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Queda de 80%: investimentos em startups brasileiras caem em agosto

No último mês, startups brasileiras captaram US$ 174,2 milhões, volume 80% menor que em 2021

 (Eugene Mymrin/Getty Images)

(Eugene Mymrin/Getty Images)

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Maria Clara Dias

6 de setembro de 2022, 15h56

Um relatório da plataforma de inovação aberta Distrito em parceria como Bexs Banco mostra que startups brasileiras continuam encarando os efeitos colaterais da recessão do mecado de venture capital globalmente. Segundo a pesquisa, os investimentos de risco nas pequenas tecnológicas do Brasil caíram 80% em agosto, frente ao mesmo mês de 2021.

Foram captados, ao longo do mês de agosto, US$ 174,2 milhões em 43 rodadas de investimento. Em 2021, o total havia sido de US$ 880,3 milhões, em 77 rodadas de investimento.

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O relatório destaca, porém, que o ano de 2021 fugiu à curva quando o assunto é venture capital, especialmente quando analisados os recursos destinados a empresas emergentes da América Latina. O Distrito atribui, em partes, a discrepância a rodadas relevantes concluídas em agosto do ano passado, como é o caso da plataforma de ERP para PMEs Omie, que captou R$ 580 milhões com o SoftBank e a Petlove, responsável por abocanhar R$ 750 milhões com Riverwood Capital.

Apesar da queda, o resultado é positivo, afirma Gustavo Gierun, CEO e cofundador do Distrito. “Vale ressaltar também que o total levantado pelas startups em agosto do ano passado foi o maior desde que iniciamos a série histórica, em 2013”, diz. “Quando analisamos a evolução dos investimentos, os oito primeiros meses de 2022 já superam o total do ano de 2020, por exemplo, mostrando que o mercado de venture capital continuará relevante no país. E, em número de investimentos, essa marca também deve ser superada em breve”.

A tendência de queda no volume aportado também pôde ser vista no acumulado do ano. Nos primeiros oito meses de 2022, startups brasilieras receberam US$ 3,6 bilhões, volume 45% menor que o aportado no mesmo período de 2021, quando essas empresas captaram US$ 6,6 bilhões.

Menores tíquetes

Rodadas em estágio mais avançadas também sofreram com a aversão ao risco de investidores. Em agosto, o tíquete médio de investimentos em rodadas ´serie D, por exemplo, caiu de US $132,3 milhões para US$ 124,1 milhões.

Já as rodadas mais iniciais hoje responsáveis por 93% de todas as captações do país, saltaram US$ 350,6 mil para US$ 788,1 mil (pré-seed), e de US$ 1,5 milhão para US$ 2,4 milhões (seed).

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Setores em destaque

O setor de fintechs continuou sendo o que mais atraiu investimentos no mês de agotso, seguindo a tendência vista desde o início de 2022. Foram, ao todo 12 negociações, que somaram US$ 97,6 milhões. Em segundo lugar estão as healthtechs, com US$ 47,5 milhões em 6 negociações durante o mês.

Como destaque no mês de agosto, o relatório aponta as rodadas das startups Dr. Consulta, que captou uma Série D de US$ 32,5 milhões; a Pega Leve, que levantou US$ 25,8 milhões e a HRTech Caju, que captou US$ 25 milhões em uma série B.

Fusões e aquisições

Ainda em agosto, o relatório destaca 14 operações de fusão e aquisição entre empresas. O número também representa uma queda ante 2021, quando foram concluídas 21 operações durante o mês. Já o acumulado do ano se mantém estável em relação a 2021: foram 155 transações no ano passado e 154 este ano.