episódio da série ‘2026: Desafios & Oportunidades’ (FALCONI/Divulgação)
EXAME Solutions
Publicado em 4 de fevereiro de 2026 às 11h46.
Sancionada recentemente pelo Governo Federal, a reforma tributária é considerada uma das maiores transformações estruturais da economia brasileira nas últimas décadas. Em geral, as mudanças prometem alterar profundamente a forma como os tributos são recolhidos e compensados. No entanto, segundo dados do Thomson Reuters Institute, 63% das grandes empresas do país ainda não estão adequadamente preparadas para o novo sistema, o que evidencia o risco de subestimar a complexidade do processo de transição.
Nesse contexto, é essencial que as empresas se antecipem para lidar da melhor forma possível com a reforma tributária. Segundo o CEO da Falconi, Alexandre Ribas, o primeiro passo é entender os impactos práticos da transição para o novo regime de impostos sobre a gestão financeira das empresas.
“A reforma tributária não pode ser um assunto exclusivo das áreas fiscais e financeiras nas empresas. Ela é um assunto operacional. É preciso pensar sobre quais serão seus impactos e desdobramentos, refletindo se a estratégia adotada é a melhor, mesmo em casos em que a operação é espalhada por várias cidades e estados”, explica Ribas.
Um dos efeitos mais imediatos da reforma tende a recair sobre o caixa das companhias. A mudança no timing e na base de incidência dos tributos pode gerar oscilações relevantes no fluxo de caixa ao longo do período de implementação, elevando a necessidade de capital de giro no curto prazo. Dessa forma, a recomendação é que as empresas realizem simulações de diferentes cenários fiscais e traduzam esses impactos em projeções financeiras concretas, capazes de orientar decisões com maior previsibilidade.
O contexto de juros ainda elevados aumenta esse desafio. O aumento do custo do capital reduz a atratividade de investimentos de longo prazo e torna mais onerosa qualquer pressão adicional sobre o capital de giro. Assim, no curto prazo, ganham prioridade iniciativas voltadas à liberação de caixa, como a redução de estoques, a melhoria do ciclo de cobrança e a automação de processos administrativos. Já nos médios e longos prazos, tendem a se destacar investimentos que promovam simplificação operacional e ganhos estruturais de margem.
Outro ponto destacado é a importância da governança durante o período de transição. A criação de comitês específicos, com indicadores bem definidos e revisões periódicas, é apontada como uma forma de evitar decisões fragmentadas e antecipar impactos operacionais. Além disso, o acompanhamento da regulamentação infraconstitucional é considerado essencial para recalibrar estratégias conforme o cenário político e regulatório evolui.
Para entender esse cenário complexo, Mitchel Diniz, editor de Invest na EXAME, recebeu Alexandre Ribas no primeiro episódio da nova temporada da série ‘2026: Desafios & Oportunidades’.
Confira!