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Ana Paula Renault usa camiseta de Iemanjá da marca Agayu (Reprodução/TV Globo)
Freelancer em Negócios
Publicado em 22 de abril de 2026 às 18h17.
Quando estava com pouco mais de seis meses de existência, a empresa de roupas Agayu, focada na cultura brasileira e nas religiões de matriz africanas, viu suas vendas triplicarem durante a exibição do Big Brother Brasil 2026.
O crescimento começou depois da participante Ana Paula Renault utilizar um moletom da marca durante o programa.
“A primeira peça que ela usou foi um moletom com os oxês do Rei Xangô. Para nós, foi como se a marca tivesse sua primeira grande exposição a nível Brasil a partir desses elementos, o que tem uma representatividade enorme”, diz o fundador Paulo Lucas.
A atenção dada à marca trouxe também desafios: foram necessárias novas contratações e até investimento em jurídico para lidar com cópias.
Para este ano, o objetivo é continuar reforçando os conceitos e valores da marca para fidelizar os novos clientes e continuar atraindo novos públicos.
O primeiro contato da marca com Ana Paula aconteceu em dezembro de 2025. “Lembro que foi minha namorada que reconheceu que o pedido estava sendo feito por uma ex-BBB. Ela encomendou cerca de nove peças”, afirma Lucas.
Dessas, três foram utilizadas durante o reality show: o moletom de Xangô, a camiseta “Cria de Iemanjá” e a camiseta Odoyá.
O moletom já gerou um crescimento inicial, mas foi a camiseta de Iemanjá que fez com que a marca começasse a crescer entre três e quatro vezes o faturamento.
“O moletom tem elementos de Xangô que nem todo mundo reconhece. Mas quando ela usa ‘Cria de Iemanjá’, com a sereia negra, dá um boom. Iemanjá já tem uma aceitação maior — e a marca começa a triplicar as vendas”, diz.
O crescimento foi tanto que gerou um desafio não esperado: a camiseta começou a ser falsificada, o que levou a empresa a estruturar um setor jurídico.
“Não é só uma estampa: existe fundamento e vivência por trás. Quem copia muitas vezes não conhece a religião nem o significado do que está reproduzindo”, afirma.
Em outras frentes do negócio, como marketing, design e comercial, a equipe também foi ampliada. “Fizemos contratações para conseguir manter o nível de qualidade das peças.”
Na fundação da empresa, era Lucas e mais um designer. “Hoje eu trabalho com três designers e equipe de marketing, estou montando a estrutura de uma empresa que está crescendo muito rápido, mas com cautela”, diz.
Por outro lado, o tempo de produção das peças não foi afetado. O modelo de vendas é sob demanda, porém a produção é rápida.
A Agayu possui uma parceria com a Reserva, que produz e distribui as peças. “Nós idealizamos as estampas, mas a produção feita por eles nos oferece mais qualidade e velocidade.”
Em três meses, a empresa saiu de 10 mil para 40 mil seguidores nas redes sociais. Para o empreendedor, o sucesso não veio apenas pela visibilidade do programa, mas pelo alinhamento entre Ana Paula e os valores da marca.
“Ela entende muito bem e fala sobre racismo, intolerância religiosa, sobre cotas — ela usa o lugar de privilégio dela para dar luz a essas pautas”, afirma.
Se fosse outra pessoa no mesmo espaço, ele acredita que o impacto poderia não ter sido o mesmo. Segundo ele, a forma como Ana Paula se posicionava dentro da casa — inclusive em debates sensíveis — reforçou a mensagem por trás das peças, ampliando o interesse de forma orgânica.
“A Ana foi uma cliente que, de forma totalmente orgânica, virou talvez a nossa maior vitrine naquele momento”, diz.
A ideia da Agayu surgiu há seis anos. O projeto nasce dentro de um terreiro de Candomblé, em Salvador, mais precisamente em um sonho no roncó — espaço de aprendizado, silêncio e transformação dentro da religião.
Paulo Lucas, fundador da Agayu: “A Ana virou, de forma orgânica, a nossa maior vitrine” (Divulgação)
Os anos seguintes foram marcados por estudos e vivências no Candomblé para que as peças pudessem reproduzir a verdadeira essência cultural.
“A marca fala de religião de matriz africana, mas também de Brasil. Batemos muito na questão do preconceito religioso e do antirracismo, com peças que também esperam reeducar”, diz Lucas.
O lançamento oficial da empresa aconteceu em junho de 2025. Sem estoque, a marca adotou um modelo sob demanda, produzindo as peças conforme os pedidos.
A estratégia permitiu variedade de coleções e crescimento gradual, apoiado em um público já interessado em pautas antirracistas e na valorização da cultura afro-brasileira.
Com o crescimento acelerado após a exposição nacional, a empresa está em uma fase de estruturação para sustentar a demanda. O foco passou a ser organizar e fortalecer as operações. Ao mesmo tempo, há um cuidado em consolidar o branding, reforçando o posicionamento da marca como algo que vai além da estética, ancorado em vivência, significado e responsabilidade cultural.
Além do e-commerce, a marca já vende para o atacado. Mas, para o próximo ano, já espera chegar a pontos físicos, levando a marca para regiões onde já há maior volume de vendas, como Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
A empresa também pensa em internacionalizar as vendas, já que, com a participação de Ana Paula, a demanda de consumidores em Portugal tem sido constante.
“Estamos estruturando a empresa para crescer com consistência — não só em venda, mas em marca, em posicionamento, em tudo que acreditamos.”
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