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Trump diz que há dúvidas sobre saúde do novo líder do Irã: 'Não sabemos se está morto ou não'

Em evento no Kennedy Center, em Washington, o republicano também afirmou que as forças armadas americanas destruiu as instalações militares de Teerã

Donald Trump: presidente dos EUA criticou a falta de ajuda de outras nações na guerra contra o Irã (Alex Wong/Getty Images)

Donald Trump: presidente dos EUA criticou a falta de ajuda de outras nações na guerra contra o Irã (Alex Wong/Getty Images)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 16 de março de 2026 às 14h22.

Última atualização em 16 de março de 2026 às 14h30.

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira, 16, que não descarta a possibilidade do novo líder supremo do Irã, Motjaba Khamenei, estar morto após ataques conjuntos dos EUA e de Israel. Mas, ressaltou que o governo ainda não pode confirmar essa informação.

"Não sabemos se líder supremo está morto ou não", declarou o republicano, durante discurso em um evento realizado no Kennedy Center, em Washington.

Na sexta-feira, secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, disse que o líder supremo do Irã está ferido e “provavelmente desfigurado”Segundo Hegseth, ele não aparece publicamente desde o início da guerra, o que levantou questionamentos sobre sua condição e localização. O secretário, porém, não apresentou provas ou detalhes sobre o suposto ferimento.

Mojtaba assumiu o comando do país após a morte de seu pai, Ali Khamenei. Na quinta-feira, 12, ele divulgou sua primeira declaração desde o início do conflito. No pronunciamento, prometeu manter os combates, ameaçou causar mais danos a países árabes do Golfo e afirmou que o Irã pode abrir “novas frentes” de guerra.

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Cobrança de apoio internacional

No evento, Donald Trump voltou a pedir apoio internacional para a reabertura do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, nesta segunda-feira, 16.

Durante o discurso, ele direcionou o apelo a países europeus e asiáticos, especialmente o Japão e a China. Segundo Trump, algumas nações já indicaram disposição para colaborar, enquanto outras demonstraram menor interesse na iniciativa.

"Encorajamos veementemente outras nações cujas economias dependem muito mais dessa passagem do que a nossa. Obtemos menos de 1% do nosso petróleo pelo Estreito", disse Trump. "China, países europeus e Coreia do Sul: Alguns países obtêm muito mais. O Japão obtém 95%, a China 90%, muitos europeus obtêm uma quantidade considerável. A Coreia do Sul obtém 35%, então queremos que eles venham nos ajudar com o Estreito."

Trump defendeu que esses países participem do policiamento da região após a resposta do Irã a ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel. Segundo autoridades americanas, Teerã utilizou drones, mísseis e minas navais, o que levou ao fechamento do canal para navios petroleiros que normalmente atravessam a passagem — rota responsável por transportar cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo.

"Alguns [países] estão muito entusiasmados com isso, e outros não. Alguns são países que ajudamos por muitos e muitos anos. Nós os protegemos de fontes externas terríveis, e eles não estavam tão entusiasmados. E o nível de entusiasmo importa para mim", disse Trump no evento na Casa Branca.

Nesta segunda-feira, o Irã negou ter solicitado um cessar-fogo aos Estados Unidos, o que havia sido mencionado por Trump durante o fim de semana.

Apesar da negativa, o ministro das Relações Exteriores iraniano indicou a possibilidade de permitir a circulação limitada de embarcações no Estreito de Ormuz. Segundo o chanceler Abbas Araqchi, citado pela agência SNN, o bloqueio estaria direcionado apenas a "inimigos e aqueles que apoiam sua agressão".

No domingo, 15, os Estados Unidos bombardearam a ilha de Kharg, ponto considerado estratégico para o escoamento de petróleo iraniano e central para a economia do país.

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Destruição das forças iranianas

O presidente dos Estados Unidos afirmou novamente que "destruiu" as instalações militares do Irã. O republicano declarou que o regime de Teerã dispõe de poucos mísseis restantes e "não têm muito mais tiros para dar".

De acordo com Trump, a operação militar conduzida pelos Estados Unidos contra o Irã já atingiu mais de 7.000 alvos dentro da República Islâmica e continua "com força máxima".

Na mesma declaração, o presidente voltou a solicitar apoio de países europeus para a retomada do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz. Segundo ele, algumas nações informaram que estavam se mobilizando para contribuir, enquanto outras demonstraram menor disposição para participar da iniciativa.

'Não precisamos de ninguém'

Em coletiva de imprensa, Trump foi questionado por repórter sobre as negociações com lideranças de países aliados da Otan sobre ajuda para desbloquear o Estreito Ormuz. Em resposta, o republicano ressaltou que espera ter a ajuda do presidente francês, Emmanuel Macron, mas disse estar "surpreso" com a reação do primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer.

"Não precisamos de ninguém. Nós somos a nação mais forte do mundo, a maior força militar. Pedi ajuda não porque precisemos, mas porque quero descobrir como elas reagem. Porque venho dizendo há anos que, se algum dia precisarmos delas, elas não estarão lá, não todas, mas não estarão.

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