Setor de turismo está mais regional e colaborativo que nunca

Parcerias e apoios financeiros marcaram os últimos meses; viajantes preferem cidades mais próximas e distância percorrida caiu 63%

Brasileiros estão viajando para lugares mais próximos, optando por chalés e villas e, mais que nunca, querem ter a flexibilidade para ajustar suas viagens. Essas tendências obrigaram agências e operadoras de turismo a trabalhar mais de perto de seus parceiros, como hotéis, pousadas e companhias aéreas, 

Para a Expedia, o momento foi de entender as necessidades dos viajantes e dos parceiros. A flexibilidade de mudar ou reagendar as reservas era essencial para os clientes, para irem viajar quando se sentirem mais seguros. A prática, porém, não era tão recorrente entre as agências e operadoras de viagem e, em alguns casos, taxas altas eram cobradas por companhias aéreas para reagendar passagens. "Pedimos essa flexibilização a todos os nossos parceiros", diz Nuno Sales da Ponte, diretor da Expedia no Brasil. 

Se para as grandes redes de turismo e de hotéis a crise no turismo já foi ruim, para os pequenos empreendimentos foi ainda mais difícil. Pequenas pousadas, guias de turismo, passeios locais e restaurantes sofreram com a falta de clientes e, consequentemente, de receita.

Ainda em maio, a Expedia realizou duas doações globais para ajudar esses negócios, em um valor de 275 milhões de dólares. A maior parte desse aporte, 250 milhões de reais, foi direcionada aos hotéis e parceiros de hospedagem da plataforma. "Os empreendimentos usaram esse valor em marketing, novos produtos e estratégias e até em reformas", afirmou Ponte. Já os outros 25 milhões de dólares foram direcionados aos destinos, por meio de associações e secretarias de turismo locais. 

A Expedia criou ainda um grupo no LinkedIn para brasileiros que dependiam do turismo como fonte principal de renda e que perderam o emprego ou essa receita. Mais de 2.000 pessoas participaram do grupo com dicas, apoio e novas opções de negócios.

O Grupo Águia, que controla a famosa agência paulistana Stella Barros, pagou um auxílio emergencial de três parcelas de 1.200 reais aos guias turísticos do Rio de Janeiro, que perderam o sustento quando o Cristo Redentor e o Corcovado foram fechados para visitação. Também adiantou 2 milhões de ­reais em diárias a 40 hotéis sem cobrar juros. 

Passeios próximos

Pelo receio de contaminação, o turismo local está mais forte - e pessoas viajam para cidades próximas. A distância média por reserva caiu 63% entre junho e agosto, em comparação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com levantamento feito pelo Booking

Se antes os viajantes percorriam 1.557 quilômetros por reserva, essa distância caiu para apenas 569 quilômetros por reserva neste ano. No geral, 84% da distância total percorrida pelos brasileiros entre junho e agosto foi dentro do país, em comparação com apenas 32% durante o mesmo período de 2019.

As viagens domésticas estão levando turistas para regiões pouco conhecidas, como o interior dos estados, embora as grandes capitais ainda sejam destaque. Os destinos mais reservados nos últimos meses foram São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Gramado (RS), Curitiba (PR) e Brasília (DF). 

Quando se trata da escolha da acomodação, os brasileiros preferiram um chalé entre os meses de junho e agosto deste ano, em comparação com o mesmo período ano passado, uma acomodação típica para o inverno. O segundo tipo de acomodação mais buscado são as Villas.

Antes da pandemia, as opções eram bastante diferentes. 60% dos viajantes brasileiros pretendiam se hospedar em um hotel tradicional, seguido por pousadas (40%), resorts (29%), casas (29%) e apartamentos (22%).

As tendências, de viagens locais e de apoio às comunidades e empreendimentos envolvidos nesse segmento, marcaram os últimos meses. A dúvida é se essa solidariedade e apoio vieram para ficar.

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