Sinopec participa de Libra via Repsol e Galp

Gigante chinesa negocia participação no primeiro leilão do pré-sal de forma indireta, por meio das companhias que podem compor consórcio com Petrobras

Rio de Janeiro – A gigante chinesa Sinopec negocia a participação no primeiro leilão do pré-sal brasileiro de forma indireta, por meio da portuguesa Galp e da espanhola Repsol, que podem compor um consórcio com a Petrobras, afirmaram à Reuters fontes com conhecimento direto do assunto.

A Sinopec já possui parceria com a Galp e a Repsol em blocos de petróleo na região do cluster da Bacia de Santos, onde a Petrobras atua no pré-sal, e por meio de suas sócias poderá realizar ofertas por Libra, considerada a maior reserva petrolífera no Brasil.

A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, conversou com executivos da Sinopec em viagem recente à China, disseram duas fontes à Reuters, na condição de anonimato.

“Parece que ela convenceu os chineses a participar do leilão, porque, após sua ida à China, a Sinopec mudou de ideia… Eles não queriam entrar no leilão antes dessa visita”, afirmou uma das fontes.

A viagem da presidente da Petrobras à China durou cerca de dois dias e ocorreu há aproximadamente um mês.

O prazo para pagamento da taxa de participação do leilão de Libra, previsto para 21 de outubro, vence nesta quarta-feira.

Procurada, a Petrobras informou que não comentará o assunto. A subsidiária da Sinopec no Brasil confirmou que há um movimento da empresa para o leilão, mas não deu mais detalhes imediatamente sobre o tema.


Não foi possível contatar imediatamente a Petrogal, subsidiária da Galp no Brasil, e Repsol Sinopec Brasil, empresa da espanhola Repsol com participação de 40 por cento da Sinopec no país.

As petroleiras Galp e Repsol já são parceiras da Petrobras na exploração de áreas do pré-sal. A Sinopec adquiriu parcela de 30 por cento na Galp no Brasil em 2011, garantindo presença nos campos de Lula, Cernambi, Iara, Bem-te-vi, Caramba e Júpiter.

Em 2010, com a sociedade junto à Repsol, os chineses adquiriram participação indireta em Guará e Carioca, outras áreas na nobre região do pré-sal.

A Petrobras é majoritária em todos os blocos do pré-sal, além da participação em outras áreas por meio da cessão onerosa, pela qual pagou à União para a exploração de 5 bilhões de barris.

Secreto

Graça afirmou nesta quarta-feira a parlamentares que somente duas pessoas conhecem a estratégia completa da Petrobras para a licitação da área de Libra: ela e o diretor de Exploração e Produção, José Formigli.

Por lei, a Petrobras será a operadora única da área leiloada no pré-sal, com no mínimo 30 por cento de participação. A estatal pode, no entanto, fazer uma oferta que contemple uma fatia maior da reserva.

As empresas interessadas, muitas delas multinacionais, estão em negociações para a formação de consórcios que disputarão a reserva gigante. Cada consórcio terá no máximo cinco empresas.

Outras empresas já declararam que podem entrar na disputa, como a norte-americana Chevron.

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