Pop

Apenas 39% da Geração Z se sente adulta, mostra pesquisa

Levantamento mostra que a maioria dos jovens vive a adultez "em partes", influenciada pela comparação nas redes sociais

Mariana Martucci
Mariana Martucci

Head de distribuição e audiovisual

Publicado em 10 de agosto de 2026 às 12h00.

Priorizar nos meus resultados Google

Em 2026, os primeiros representantes da Geração Z completam 30 anos. A data marca a chegada dessa geração à idade que, historicamente, funcionou como um limiar simbólico da vida adulta consolidada. Uma pesquisa inédita conduzida pelo InstitutoZ, núcleo de pesquisa da consultoria Trope-se, mostra que essa transição está longe de acontecer como aconteceu com as gerações anteriores.

Apenas 39% dos entrevistados se consideram totalmente adultos. A maioria, 43%, afirma viver a adultez "em partes". Entre os jovens de 26 a 30 anos, faixa em que os marcos etários tradicionais da vida adulta já foram, em tese, ultrapassados, 42% ainda não se sentem completamente adultos.

O levantamento ouviu cerca de 7 mil respondentes em todas as regiões do país e propõe uma leitura da Geração Z como três subgrupos distintos, e não como um bloco único. Os Sonhadores, entre 17 e 21 anos, vivem uma fase de expansão do sonho e das possibilidades. Os Descobridores, de 22 a 25, combinam experimentação com o primeiro contato prático com as limitações da vida adulta. Os Reorganizadores, entre 26 e 30, buscam estabilidade material em um cenário que dificulta essa conquista.

Setenta e seis por cento dos respondentes afirmam que a vida adulta mudou significativamente em relação às gerações anteriores. Entre os Reorganizadores, o índice sobe para 80%. Pesquisas do IBGE também mostram que a idade média de saída da casa dos pais aumentou nas últimas duas décadas, o percentual de jovens adultos morando com os pais cresce ano após ano, e o tempo médio para que um trabalhador consiga comprar seu primeiro imóvel praticamente dobrou em 30 anos.

A referência que se desfez

Ao longo do século 20, os modelos de vida adulta se organizavam em torno de referências próximas e relativamente estáveis. A família de origem, a vizinhança, o ambiente de trabalho e uma mídia tradicional cujas imagens aspiracionais mantinham certa coerência entre si. Para a Geração Z, esse arranjo se desmontou. A principal referência passou a ser o feed, uma curadoria de momentos selecionados, recortados e otimizados para engajamento, produzida por pessoas que aparecem na timeline justamente porque estão vivendo bem, ou aparentando viver bem.

Segundo a pesquisa do InstitutoZ, 56% da Geração Z afirma que as redes sociais influenciam diretamente sua percepção sobre a vida adulta, percentual que se mantém estável entre os 17 e os 30 anos. O reflexo mais evidente dessa exposição contínua está no fato de que mais da metade dos respondentes afirma sentir que está atrasada em relação aos pares, em todas as faixas etárias analisadas. "A maturidade não reduz o peso da comparação social, o que ajuda a explicar por que o sentimento de inadequação permanece presente em toda a geração", afirma Paula Cisneiros, head de pesquisa do InstitutoZ.

A policrise como pano de fundo

Pandemia, polarização política, crise climática, exaustão digital, guerras transmitidas em tempo real e o desmonte progressivo dos modelos clássicos de adultidade compõem o cenário em que a Geração Z se formou. A pesquisa argumenta que a diferença em relação a outras gerações não está na presença de crises, já que todas enfrentaram as suas, mas na simultaneidade e na intensidade com que esses eventos passaram a integrar o cotidiano.

"É uma geração que atravessou seus anos formativos acompanhando, em tempo real, pandemias, guerras, crises climáticas e transformações sociais profundas. Isso impacta não apenas a forma como ela enxerga o futuro, mas também o que entende por estabilidade, sucesso e vida adulta", afirma Cisneiros.

A transição mais representativa dentro da própria geração acontece entre os grupos de 17 a 21 e de 22 a 25 anos. Nessa faixa, o percentual dos que se sentem totalmente adultos mais que dobra, ao passar de 17% para 36%. É nesse intervalo que a entrada efetiva na vida adulta se materializa, ainda que de forma desigual entre os respondentes. A partir dos 26 anos, o avanço perde velocidade e a sensação de ser adulto pela metade se estabiliza como norma.

Para Luiz Menezes, CEO da Trope-se, os resultados apontam para uma mudança de natureza na experiência da adultez. "A percepção da geração não está ligada a uma dificuldade individual em atingir marcos tradicionais da vida adulta, mas à sensação de que esses próprios marcos se tornaram mais instáveis, distantes e difíceis de sustentar", afirma.

Acompanhe tudo sobre:Geração Z

Mais de Pop

Fox e Roku: a segunda maior compra do ano de Hollywood está em análise pelo judiciário

Stray Kids: quem são os integrantes do grupo que canta no Rock in Rio 2026?

Show do Jão: venda geral de lote extra de ingressos começa hoje; veja onde comprar

Os planos da Netflix para conquistar as salas de cinema