Toguro posa com Cimed ao fundo: projeto do novo antirressaca’ ainda está em fase de testes (Instagram @toguro / Captura de tela)
Publicado em 2 de fevereiro de 2026 às 08h02.
Última atualização em 2 de fevereiro de 2026 às 09h20.
A Cimed entrou em 2026 redobrando a aposta numa ambição definida há algum tempo: dobrar de tamanho.
O objetivo faz parte do projeto estratégico batizado de Nova Era, que estabelece como meta alcançar R$ 10 bilhões em faturamento até 2030, com um primeiro marco já neste ano, segundo João Adibe Marques, presidente da Cimed.
“Nesse ano devemos bater os R$ 5 bilhões, e o nosso interesse é chegar em 2030 no nosso 10 bi”, afirma o CEO, que integra a segunda geração da família no comando da companhia.
O plano para este ano combina aquisições, expansão industrial e novas parcerias — e já começou a sair do papel. Nesta segunda-feira, 2, o presidente assinou a aquisição da Ice Fresh, fábrica de produtos de higiene bucal localizada em Bauru, no interior de São Paulo.
O valor da aquisição não foi divulgado, mas segundo o CEO, toda a linha de higiene bucal, como cremes dentais e enxaguantes, que até então estava sendo produzida na fábrica de Pouso Alegre (MG), passará a ser produzida em Bauru, São Paulo, a partir de fevereiro.
“Esse movimento reforça o momento de transformação da Cimed. Estamos ampliando nossa presença em categorias estratégicas, fortalecendo nossa estrutura industrial e criando as bases para um crescimento sustentável de longo prazo, em linha com o projeto Nova”, afirma Adibe.
A nova unidade industrial possui 7 mil m² de área total, sendo 4 mil m² de área construída, com capacidade produtiva de até 5 milhões de unidades por mês em um único turno.
A fábrica adquirida pela Cimed tem 52 anos e pertencia a uma família de origem libanesa que atuava no setor de confecção de jeans até que a segunda geração identificou uma oportunidade em um programa do governo federal voltado a cuidados básicos para a população de baixa renda.
A partir desse projeto, a família estruturou uma unidade industrial 100% verticalizada capaz de produzir internamente tubos, tampas e embalagens, sem depender de fornecedores externos, modelo que chamou a atenção da Cimed.
A estratégia industrial se conecta ao reposicionamento da empresa como uma plataforma de consumo, indo além do mercado farmacêutico tradicional.
“Hoje, mercado farma que a gente disputa é um mercado de R$ 130 bilhões. Agora, entrando nessas novas categorias, esse mercado sai de R$ 130 bilhões para R$ 400 bilhões”, afirma Adibe.
O executivo também adiantou que irá lançar no próximo trimestre o shampoo e condicionador e no segundo semestre irá entrar com o protetor solar.
Com a criação da marca Super (focada em cuidados pessoais com desodorantes, higiene bucal e hair care), a Cimed passa a disputar espaço nessas categorias, ampliando sua presença no cotidiano do consumidor, para além dos medicamentos.
“Antes, você via a Cimed dentro da tua casa quando estava doente. Agora vai estar no dia a dia com desodorante, escova de dente e shampoo. A Cimed passa a fazer parte do estilo de vida”, diz o executivo.
A Super é a segunda marca da joint venture firmada entre a Cimed e a Globo para a criação de novas marcas de consumo. O empresário e apresentador Luciano Huck também faz parte da sociedade.
Desde sua estreia na categoria de Oral Care, em novembro de 2024, a empresa registrou crescimento acelerado. Os primeiros lançamentos incluem cremes dentais e enxaguantes bucais em collab com a Carmed.Em tempo recorde, os produtos alcançaram vendas expressivas, movimentando cerca de R$ 120 milhões em sell-out em 2025.
Com a aquisição da nova fábrica e o lançamento da Super, Adibe projeta um faturamento de R$ 1 bilhão em sell-out em 2026, com expectativa de alcançar entre 25% e 30% de market share no canal farma e cerca de 10% de participação no mercado total de higiene bucal.
João Adibe Mraques, CEO da Cimed: “Antes, você via a Cimed dentro da tua casa quando estava doente. Agora vai estar no dia a dia com desodorante, escova de dente e shampoo" (Leandro Fonseca/Exame)
Além da nova fábrica, a companhia também investiu cerca de R$ 100 milhões em dois grandes centros logísticos em Pouso Alegre (MG), que somam 45 mil m², já entre os maiores do setor. A estratégia busca reduzir custos, aumentar eficiência e dar escala à nova fase de expansão.
“O primeiro depósito já foi inaugurado em dezembro. O segundo vamos finalizar agora em março. São gigantescos. É o passo que a empresa deu para se preparar para a área de logística”, diz Adibe.
A companhia, segundo o CEO, foi muito impactada em 2025 com os custos logísticos e decidiu acelerar os investimentos em CDs como resposta estrutural ao problema. “Foi um toque de caixa”, afirma o CEO.
Entre as apostas para 2026 está também o desenvolvimento de novos produtos em parceria com criadores e influenciadores. Aproveitando a repercussão que teve o meme “sabor energético” com o influenciador Toguro, Adibe o chamou para uma reunião recentemente no escritório, mas segundo ele, esse não foi o primeiro contato com o influenciador.
“Eu conheci o Toguro primeiro pelo personagem das redes sociais, mas na Kings League conheci a pessoa física. O conhecimento dele me chamou muita atenção”, afirma o executivo. A partir dessa aproximação, surgiram provocações sobre uma eventual colaboração entre as marcas.
A ideia ganhou forma e deve chegar ao mercado logo mais. O estudo envolve o desenvolvimento de um produto ‘antiressaca’, conectado ao universo de bebidas no qual o influenciador já transita.
“Já temos um produto antiressaca no portfólio, mas a comunicação sempre foi um desafio. Ninguém quer pensar em ressaca quando está se divertindo”, diz Adibe. A proposta agora é explorar essa narrativa de forma mais provocativa e alinhada ao comportamento do consumidor.
O projeto do novo antirressaca’ ainda está em fase de testes e validações técnicas, mas a expectativa, segundo o CEO, é que o lançamento aconteça ainda em 2026.
O plano de expansão também se traduz em geração de empregos. De acordo com Adibe, a companhia projeta ampliar seu quadro de funcionários entre 10% e 15%, acompanhando o crescimento da produção, da logística e das novas operações.
“Todo mundo fala em crescimento, mas ninguém fala em contratação. Crescer para quê, se você não contrata gente?”, diz o CEO. “Para sair de R$ 5 bi para R$ 10 bi, eu tenho que fabricar mais, dobrar o número de funcionários e lançar produto. É o básico,” diz Adibe.
A estratégia, segundo o executivo, não é de diversificação aleatória, mas de expansão simétrica, conectada ao core business da empresa.
“A ideia é escalar o que já fazemos, com uma visão 360 do negócio, sem abrir mão da essência da Cimed”, afirma Adibe.
A Cimed foi fundada em 1977 por João Adibe dos Santos, pai do atual CEO João Adibe Marques. A empresa nasceu em Pouso Alegre (MG) como um pequeno laboratório farmacêutico.
Atualmente, a empresa tem sede administrativa em São Paulo, tem mais de 6 mil funcionários em todo o país e 600 produtos no catálogo, liderando em segmentos de produtos como antigripais, vitaminas e medicamentos isentos de prescrição médica (MIP).
Seu complexo fabril está localizado em Pouso Alegre (MG), e o centro de distribuição central e a gráfica da companhia em São Sebastião da Bela Vista (MG), além de contar com mais de 26 centros de distribuição espalhados pelo país, e agora com uma nova fábrica em Bauru (SP).
Entre os principais concorrentes da Cimed estão Hypera Pharma, Eurofarma, EMS (Grupo NC) e Sanofi Medley.
“Concorrência faz parte do setor. A nossa resposta sempre foi ganhar no mercado, com produto, preço justo e escala”, diz Adibe.
Veja a entrevista de João Adibe ao podcast "De frente com CEO", da EXAME: