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O jogo de xadrez da dona da Max Titanium para driblar a alta do whey e seguir bilionária

Grupo Supley prevê vender 15% mais em 2026, mas deve manter receita em R$ 1,1 bilhão com a migração do consumidor para produtos mais baratos

Alberto Moretto, CEO do Grupo Supley: “É um jogo de xadrez. Você vai mexendo as peças para encontrar uma solução viável” (Grupo Supley/Divulgação)

Alberto Moretto, CEO do Grupo Supley: “É um jogo de xadrez. Você vai mexendo as peças para encontrar uma solução viável” (Grupo Supley/Divulgação)

Isabela Rovaroto
Isabela Rovaroto

Repórter de Negócios

Publicado em 22 de setembro de 2026 às 06h00.

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RESUMO | O Grupo Supley, dono de Max Titanium, Probiótica e Dr. Peanut, prevê encerrar 2026 com receita próxima dos R$ 1,1 bilhão registrados em 2025, mas com 15% mais unidades vendidas. Com o preço do whey importado mais que dobrando, a companhia aposta em proteínas alternativas, snacks e novos canais para atender consumidores que reduziram o tíquete.


O mercado de suplementos ganhou academias, supermercados, farmácias e a rotina de quem nunca havia pensado em tomar um shake de proteína. Depois do salto da pandemia, porém, a indústria enfrenta outra equação: o consumo cresce, mas a principal matéria-prima do setor ficou mais cara.

É nesse cenário que o Grupo Supley, dono de Max Titanium, Probiótica e Dr. Peanut, tenta preservar o faturamento bilionário. A companhia encerrou 2025 com receita de R$ 1,1 bilhão e espera terminar 2026 perto desse valor. Em volume, porém, prevê vender cerca de 15% mais unidades.

O consumidor não abandonou os suplementos, mas migrou para opções mais baratas. Ao mesmo tempo, a cotação da proteína extraída do soro do leite mais que dobrou nas compras da indústria em um ano.

A pressão coincide com o retorno de Alberto Moretto ao cargo de CEO. Sócio desde a fundação da Supley, em 2006, ele deixou a presidência do conselho para reassumir a operação.

“O produto acabou se tornando um artigo de luxo. É natural vermos o consumidor migrar para proteínas de menor valor financeiro, mesmo com algum decréscimo nutricional”, afirma Moretto.

A antiga CEO, Mariane Moreli, segue na companhia como presidente do conselho, dentro do modelo de alternância de cargos previsto entre os sócios.

Para sustentar as vendas, a Supley reformula produtos, combina fontes de proteína e avança em categorias como snacks. Também tenta evitar que promoções no comércio eletrônico derrubem as margens das lojas físicas.

Por que o preço do whey disparou

Há um ano, a Supley encontrava o quilo do whey importado por valores entre 12 e 13 dólares. Em 2026, recebeu cotações próximas de 30 dólares. A alta combina câmbio, aumento do consumo mundial e oferta limitada.

O Brasil produz whey, mas não o suficiente para atender à demanda interna. As fabricantes de suplementos precisam importar parte da matéria-prima e ficam expostas às oscilações internacionais.

A Supley absorveu uma parcela da alta para evitar o repasse integral ao consumidor e preservar a margem dos lojistas. Ainda assim, o preço avançou justamente quando o brasileiro passou a reduzir o valor de cada compra.

“Se antes o consumidor comprava um pote por R$ 100, agora quer pagar R$ 80 ou R$ 70. Ele tenta manter os mesmos produtos na cesta, mas diminui o valor total”, afirma.

O jogo de xadrez das proteínas

Quando o whey deixa uma faixa de preço, a indústria precisa desenvolver outro produto para ocupar o espaço sem perder demais em qualidade nutricional.

Entre as alternativas estão proteína de soja, albumina, derivada do ovo, proteína do leite e opções vegetais, como a de ervilha. Outra saída são os blends, misturas de matérias-primas usadas para equilibrar preço e composição.

A proteína do leite pode ser retirada diretamente do leite e não depende da fabricação de queijo. O processo rende mais e ajuda a reduzir o custo. Já o colágeno precisa ser combinado com outras fontes ou receber uma correção de aminoácidos para oferecer uma composição mais completa.

“A estratégia está muito na formulação. Você tenta chegar a um valor nutricional bom, com boa quantidade de proteína e menos carboidratos. É um jogo de xadrez: vai mexendo as peças para encontrar uma solução viável”, afirma Moretto.

A Supley trabalha com parte dessas opções e prepara novos lançamentos para manter na categoria o cliente que já não consegue pagar pelo whey habitual.

Mais vendas, tíquete menor

O setor ainda cresce depois do avanço provocado pela pandemia, quando a busca por hábitos mais saudáveis levou os suplementos além do público de academia. Agora, atravessa o que Moretto chama de “pequena ressaca”.

“O mercado cresce 10% e quem está dentro acha pouco, porque sempre esteve acostumado a taxas muito altas”, diz.

Na Supley, o whey permanece como a maior categoria em volume, seguido pela creatina. A produção está concentrada em Matão, no interior de São Paulo, onde o grupo pode fabricar cerca de 40 milhões de unidades por ano.

Entre 60% e 65% do volume anual costuma ser vendido no segundo semestre, impulsionado pela preparação para o verão.

Snacks e novos canais

A Supley também busca ocasiões de consumo fora da academia. Os snacks representam cerca de 25% do faturamento da Dr. Peanut. Em março, o grupo lançou a Znack That, marca de salgadinhos proteicos. O primeiro produto tem 10 gramas de proteína em uma embalagem de 35 gramas.

As lojas especializadas respondem por mais da metade do faturamento. O comércio eletrônico aparece em segundo lugar, seguido por supermercados e farmácias. O varejo alimentar foi um dos canais que mais avançaram e respondeu por mais de R$ 200 milhões da receita do grupo em 2025.

No online, a empresa afirma evitar a queima de preços para proteger a rentabilidade dos varejistas físicos. Com o whey pressionando custos e o consumidor reduzindo o tíquete, Moretto coloca a produtividade entre as prioridades. Para seguir bilionária, a Supley terá de vender mais itens, em mais canais e com diferentes fontes de proteína.

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Quanto o Grupo Supley pretende faturar em 2026?

O Grupo Supley espera encerrar 2026 com receita próxima de R$ 1,1 bilhão, valor semelhante ao registrado em 2025. A companhia prevê, porém, vender cerca de 15% mais unidades.

Por que o preço do whey protein aumentou?

O preço do whey protein subiu devido à combinação de câmbio, aumento do consumo mundial e oferta limitada. A Supley encontrou cotações próximas de US$ 30 por quilo em 2026, ante valores entre US$ 12 e US$ 13 um ano antes.

Quais proteínas podem substituir o whey mais caro?

Proteína de soja, albumina, proteína do leite e opções vegetais, como a proteína de ervilha, estão entre as alternativas. A indústria também usa blends de matérias-primas para equilibrar preço e composição nutricional.

Por que a Supley espera vender mais sem aumentar o faturamento?

A Supley prevê mais unidades vendidas porque o consumidor mantém os suplementos na cesta, mas procura produtos mais baratos e reduz o valor total da compra, afirma Alberto Moretto, CEO do grupo.

Quais são os principais canais de venda da Supley?

As lojas especializadas respondem por mais da metade do faturamento da Supley, seguidas pelo comércio eletrônico, supermercados e farmácias. O varejo alimentar gerou mais de R$ 200 milhões para o grupo em 2025.

Como a Supley pretende crescer além do whey protein?

A Supley aposta em snacks e novas ocasiões de consumo fora das academias. Em março, o grupo lançou a Znack That, marca de salgadinhos cujo primeiro produto oferece 10 gramas de proteína em uma embalagem de 35 gramas.

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