Stablecoins: mercado supera US$ 300 bilhões e amplia uso em pagamentos e investimentos. (Jonathan Raa/Getty Images)
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Publicado em 29 de abril de 2026 às 11h43.
As stablecoins, criptomoedas atreladas a ativos de referência como o dólar ou o euro, vêm ampliando seu espaço no sistema financeiro digital ao combinar a lógica da blockchain com a previsibilidade típica das moedas fiduciárias. Nos últimos dois anos, , esse mercado mais que triplicou e já ultrapassa US$ 300 bilhões, o equivalente a cerca de 7% de todo o mercado de criptomoedas.
A principal característica dessas moedas é justamente a tentativa de manter paridade com um ativo de referência. No caso das stablecoins fiduciárias, como USDC e FDUSD, essa estabilidade é sustentada por reservas reais em dinheiro ou títulos do Tesouro dos Estados Unidos mantidos em custódia. Esse mecanismo ajuda a reduzir a volatilidade, facilita a precificação de ativos digitais e torna as stablecoins uma ponte funcional entre o sistema financeiro tradicional e a infraestrutura descentralizada.
O avanço desse mercado já aparece tanto em iniciativas públicas quanto no comportamento de grandes plataformas. Em abril, o Governo Metropolitano de Tóquio anunciou um programa de subsídios voltado à promoção de stablecoins lastreadas no iene. Com aporte de até 40 milhões de ienes por projeto, a iniciativa busca apoiar o desenvolvimento de sistemas, consultoria jurídica e auditoria. O movimento sinaliza que moedas estáveis começam a ser incorporadas também ao debate sobre modernização da infraestrutura de pagamentos e remessas.
Nas exchanges, esse crescimento se traduz em volume e liquidez. No início de abril, as reservas de stablecoins mantidas na Binance chegaram a US$ 45,5 bilhões, após entradas de US$ 2,5 bilhões apenas em março. Segundo a CryptoQuant, a plataforma concentra 68% das reservas globais desses ativos, como USDT e USDC, o que reforça sua posição na negociação de criptomoedas estáveis.
“As stablecoins carregam uma combinação única de estabilidade e eficiência, facilitando transações tanto no mercado local quanto internacional. Isso representa um passo significativo rumo a um sistema financeiro mais inclusivo”, afirma Guilherme Nazar, vice-presidente regional para a América Latina da Binance.
A estratégia da plataforma tem sido ampliar a oferta e a integração desses ativos. Entre as stablecoins novas ou em expansão na Binance estão USDC, FDUSD, USD1, XUSD e EURI, esta última atrelada ao euro. A exchange também lançou uma série de novas integrações no mercado à vista, o Spot, com a proposta de facilitar o trading com mais estabilidade, flexibilidade e taxas mais baixas.
Na prática, a diversificação permite ao usuário administrar melhor sua exposição a diferentes moedas e jurisdições dentro de uma única interface. Para investidores iniciantes, isso pode representar uma porta de entrada menos sujeita às oscilações bruscas do mercado. Para quem já opera com estratégias mais sofisticadas, as stablecoins funcionam como instrumento de liquidez, proteção e realocação rápida de recursos.
Para Nazar, o potencial dessa tecnologia também está na inclusão. “As stablecoins podem tornar os pagamentos digitais de varejo mais acessíveis para clientes hoje alijados do sistema e, por meio do aumento da competição, impulsionar a inovação”, diz.
O uso desses ativos, porém, vai além da negociação. Stablecoins também vêm sendo incorporadas a ferramentas de rendimento, operações em finanças descentralizadas e transferências internacionais mais ágeis.
Em um cenário de expansão do varejo digital e de maior familiaridade das novas gerações com ativos tokenizados, elas consolidam o papel do chamado “dólar digital” como peça relevante na circulação de valor em escala global.