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Ele aprendeu a tocar bateria em travesseiros. Hoje, sua banda é a atração principal do Rock in Rio

Antes de comandar arenas e estádios, Dave Grohl aprendeu bateria no quarto e tocou para pequenas plateias na cena punk de Washington

Dave Grohl: a trajetória do músico passa pelo punk, Nirvana, a criação do Foo Fighters e uma transformação que o levou dos pequenos palcos aos maiores estádios do mundo (Sebastian Reuter/Redferns/Getty Images)

Dave Grohl: a trajetória do músico passa pelo punk, Nirvana, a criação do Foo Fighters e uma transformação que o levou dos pequenos palcos aos maiores estádios do mundo (Sebastian Reuter/Redferns/Getty Images)

Publicado em 4 de setembro de 2026 às 20h12.

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Poucos músicos conseguem transformar uma bateria improvisada no quarto em uma carreira capaz de levar dezenas de milhares de pessoas a um estádio. Dave Grohl conseguiu. Antes de ser vocalista e guitarrista do Foo Fighters, ele era o baterista que aprendeu a tocar em travesseiros e que chegou a imaginar que estava diante de uma multidão enquanto ainda tocava para meia dúzia de pessoas.

A história começa muito antes do Nirvana. Nascido em 14 de janeiro de 1969, em Warren, Ohio, Grohl cresceu na região de Washington, D.C., onde entrou em contato com a cena punk ainda adolescente. Passou por bandas como Dain Bramage e Scream, grupo de hardcore que o colocou na estrada e ajudou a formar sua identidade como baterista.

A bateria começou no quarto

Grohl não teve uma bateria convencional para começar a estudar. Em entrevista à NPR, ele contou que montava travesseiros no chão do quarto como se fossem as peças de uma bateria e usava grandes baquetas de fanfarra para acompanhar discos de punk. "Eu aprendi a tocar bateria em travesseiros no chão do meu quarto", contou.

A experiência teve efeito direto em seu estilo. Segundo Grohl, bater nos travesseiros exigia mais força e resistência e acabou contribuindo para a maneira explosiva com que passou a tocar.

O primeiro kit de bateria só veio na adolescência. Antes disso, Grohl aproveitava instrumentos de amigos e chegava a esperar que o baterista de sua banda fosse embora dos ensaios para poder tocar no equipamento.

O punk abriu o caminho

A cena de Washington foi fundamental para a formação musical de Grohl. Ele descobriu no punk uma possibilidade diferente da imagem tradicional do grande astro do rock.

Em entrevista ao Washington Post, o músico resumiu uma das principais lições que recebeu daquele ambiente: "Você não precisava tocar como Eddie Van Halen para fazer algo incrivelmente poderoso e intenso."

A frase ajuda a entender a trajetória que viria depois. Grohl construiu sua técnica dentro de uma cena baseada na energia dos shows, na proximidade entre banda e público e na ideia de que músicos comuns também poderiam ocupar o palco.

Foi nesse circuito que ele chegou ao Scream e passou a fazer turnês ainda jovem. A experiência também o levou até Seattle, onde sua vida mudaria completamente.

O salto para o Nirvana

Em 1990, Grohl entrou para o Nirvana, substituindo Chad Channing. Kurt Cobain e Krist Novoselic já formavam o núcleo da banda, que encontraria sua formação mais conhecida com a chegada do baterista.

Grohl chegou a morar no sofá da casa de Cobain. A rotina estava muito distante da escala que o grupo alcançaria pouco depois: ensaios, viagens e apresentações pequenas faziam parte daquele período. "Quando entrei na banda, era muito divertido", relembrou Grohl anos depois. "Eu morava no sofá da sala do Kurt."

Pouco tempo depois, o Nirvana lançou "Nevermind", em 1991. O álbum transformou a banda em um fenômeno mundial e colocou Grohl diante de um público que crescia em velocidade impressionante.

Do baterista ao frontman

A morte de Kurt Cobain, em 1994, encerrou o Nirvana e colocou Grohl diante de uma nova decisão. Ele poderia continuar como baterista de outras bandas ou assumir as próprias composições. Escolheu a segunda opção.

Grohl gravou praticamente sozinho as primeiras músicas que dariam origem ao Foo Fighters. O projeto começou como uma espécie de exercício pessoal e rapidamente se transformou em uma banda completa.

O segundo álbum, "The Colour and the Shape", lançado em 1997, consolidou o Foo Fighters internacionalmente. "Everlong" tornou-se um dos maiores sucessos do grupo e ajudou a construir uma identidade própria para Grohl como compositor, guitarrista e vocalista.

A mudança de função trouxe uma nova relação com o palco. Em entrevista à PBS, Grohl brincou com a ideia de ser chamado de cantor: "Primeiro, eu tiraria cantor dessa lista, porque basicamente passo três horas por noite correndo por aí e gritando."

Sobre a bateria, instrumento que o acompanhou desde a adolescência, ele resumiu a sensação de tocar: "Quando estou tocando bateria, sinto que estou dançando. Não preciso pensar. Posso simplesmente tocar."

O Foo Fighters virou uma banda de estádio

O crescimento do Foo Fighters aconteceu de forma gradual. O grupo passou de pequenos shows para turnês em arenas e, depois, para apresentações em estádios. Em 2000, durante a primeira turnê de arenas da banda, Grohl já comentava sobre a dimensão que o grupo começava a alcançar. Naquele momento, o Foo Fighters excursionava como atração de abertura do Red Hot Chili Peppers.

Existe uma lembrança de Grohl que resume bem a dimensão da transformação. Ao falar sobre os primeiros anos como baterista, ele contou que fechava os olhos enquanto tocava e imaginava estar se apresentando no Wembley Stadium, na Inglaterra. Quando abria os olhos, a realidade era bem diferente.

"Eu podia fechar os olhos e pensar: estou no Wembley Stadium agora. E então abria e via que havia seis pessoas na plateia", contou em entrevista à NPR.

A fantasia se tornou realidade em 2008. Em 6 de junho daquele ano, o Foo Fighters subiu ao palco do Wembley Stadium para um dos maiores shows de sua trajetória, diante de aproximadamente 86 mil pessoas. "Como essa banda ficou tão grande?", brincou Grohl ao se deparar com o tamanho da plateia.

O músico também descreveu o público como seus "86 mil backing vocals", em referência ao coro dos fãs durante as músicas. A apresentação no estádio é o maior show da história da banda até o momento.

O Foo Fighters ainda voltou ao estádio no dia seguinte. Os dois shows reuniram cerca de 165 mil pessoas, com ingressos esgotados. Na segunda apresentação, Grohl recebeu Jimmy Page e John Paul Jones, do Led Zeppelin, para uma participação especial.

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Uma carreira construída sobre recomeços

A trajetória de Grohl ganhou outro capítulo difícil em 2022, quando Taylor Hawkins morreu aos 50 anos durante uma passagem do Foo Fighters por Bogotá.

Hawkins havia sido baterista da banda por cerca de 25 anos e se tornou um dos principais parceiros musicais de Grohl. Durante os shows tributo realizados naquele ano, o vocalista relembrou a relação entre os dois.

"Ele era meu melhor amigo, meu irmão. Ele era meu parceiro", disse Grohl à Rolling Stone.

O Foo Fighters retomou as apresentações em 2023 com Josh Freese na bateria. Em 2025, Ilan Rubin assumiu o posto e passou a integrar a formação atual.

Do quarto de casa ao terceiro Rock in Rio

Em 2026, a história chegou novamente a um dos maiores palcos do mundo. O Foo Fighters retorna ao Rock in Rio nesta sexta-feira, 4 de setembro, às 00h05, como atração principal do Palco Mundo, encerrando a primeira noite do festival. Esta é a terceira vez que os norte-americanos tocam na Cidade do Rock, sendo a primeira vez em 2001 e a segunda em 2019.

São 31 anos de carreira, 15 Grammys e uma entrada no Rock & Roll Hall of Fame em 2021. A banda também chega ao festival em uma nova fase, impulsionada pelo lançamento de "Your Favorite Toy" e por uma turnê mundial.

Antes mesmo do show começar, o grupo já tem data para voltar ao Brasil: o Foo Fighters fará dois shows em solo brasileiro em 2027, em Belo Horizonte, no dia 18 de fevereiro, na Arena MRV, e em São Paulo, no dia 20 de fevereiro, no Estádio do MorumBIS.

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