Roupas da Zara no Brasil custam o dobro do que nos EUA, mostra índice

Edição 2020 do Zara Index, índice que compara os preços da varejista em mais de 40 países, mostra que Brasil continua sendo um dos mais caros no varejo

O Brasil segue sendo um dos países mais caros para comprar itens da varejista espanhola Zara. É o que mostra o índice Zara Index, publicado anualmente pelo banco BTG Pactual desde 2014 e que compara os preços de itens da varejista ao redor do mundo.

O índice comparou o valor de uma cesta de 12 produtos da Zara vendidos em 47 países. Quando feita análise por paridade de compra, isto é, levando-se em conta as diferenças no custo de vida de cada país (e não fazendo uma conversão pura e simples do dólar), o Brasil é o quarto mais caro entre os países analisados. Só é mais barato do que Rússia, Turquia e Índia. Em dólar paridade de compra ajustado pelo BTG, os preços são 103% mais caros no Brasil na comparação com os Estados Unidos, ou seja, chegam a custar o dobro do preço.

Se levado em conta o valor do dólar sem ajuste, os produtos custam 6% a mais no Brasil em comparação com os Estados Unidos, usado como base de comparação pelo estudo. Em 2018, com o dólar mais baixo, a cesta da Zara havia sido 18% mais cara do que nos EUA. A queda no preço não se deve necessariamente a grandes mudanças estruturais no Brasil, mas à valorização da moeda americana, que foi de cerca de 3,30 reais no começo de 2018 para picos acima de 4 reais em 2019.

Em comparação com a Espanha, país natal da Zara, a cesta no Brasil custa 41% a mais em dólar. A Espanha é um dos países mais baratos para se comprar roupas da Zara, graças à proximidade com fábricas que a companhia mantém no país e em vizinhos como Turquia, Marrocos e Portugal.

O analista Luiz Guanais, um dos responsáveis pelo relatório, afirma que o índice nasceu inspirado no Big Mac Index, criado na década de 1960 pela revista americana The Economist e que compara os preços ao redor do mundo do sanduíche de mesmo nome, o mais famoso da rede americana McDonald’s. A ideia de ambos os índices é comparar a diferença no custo de um produto internacional (como o sanduíche do McDonald’s ou as roupas da Zara) em diferentes países e, por consequência, refletir sobre fatores como carga tributária e custo de vida nos diferentes locais.

A Zara foi escolhida pela equipe do BTG, diz Guanais, por ser uma empresa com participação no Brasil e em dezenas de países, de modo que foi possível ter uma ampla base de comparação.

Segundo o analista, os resultados desta edição repetem o que já foi visto em edições passadas do índice: o Brasil é um país caro para vestuário, sobretudo para companhias estrangeiras. O dólar alto é um fator que torna as peças mais caras no caso de itens importados e não produzidos no Brasil, assim como fatores como a carga tributária complexa e considerada alta para alguns produtos. A logística no país também é complexa e exige altos investimentos. “Nesse cenário, as empresas locais de vestuário conseguem ter vantagem sob as estrangeiras, porque já conhecem os desafios locais e já se adaptaram a eles”, diz Guanais.

Outro fator que dificulta a operação dos estrangeiros no setor de vestuário é, puramente, a geografia, diz Guanais. Como a Zara é do hemisfério norte, cria coleções de inverno para boa parte do mundo, enquanto ainda é verão em países do hemisfério sul, como o Brasil.

Mais de metade das vendas do grupo Inditex vêm da Europa, onde também está a maioria das fábricas. Já a Ásia responde por 24% e as Américas (incluindo Brasil e Estados Unidos) respondem por 16%, segundo os resultados do primeiro semestre de 2019.

Em 2018, último ano com resultados anuais completos, o grupo espanhol Inditex, que controla a Zara, teve vendas de 26,1 bilhões de euros. Seu fundador e presidente, Amancio Ortega, é o sexto homem mais rico do mundo e tinha fortuna de 75 bilhões de dólares no fim desta segunda-feira 13.

Veja abaixo a variação percentual dos preços da Zara no Brasil e nos outros 46 países que compõem o Zara Index, em dólar paridade de compra ajustado e na comparação com o valor nos Estados Unidos.

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