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O efeito Ana Paula Renault: marca de acessórios cresce 40% após BBB 26

A marca Nega Lora, de Belo Horizonte, foi fundada em 2011 e já fatura sete dígitos com acessórios

Para compor com looks leves e sóbrios, a Ana Paula Renault escolheu acessórios coloridos na marca Nega Lora (Globo)

Para compor com looks leves e sóbrios, a Ana Paula Renault escolheu acessórios coloridos na marca Nega Lora (Globo)

Bianca Camatta
Bianca Camatta

Freelancer em Negócios

Publicado em 22 de abril de 2026 às 16h27.

O Big Brother Brasil 2026 agitou as redes sociais nos últimos 100 dias. Entre os fãs, o programa deste ano ficou conhecido como “edição de colecionador”. Além de telespectadores interessados no reality, o BBB também movimentou o trabalho de empreendedores.

A mineira Ana Paula Renault, consagrada campeã na última terça-feira (21/04), levou para casa peças de roupas e acessórios de produção nacional que chamaram a atenção de quem assiste.

A Nega Lora é uma marca de acessórios de Belo Horizonte que foi usada pela mineira desde o primeiro dia do programa. Desde então, o número de seguidores dobrou e o faturamento cresceu cerca de 40% durante esses três meses.

“Foi uma emoção e um retorno muito grande para a marca, que soma quase 150 mil seguidores no Instagram", diz Daniela Lima, fundadora da Nega Lora.

Agora, o desafio é fidelizar os novos clientes, com foco nas redes sociais e em lançamentos.

Os bastidores

Ana Paula entrou em contato com a marca Nega Lora no final de 2025. Ela compartilhou que estava participando de um projeto e que gostaria de usar os acessórios da marca.

“Vou usar peças leves, queria peças coloridas, com temática do mar”, comenta a campeã do BBB em áudio enviado para Daniela e compartilhado nas redes sociais.

“Oferecemos enviar as peças para ela conhecer, mas ela fez questão de vir pessoalmente. Disse que queria conhecer a dona da marca”, diz Daniela.

A empreendedora já conhecia a participante do reality e aceitou prontamente a visita. “Ela dialoga com a história da marca. É uma mulher forte que, independentemente da sua situação financeira, segue batalhando pelos outros”, afirma.

Levando em consideração as roupas que seriam utilizadas, elas escolheram as melhores opções de colares e pulseiras.

“Ela queria acessórios que dessem uma levantada no look. A gente já tinha essas peças e, como ela já conhecia a marca e os nossos produtos, foi basicamente uma escolha. Depois, a gente só montou os mixes para ela”, diz.

A empreendedora, no entanto, não sabia que os acessórios seriam utilizados no BBB 26. A surpresa foi revelada logo no primeiro dia do programa, quando a mineira entrou com um mix de colares da marca Nega Lora.

As peças também estavam presentes nas imagens de divulgação de Ana Paula, com o conjunto rosa claro e os colares de bandana com pingentes de peixe.

“Ela usou vários dias as nossas peças, e isso rodou o Brasil inteiro”, afirma Daniela.

O boom das redes sociais

Desde os primeiros dias, os espectadores já queriam saber de onde vinham as peças, e o resultado foi perceptível nas redes sociais.

No início do ano, o Instagram da marca tinha 72 mil seguidores. Hoje, já soma mais de 148 mil.

O programa impulsionou a demanda pelas peças usadas. "Ela usou um colar de orixás. Muitas páginas marcaram a gente e muitas pessoas reconheceram. A demanda foi enorme, vendemos milhares”, afirma.

Outro destaque foram os colares de bandana.

Colar de bandana com pingentes de peixe, um dos destaques usados por Ana Paula Renault no BBB 26 e responsável por impulsionar as vendas da Nega Lora durante o programa (Reprodução/Instagram)

A marca também apostou em publicações que mostravam quais eram e os valores das peças utilizadas pela mineira.

Além do crescimento nas redes sociais, o impacto também se refletiu nas vendas. Durante os 100 dias, o faturamento da loja cresceu cerca de 40%.

Agora, a expectativa é fidelizar os clientes, com foco nas divulgações nas redes sociais e no lançamento de novas peças autorais.

A história da Nega Lora

A história da Nega Lora começa na infância de Daniela Lima. “Aos sete anos, eu pedi para minha mãe fazer lacinhos de cabelo para eu vender e ajudar na situação financeira de casa”, lembra.

Na vida adulta, em 2011, a Nega Lora surge após o fim de um relacionamento, quando Daniela se viu sem recursos. Com R$ 300, ela foi à Rua 25 de Março, em São Paulo (SP), para comprar acessórios e revender.

Foi na Feira Hippie, aos domingos, que ela começou a vender bijuterias.

Daniela Lima, fundadora da Nega Lora (Divulgação)

“A barraca virou um sucesso, e a demanda cresceu a ponto de a gente abrir lojas. Depois veio a internet, que ampliou ainda mais esse alcance. Na pandemia, isso se intensificou: com todo mundo em casa, o digital ganhou ainda mais força”, afirma Daniela.

Além das revendas, a empreendedora também apostou em peças autorais. Hoje, 10% dos acessórios vêm de curadoria, e os outros 90% são produzidos pela marca. Desse total, 80% das vendas são resultado das peças próprias.

“Trabalhamos com peças para o Dia das Mães, com iniciais, pingentes e elementos que representam os filhos, algo que tem muito valor afetivo. Também desenvolvemos coleções temáticas, como a que criamos para a Copa do Mundo”, diz.

Hoje, a marca já fatura sete digitos e pretende continuar crescendo após a visibilidade dada pelo BBB.

O boom vindo da Ana Paula foi inédito para a marca, mas a experiência com a Rede Globo já existia.

“Nós atendemos a Globo, com peças usadas em novelas e programas de TV, como Mais Você e Encontro”, diz Daniela. “A gente já tinha esse retorno antes, com artistas e com a própria televisão, mas o que veio depois foi fora da realidade”, afirma.

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