Startup mais bem sucedida de Israel compra concorrente holandesa por US$ 610 milhões e mira o Brasil
O mercado latino-americano vai representar 25% do negócio da Rapyd
Repórter de Negócios
Publicado em 1 de agosto de 2023 às 03h00.
Última atualização em 1 de agosto de 2023 às 10h53.
Avaliada em mais de 15 bilhões de dólares, a decacórnio israelense Rapyd acaba de adquirir a PayU Global Payment Organisation (GPO), fornecedora de serviços de pagamento do grupo de investidoresProsus, dos Países Baixos.A compra foi fechada por 610 milhões de dólarese está pendente da aprovação regulatória em diversos países.
A Rapyd concorreu com outras duas empresas pela aquisição da startup, presente em 50 países da Ásia, Europa e América Latina, regiões onde atende mais de 450 mil empresas e processa 10 milhões de pagamentos por dia.No pleito, costurado pelo Bank of America após a Prosus decidir pela venda do negócio, participaram ainda a canadense Nuvei e a britânica Worldpay. As operações da PayU na Índia, Turquia e Sudeste Asiático não entraram no acordo de compra.
- Fitch eleva ratings de Petrobras e várias empresas brasileiras após melhora em nota soberana
- Além do dinheiro: fundadores de startups precisam buscar fundos que agreguem para o negócio
- Foco no futuro do negócio
- Número total de navios na eclusa das Três Gargantas, na China, ultrapassa 1 milhão
- Capacidade instalada de energia renovável da China ultrapassa a de energia de carvão
- Como esta startup de logística convenceu investidores a aportar R$ 100 milhões
Com um modelo de fintech as a service, a Rapyd atua unificando tecnologias de meios de pagamento, atualmente com um portfólio de 1200 opções. Os clientes, entre pequenos e grandes de setores diversos da economia, podem integrar carteiras digitais, carrinhos de compra, terminais e links virtuais no mesmo lugar.A principal frente de atuação é no comércio transfronteiriço, facilitando as transações entre empresas como Adidas, Google e Ikea em cerca de 100 países.
Quais os próximos passos do negócio
A companhia, fundada em 2016, é considerada a startup mais bem-sucedida de Israel. Por trás, tem pesos pesados do venture capital como Target Global, que liderou a rodada série E de US$ 300 milhões em agosto de 2021. E ainda BlackRock, Latitud, General Catalyst e Spark Capital.
O apoio financeiro tem alimentado um crescimento rápido, com ritmo contínuo em torno de 100% ao longo dos anos, e várias aquisições desde a fundação - a PayU é a quarta a entrar para o portfólio. Hoje, a startup está nos grandes centros financeiros globais como Tel Aviv (Israel), Dubai (Emirados Árabes), Londres (Reino Unido), São Francisco e Miami (Estados Unidos) e também Hong Kong e Singapura.
Com a nova transação, a Rapyd procura se aproximar de mercados emergentes como o Brasil, o forte do modelo de negócios da PayU. A ampliação da cobertura e capilaridade geográfica também são estratégicas para posicionar a empresa para a abertura de capital, um projeto ambicionado há certo tempo e adiado pelo cenário macroeconômico dos últimos anos.
“A aquisição acelera ainda mais o caminho da Rapyd para um IPO. Dito isto, o momento ideal será ditado por uma série de fatores”, afirma Eric Rosenthal, Chief Strategy Officer (CSO) da startup, por email.
Quais os potenciais ganhos para o mercado brasileiro
Em 2022, Arik Shtilman, CEO e co-fundador da Rapyd, disse que o Brasil era um dos destinos prioritários e que a empresa estava em negociação avançada com três startups para fazer uma aquisição. A opção era um meio para facilitar a entrada e o trânsito pelas peculiaridades do modelo de regulamentação nacional.
Como os acordos não andaram, a Rapyd atua de forma remota no país, onde tem clientes como a Hotmart e a chilena Cornershop.A compra da PayU, com escritório em São Paulo e em mais três países na região, pode contribuir para equacionar a questão.
Além disso, a integração entre os modelos deve permitir a entrega de uma oferta mais robusta de serviços e funcionalidades.“Essa aquisição vai ajudar o mercado latino-americano a se tornar uma das regiões mais relevantes da operação da Rapyd, representando cerca de 25% dos negócios globais”, diz Rosenthal. Ele preferiu não dar detalhes específicos sobre o Brasil.