez mais a medição de audiência é um desafio para a TV aberta, porque as pessoas acompanham os programas de muitas formas, sobretudo reality shows. Algumas pessoas sequer assistem ao programa na TV, mas engajam em discussões no X (antigo Twitter), assistem cortes do programa no TikTok, ou no Instagram e, dessa forma, participam da conversa, da sociabilidade em torno do programa", diz em entrevista à EXAME.
Nesse cenário, a estabilidade do BBB 26 se transforma em resultado positivo.
A edição atua como um ponto de contenção para a Globo, ajudando a frear a perda de audiência em uma faixa estratégica da programação e mantendo o reality como um dos produtos mais resilientes da emissora.
"Um caso emblemático atual é o da novela Três Graças, que tem gerado muito engajamento nas redes, mas não tem números ótimos de audiência na TV aberta. Muitas pessoas consomem a novela fora do fluxo, no Globoplay, ou até ao vivo, mas pelo streaming, o que acaba não sendo medido", afirma. "O mesmo serve para o BBB. E como os dados do streaming são sempre opacos, não sabemos os números reais. Mas os anunciantes sabem, e é isso que importa", diz.
A mudança estratégica entre as edições passa justamente por essa lógica. Em vez de buscar crescimento agressivo, o BBB 26 parece apostar na retenção do público fiel, com ajustes no ritmo do jogo, maior dinamismo nas narrativas e foco em conflitos que reverberam fora da televisão, principalmente nas redes sociais.
Assim, mesmo sem registrar avanço na audiência, o BBB 26 confirma seu papel central na grade da Globo. Em tempos de fragmentação da audiência, manter-se relevante já é, por si só, uma grande vitória.
Com base em dados divulgados pela Folha de S.Paulo na última sexta-feira, 23, o Big Brother Brasil 26 vive seu melhor momento de engajamento desde 2023 nas redes sociais.
A edição atual alcançou mais de 3 bilhões de visualizações na web apenas na primeira semana, considerando os perfis oficiais da Globo em plataformas como Instagram e TikTok. O volume representa um crescimento de 328% em relação ao início do BBB 25, evidenciando a força do reality no ambiente digital.
Ainda segundo a Folha, o engajamento fora dos canais oficiais também bateu recordes. Em mídia espontânea, o programa somou 5,6 milhões de menções, quatro vezes mais do que a edição anterior, atingindo o maior patamar dos últimos três anos.
BBB 26: audiência caiu na TV, mas nas redes a história é outra (Montagem)
No X (antigo Twitter), o BBB 26 figurou em 148 termos nos assuntos mais comentados do Brasil e em 35 termos nos mundo, superando com ampla margem os números registrados em 2025. Já no Google Trends, foram contabilizadas 670 mil buscas, o dobro do volume do BBB 25.
Na televisão aberta, os dados do Kantar Ibope, apontam que cerca de 60 milhões de brasileiros assistiram à primeira semana do programa, comandado por Tadeu Schmidt. A edição alcançou 64% de fidelidade, a maior marca inicial desde o BBB 22, além de crescimento de audiência entre jovens de 18 a 24 anos, com alta de 14% em São Paulo e de 7% no Painel Nacional de Televisão. Apesar de tudo, a média geral ainda ficou em torno dos 16 pontos.
O desempenho também se refletiu nas plataformas do Grupo Globo. No Globoplay, a primeira semana do BBB 26 registrou o maior alcance de usuários da história do reality, consolidando o programa como o conteúdo mais consumido da plataforma desde a estreia. Em relação ao ano anterior, houve crescimento de 37% nas horas assistidas e de mais de 35% no alcance semanal, com avanço expressivo entre jovens de 18 a 24 anos. No Multishow, a estreia garantiu a liderança entre os canais pagos e crescimento de 9% no número de telespectadores com TV por assinatura.
Para Melina Meimaridis, analista de mídia e doutora em comunicação pela Universidade Federal Fluminense (UFF), o BBB é um formato intrigante que mistura TV, streaming, mídias sociais e branded content, apontando caminhos para como grandes produções nacionais podem gerar impacto cultural, retorno comercial e relevância contínua em um cenário de consumo cada vez mais fragmentado.
"Vejo o BBB cada vez mais consolidado como um projeto multiplataforma, que vai muito além do programa exibido na TV. O futuro passa por integrar ainda mais televisão, streaming e as plataformas de mídias sociais", afirma.
Segundo Meimaridis, mais do que números isolados, o principal indicador de sucesso está na capacidade dos participantes de criar vínculos com os espectadores aqui fora, fazendo com que eles se sintam investidos nas histórias e no desfecho do jogo.
A Globo apostou em mudanças claras no BBB 26. A principal delas foi a reformulação do elenco, que passou a reunir participantes anônimos, famosos e ex-BBBs, estratégia pensada para ampliar o alcance do programa e estimular maior engajamento fora da TV, especialmente nas redes sociais.
Para o mercado publicitário, os dados indicam que o BBB segue como um produto de forte repercussão, capaz de gerar altos picos de atenção e conversa social, mas com menor estabilidade diária.
Já para a Globo, o desafio passa a ser transformar o interesse momentâneo em fidelidade ao longo da temporada, apostando em narrativas mais fortes e dinâmicas que prendam a atenção durante todo o período de exibição. É só dar uma espiadinha.