Partida da Premier League: Doyen empresta dinheiro para os clubes contratarem jogadores e espera ser paga em três anos (Rebecca Naden/Reuters)
Da Redação
Publicado em 16 de maio de 2014 às 16h50.
Rio de Janeiro - A Doyen Sports, um fundo de investimentos que financia aquisições de jogadores para clubes de futebol, quer se expandir na Premier League, da Inglaterra, a competição doméstica mais rica do esporte, disse seu principal executivo.
A Doyen busca investir 200 milhões de euros (US$ 273 milhões) após lucrar com sua primeira aposta, de 100 milhões de euros, segundo Nélio Lucas, o português de 35 anos de idade que é CEO da empresa registrada em Malta com sede em Londres.
Ele preferiu não identificar os homens de negócios centro-europeus que está financiando o fundo.
A Doyen empresta dinheiro para os clubes contratarem jogadores e espera ser paga em três anos.
Os times podem manter os jogadores e pagar a dívida ou vender os atletas, retornando o dinheiro do empréstimo e uma participação de qualquer lucro com a transferência para a Doyen.
Lucas diz que o arranjo não viola a proibição da Premier League para os fundos que possuem participações nos direitos econômicos dos atletas.
“Nós podemos operar com esse modelo na Premier League e estamos preparando uma versão desse modelo especialmente para o Reino Unido”, disse ele, em entrevista em São Paulo, onde sua empresa começou a fechar acordos com clubes, incluindo o Santos.
“No fim das contas, existe também uma grande diferença entre os grandes clubes e os demais clubes. Eu tenho certeza que a Premier League nos vê com bons olhos”.
Embora funcionários da Premier League não queiram comentar a respeito dos planos da Doyen, eles disseram que as regras proíbem a chamada propriedade de terceiros.
A Doyen diz que empresta dinheiro e não está envolvida nesse tipo de propriedade.
Ameaça
“Nós acreditamos que a prática ameaça a integridade das competições, reduz o fluxo de renda com transferências no esporte e tem o potencial de exercer influência externa sobre as decisões de transferência de jogadores”, disse o porta-voz da liga, Nick Noble, em um e-mail, nesta semana.
“Nenhum acordo de empréstimo celebrado com clubes da Premier League deve permitir que os credores exerçam influência sobre as transferências de jogadores”.
A Doyen Sports é uma subsidiária da Doyen Group, uma empresa que investe em mercados como commodities e imóveis, segundo uma apresentação de Lucas, em São Paulo.
A firma tem ativos em países como Turquia e Líbia. A Doyen também é proprietária da Rixos Hotels, que patrocina o Chelsea, o clube da Premier League de propriedade do bilionário Roman Abramovich.
Crise fiscal
A Doyen se envolveu no esporte depois da crise financeira global, em 2008.
Uma das primeiras e maiores transações ocorreu em 2011, quando a empresa levou o atacante colombiano Radamel Falcao do FC Porto, de Portugal, para o Atlético de Madrid por 40 milhões de euros, embora o clube espanhol estivesse fortemente endividado.
O jogador de 28 anos de idade permaneceu duas temporadas na Espanha, ajudando o Atlético a vencer a Liga Europa e a Liga Espanhola antes de partir para o Monaco, um clube de propriedade de um bilionário, por um total reportado de 60 milhões de euros.
“Foi o jogador mais caro com quem trabalhamos até aqui”, disse Lucas. “O clube está feliz, nós estamos felizes, o jogador está feliz, todo mundo está feliz”.
Fazer negócios na Premier League pode não ser tão fácil. Segundo os termos de seu contrato como patrocinador oficial da Premier League, o segundo maior banco do Reino Unido, Barclays Plc, tem status preferencial entre os 20 clubes do campeonato.
Quatro anos atrás, Lucas abordou dois homens de negócios ricos, a quem ele prefere não identificar, apaixonados por futebol. Ele lhes disse que poderiam desfrutar do esporte mais popular do mundo e lucrar com isso.
Mais três investidores entraram para o segundo fundo do grupo, de 200 milhões de euros. O dinheiro colocado pelos investidores é uma fração de suas fortunas, segundo Lucas.
“O grupo é financiado por famílias privadas”, disse ele. “Está muito claro que temos vários investimentos em muitas coisas. Muitos bilhões em volumes de negócio. Por isso, 100 milhões é uma pequena gota no oceano. Agora, 200 milhões são duas gotas no oceano”.