Ser Educacional divulga resultados e mira futuro sem Fies

Após compra da concorrente UniNorte, o grupo de educação privada tenta travar estratégia para sobreviver sem o financiamento do governo
Ser Educacional: Somente no último balanço da empresa, os lucros subiram 142%, a 38,9 milhões de reais, em relação ao ano anterior (Germano Lüders/Exame)
Ser Educacional: Somente no último balanço da empresa, os lucros subiram 142%, a 38,9 milhões de reais, em relação ao ano anterior (Germano Lüders/Exame)
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Redação EXAME

Publicado em 10/05/2019 às 06:39.

Última atualização em 10/05/2019 às 06:45.

Surfando um momento de otimismo na bolsa após a compra da rede de faculdades UniNorte, maior da região Norte, o grupo Ser Educacional divulga os resultados de seu primeiro trimestre do ano nesta sexta-feira, 10. Desde a compra da concorrente, firmada em 16 de abril, as ações valorizaram 16%, a 23,49 reais. A Ser fechou o último mês em alta de 7%, uma das maiores dentre as empresas listadas no Ibovespa. 

A explicação para o cenário positivo se dá pelo caminho seguro que o grupo decidiu seguir ao fechar a aquisição da UniNorte. Depois de ter tido dificuldades em entrar no mercado de educação privada da região Sudeste, que já é liderada pelas concorrentes Kroton e Estácio, a Ser Educacional decidiu reforçar sua presença na parte do país que conhece melhor, o Norte e o Nordeste.

Atualmente, a UniNorte possui 23.233 alunos de graduação e 1.939 alunos de pós-graduação, com ganhos anuais antes de juros, impostos, depreciação e amortização de 18,7 milhões de reais em 2018. Após a compra, o valor de mercado da Ser Educacional fica na casa dos 3,6 bilhões de reais, sendo o terceiro maior grupo de educação privada brasileiro com capital aberto na bolsa. Os dois maiores grupos do setor são Kroton, com 15,8 bilhões de reais, e Estácio, com 8,6 bilhões de reais.

Os números deste trimestre já estavam disponíveis no site da Ser Educacional nas primeiras horas da manhã desta sexta-feira, antes da apresentação oficial. O lucro foi de 63,9 milhões de reais, 9% acima do mesmo período do ano passado, enquanto o faturamento foi de 304,2 milhões de reais, caindo cerca de 4%. A base de alunos apresentou crescimento de 1,2% no trimestre, chegando a quase 162.000 alunos. O crescimento se deve, segundo a empresa, sobretudo ao aumento de alunos que têm suas aulas à distância, que já são pouco mais da metade.

Após a compra da UniNorte, o jornal Valor Econômico chegou a publicar que o controlador da Ser Educacional, Janguiê Diniz, desejava vender o grupo, mas queria o dobro do valor listado na bolsa. A empresa negou a informação, dizendo que consultou Diniz “a respeito de tais notícias e foi informada que não há qualquer discussão para alienação de participação em andamento”, segundo disse a empresa em nota no fim de abril.

Um dos pontos positivos da aquisição é que a UniNorte vai representar um aumento de 17% na base de alunos da Ser, mas com um número de estudantes que dependem de financiamento estudantil do governo (Fies) menor do que em outras faculdades da rede. Ainda essa semana, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, criticou duramente o Fies, e o programa, que já sofreu contingenciamento nos últimos anos, deve passar por novos cortes.

O balanço desta sexta-feira ainda não tem influência dos números da UniNorte, mas a aquisição traz melhores perspectivas para a Ser Educacional sobreviver em um futuro em que os conglomerados de educação privada, que fizeram fortuna com incentivos do Fies na última década, precisarão aprender a atrair alunos por conta própria.