Caio Amato, presidente global da Oakley: “É um ano muito forte para a gente do ponto de vista de business, porque temos uma Olimpíada e a Oakley é dominante nesse mercado” (Leandro Fonseca/Divulgação)
Repórter
Publicado em 18 de fevereiro de 2026 às 07h58.
Milão e as montanhas italianas viraram, neste fevereiro, mais do que o palco dos esportes de neve. Para a Oakley, os Jogos Olímpicos de Inverno funcionam como uma vitrine global onde performance não é narrativa, é prova em tempo real.
Em modalidades em que luz, vento, velocidade e contraste definem medalhas, os óculos e roupas esportivas deixam de ser acessório e entram na categoria de equipamento crítico, como se fossem EPIs no chão das fábricas.
“É um ano muito forte para a gente do ponto de vista de business, porque temos uma Olimpíada, que é um momento que todo mundo pode assistir esportes de inverno e a Oakley é dominante nesse mercado”, afirma Caio Amato, presidente global da Oakley durante o podcast “De frente com CEO”.
Esse é apenas um dos territórios estratégicos que a Oakley pretende explorar para alcançar o que pode ser o melhor ano de sua história em resultados. A marca é uma das principais apostas dentro da EssilorLuxottica (grupo que registrou receita de €26,5 bilhões em 2024) e deve ganhar protagonismo no ciclo atual de crescimento.
“A Oakley projeta 2026 como o maior ano da história e o de maior crescimento percentual já registrado”, diz Amato. “Dos 26,5 bilhões do faturamento da Luxottica, a Oakley tem contribuído muito nos últimos cinco anos.”
A força do calendário, porém, é só parte da equação. A tese que o presidente defende combina cultura, produto e tecnologia para ampliar relevância entre jovens, sem perder o público histórico.
“Quando a gente coloca o consumidor em primeiro lugar, a mágica acontece”, diz o presidente que é brasileiro e lidera a operação global há um ano, depois de quatro anos como CMO.
Na visão do executivo, crescimento não se sustenta com nostalgia. Ele diz ter assumido o comando com a missão de devolver a marca ao seu DNA de disrupção. E, para isso, a empresa passou a priorizar o que ele chama de “criar para o futuro”.
“A gente não prevê o futuro, a gente cria o futuro”, diz.
Além de produtos desenvolvidos para a neve, como lentes de alta performance desenvolvidas para melhorar contraste, percepção de relevo e visibilidade em esportes de inverno, a empresa também está apostando em:
“Os óculos podem servir para corrigir a vista, protege do sol, mas pode ir muito além”, diz o presidente. “Estamos criando uma nova plataforma com a Meta, um novo jeito de olhar o mundo”, afirma Amato.
O Brasil entrou no radar dos Jogos Olímpicos de Inverno deste ano com o pódio de Lucas Pinheiro, primeiro brasileiro e latino-americano a conquistar uma medalha na competição, um feito simbólico para um país sem tradição em esportes de neve.
Para a Oakley, porém, a relevância do mercado brasileiro vai além do desempenho nas pistas. Mesmo em um evento distante da realidade climática local, o país aparece como peça estratégica no plano global da marca. Sem abrir números de receita, Amato destacou o Brasil como um dos mercados mais fortes em conexão emocional com a Oakley, fator que sustenta as expectativas de crescimento nos próximos anos.
“De amor de marca, o Brasil é o principal mercado do mundo junto com os Estados Unidos”, diz o executivo. Ele explica que na pesquisa sobre ‘se você conhece a marca, se você compraria ou se você recomendaria’, no resultado final, em recomendação o Brasil é líder.
“Temos uma alta demanda aqui, tanto que o Brasil figura entre os três países que mais vão crescer nos próximos cinco anos na Oakley”, diz o presidente global.
E para atender este público, a empresa quer traduzir o melhor do gosto local em produto, e para isso investiu em uma estrutura de pesquisa e desenvolvimento no Brasil.
“Temos um Creation Centre local aqui no Brasil, onde são fabricados produtos especialmente para os brasileiros,” afirma o executivo que nasceu no Brasil e hoje fica entre Estados Unidos e Itália.
No fim, a aposta de Amato para o ciclo olímpico é colocar em prática hoje produtos que foram pensados tempos atrás. O maior desafio da companhia é sobre os novos produtos que virão.
“É impossível criar o futuro olhando para o passado, se você não tira 10, 15% do seu tempo, para olhar para o futuro, a sua empresa vai ficar parada,” diz o presidente.
Se a Olimpíada de Inverno é o palco do agora, a Oakley quer sair da Itália vendendo o próximo capítulo, com a mesma promessa que o presidente global repete como mantra dentro da companhia. “A gente não prevê o futuro, a gente vai avançar criando o futuro.”
Veja a entrevista completa de Caio Amato, presidente global da Oakley, no podcast "De frente com CEO", da EXAME: