Negócios

Renault fará programa de demissão voluntária para 250 funcionários

Sem peças, montadoras suspendem contratos de trabalho ou dão férias coletivas

Renault: empresa amplia estratégia global e negocia nova cooperação com montadoras chinesas (Renault/Divulgação)

Renault: empresa amplia estratégia global e negocia nova cooperação com montadoras chinesas (Renault/Divulgação)

AO

Agência O Globo

Publicado em 1 de outubro de 2021 às 07h43.

Última atualização em 1 de outubro de 2021 às 07h45.

A falta de peças para fabricação de automóveis levou três montadoras do país a anunciarem mudanças no regime de trabalho.

A Renault aprovou um programa de demissão voluntária (PDV) com saída estimada de 250 pessoas e suspensão temporária de contrato (lay-off) para 300 funcionários nos próximos meses.

De acordo com a Renault, a medida foi aprovada em decorrência de impactos provocados pela Covid-19 na fabricação de componentes elétricos e a falta de sinalizações de melhora no cenário internacional.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Sérgio Butka, alerta para a crise internacional de componentes, que levaria à perda de competitividade das empresas.

— Os trabalhadores novamente precisam “investir” para garantir emprego, concedendo INPC em troca de abono, aceitando um PDV e redução de jornada para deixar a empresa mais competitiva. São os trabalhadores que estão buscando as soluções — ressaltou.

Assim como a Renault, o sindicato dos trabalhadores da Fiat Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, anunciou, na última sexta-feira, que a montadora pretende seguir com o programa de suspensão de contratos de trabalho.

A decisão também foi motivada pela escassez global de insumos, e pode afetar até 6,5 mil funcionários, com suspensões de contratos por 2 a 4 meses.

No sábado, foi a vez da Volkswagen anunciar que vai colocar 800 funcionários da fábrica em Taubaté, interior de São Paulo, em férias coletivas. Os trabalhadores devem retornar no dia 7 de outubro. O Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté e Região anunciaram que, inicialmente, a medida afetaria 2 mil trabalhadores.

Paralisações até 2022

O coordenador do setor automobilístico da FGV, Antonio Jorge Martins, explica que as paralisações vistas nos últimos dias em fábricas de Fiat, Renault e Volkswagen decorrem tanto da carência de semicondutores no mercado quanto a complicações logísticas, ainda reflexo da pandemia, e mais casos devem ocorrer até o final do ano, e entrar em 2022.

Martins explica, ainda, que as práticas de lay-off e PDV, muito utilizadas no Brasil para amainar a crise, se deve à quebra de expectativas com relação ao nível de produção para o ano.

Com a aprovação de uma série de paradas, o plano de produção previsto no início do ano não consegue ser concretizado, e por isso há a abertura de planos de demissão voluntária.

A falta de insumos já causou prolongadas paralisações nas empresas em 2021. Na Renault, o sindicato registrou 37 dias sem atividade produtiva a escassez de insumos. Na fábrica da Ford Betim, funcionários relatam 11 dias de paralisação e 5 dias de folga.

Escassez de componentes

O coordenador da FGV explica que a crise dos semicondutores começou durante a pandemia, com o aumento da demanda por transformações digitais no setor, não acompanhada pelas produtoras. O choque de demanda, então, frustrou expectativas de crescimento em 2021, e inflou a busca por alternativas, como carros seminovos.

Para 2022, a tônica é de permanência da crise, diante da ainda lenta recuperação produtiva dos semicondutores, e paralisações esporádicas.

— Em nível de fabricação de semicondutores, a situação só vai se normalizar plena em fins de 2022 e início de 2023. Com certeza, devemos ter problemas pontuais em algumas montadoras, não somente em 2021, como ao longo de 2022, mas ainda não há como prever o nível de paralisações.

Queda na produção

Ainda no primeiro semestre, a Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) alertava para a possibilidade de crise produtiva no setor, diante da escassez de semicondutores, essenciais para operacionalizar sistemas de freios, motor e até entretenimento de automóveis.

A produção indústria automotiva nacional, que chegou ao patamar de 200 mil carros em março, minguou para 164 mil em agosto. A queda também se explica pelos ecos da pandemia, com a terceira onda atingindo a Ásia, pólo produtor de semicondutores. Por sua vez, interdita os portos locais e aumenta o custo logístico para a importação.

Segundo a Anfavea, o Brasil produz, em média, 5 milhões de carros por ano. Entretanto, dados de 2021 mostram que o ano deve terminar bem abaixo da média. Até agosto, foram produzidos 1,47 milhão de automóveis.

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