Tallis Gomes e Joarez Piccini: executivos discutem o impacto da tecnologia nos negócios
Editora de projetos especiais
Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 18h06.
Última atualização em 30 de janeiro de 2026 às 18h14.
* De Davos, na Suíça
A Brazil House, em Davos, reuniu Tallis Gomes, fundador do G4 Educação, e Joarez Piccini, diretor de Relações Institucionais da Randoncorp e presidente do Conselho do Banco Randon, para discutir o “Crescimento na era da IA: como empreendedores constroem eficiência em escala e vantagem estrutural”.
Com quase 19 mil colaboradores e atuação em mais de 130 países, a Randoncorp vive na prática o desafio de incorporar tecnologia em escala industrial. Para Joarez Piccini, o ponto de partida não é automatizar tudo, mas saber onde a IA realmente gera valor.
“Usamos IA bastante, mas não em tudo. Temos preocupações com informações sensíveis, confidencialidade, bancos. Usamos muito em algumas áreas, menos em outras.”
Segundo o executivo, o risco não está na tecnologia em si, mas em esquecer que empresas são feitas de pessoas — clientes e colaboradores. “Use toda a tecnologia possível, bots, automação — mas nunca complique a vida de alguém que, em algum momento, queira apertar um botão e falar com uma pessoa. Essa opção precisa existir. Caso contrário, você trata clientes como máquinas. Nós não somos máquinas.”
Ao lado dele, Tallis Gomes apresentou um caso que chama atenção mesmo em um ambiente saturado de discursos sobre IA. O G4 Educação saltou de US$ 20 milhões para US$ 100 milhões em faturamento em três anos, com praticamente o mesmo tamanho de equipe.
O segredo, segundo ele, foi tratar a IA como sistema nervoso do negócio, e não como acessório. Isso implicou redesenhar áreas inteiras — e não apenas processos. “Não redesenhamos processos; redesenhamos áreas. Passamos a questionar: precisamos dessa pessoa nessa função, fazendo isso?”
Na prática, a adoção de agentes de IA multiplicou a produtividade comercial, elevou taxas de conversão e permitiu escalar sem inflar custos fixos. “Antes da IA, um representante de vendas fazia cinco ou seis ligações por dia. Com IA, passou a fazer 14. Muito mais leads indo para a etapa de conversão.”
A discussão avançou para o impacto social da tecnologia. Para Tallis, o debate sobre substituição de empregos é inevitável, mas incompleto. “Não acredito que a IA vá substituir a maioria dos empregos, mas sim a forma como executamos o trabalho. O trabalho continua existindo, mas a execução muda. A produtividade aumenta.”
Ao mesmo tempo, ele foi direto ao afirmar que liderança segue sendo um atributo humano — e moral. “A IA vai alavancar minha capacidade de tomar decisões, mas ela não toma decisões por mim. No fim do dia, liderança é tomar decisões morais. A IA não faz isso.”
Piccini reforçou o ponto ao lembrar que resiliência e persistência seguem inegociáveis, mesmo em um ambiente hiperautomatizado. “Isso não mudou ao longo da história. É determinação, resiliência, persistência. O que mudou foi a velocidade. Tudo acontece muito mais rápido.”
Ao final do painel, a conclusão foi menos tecnológica e mais pragmática. Em um mundo em que criar produtos e softwares se torna cada vez mais fácil, a disputa real acontece em outros campos.
“Na era da IA, em que criar produtos será tão fácil quanto colocar comida no micro-ondas, quem vai vencer? Quem tiver a melhor marca e o maior canal de distribuição”, afirmou Gomes. E encerrou com um conselho: “Existem dois tipos de pessoas no mundo: as que sabem vender e as que trabalham para quem sabe vender. Aprendam a vender.”