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Genética de ‘peso’: leilão de gado cresce 125% no Brasil e mira novo recorde em 2026

A JBJ Agropecuária faturou R$ 6 bilhões em 2025 tendo como o principal negócio a agropecuária. Nesta semana, o grupo promove a 3ª edição do Leilão JBJ Genetics e Família Nelorista. Saiba mais sobre o evento

A JBJ Genetics reuniu 44 investidores e levou gados da raça Nelore para oito estados em 2025 (JBJ Agropecuária /Divulgação)

A JBJ Genetics reuniu 44 investidores e levou gados da raça Nelore para oito estados em 2025 (JBJ Agropecuária /Divulgação)

Publicado em 13 de agosto de 2026 às 06h13.

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Depois do leilão de cavalo de raça Quarto de Milha, realizado em Nazário, Goiás, que faturou R$ 257 milhões em três dias, a família da JBJ Agropecuária vai realizar mais um leilão no Brasil, mas desta vez, de gado.

O evento, nomeado por Leilão JBJ Genetics e Família Nelorista, está em sua terceira edição no país e será realizado em Uberaba, MG, nos dias 14 e 15 de agosto, durante a Expogenética 2026, leiloando gado dedicado à raça Nelore.

O mercado de genética bovina virou um negócio de alto valor dentro da pecuária brasileira - e do grupo da JBJ que tem 14 fazendas no Brasil. Só o leilão de gados registrou um crescimento de 125% no volume de negócios em 2025, na comparação com sua estreia, em 2024.

Veja também: ‘A carne vermelha vai ficar cada vez mais escassa’, diz CEO da JBJ Agropecuária

Objetivo do leilão: reproduzir uma geração de gados de ‘peso’

Em 2025, o evento reuniu 44 investidores e comercializou animais destinados a oito estados: Alagoas, Bahia, Minas Gerais, Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná.

Dos 50 lotes que serão ofertados neste ano para investidores, pecuaristas e criadores, 70% são da própria JBJ Genetics e 30% pertencem a criadores parceiros.

Na prática, a seleção genética busca identificar características capazes de melhorar indicadores econômicos da criação, como produtividade, eficiência reprodutiva e desempenho do rebanho.

É justamente esse ganho que transforma a genética em investimento para o pecuarista: animais com características consideradas superiores podem ser utilizados para acelerar a evolução do rebanho e multiplicar atributos desejados nas próximas gerações.

Para a JBJ Genetics, o leilão também funciona como uma vitrine para ampliar a circulação de sua genética pelo país e atrair novos criadores e investidores.

Em 2025, o evento JBJ Genetics reuniu 44 investidores e comercializou gados destinados a oito estados (JBJ Agropecuária /Divulgação)

Leilão espera receber 2 mil pessoas

A dimensão do evento também cresceu. A empresa espera receber cerca de 2 mil pessoas ao longo das duas noites.

Para acomodar o público, a tradicional pista de julgamento do Parque Fernando Costa, em Uberaba, será transformada em um espaço de mais de 2.600 metros quadrados, reunindo o leilão, áreas de relacionamento e experiências para convidados.

A estratégia é transformar o encontro em algo maior do que uma disputa pelos lotes. A companhia quer usar o evento como uma plataforma de relacionamento entre criadores, investidores e parceiros do setor.

Além dos negócios, o evento terá apresentações musicais. Matogrosso & Mathias encerram a programação de 14 de agosto, enquanto César Menotti & Fabiano se apresentam no dia 15.

Para 2026, a expectativa é de crescimento de 30% em relação a 2025, reforçando o avanço do evento, a valorização da marca e a confiança do mercado na genética ofertada.

Veja também: EUA deixam café e carne bovina do Brasil fora de tarifa de 12,5%; veja a lista

Brasil: o país da pecuária  

O Brasil se destaca globalmente quando o assunto é pecuária. As exportações brasileiras de carne bovina somaram 1,97 milhão de toneladas e US$ 11,43 bilhões em faturamento até julho de 2026, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC). O principal destino do produto continua sendo a China, seguida por mercados como Estados Unidos, Chile e Egito.

Para Fabrício Batista, presidente da JBJ Agropecuária, o país tem espaço e estrutura para ganhar cada vez mais esse mercado, uma vez que o mundo caminha para um cenário de aumento da demanda por proteína bovina, enquanto a capacidade global de produção cresce em ritmo mais lento.

“A gente vê cada vez mais a população mundial crescendo e a produção de carne você não vê crescendo na mesma velocidade”, afirma Fabrício.

O principal motivo, segundo Batista, é o ciclo longo da pecuária bovina quando comparado a outras proteínas, como frango e suíno.

“A carne bovina, pela dificuldade de produção, ela sempre vai se valorizar, mas o ciclo do gado exige mais tempo, mais terra e maior investimento”, afirma.

Ele explica que normalmente se espera nove meses de gestação e o abate de um boi acontece com mais de dois anos. “Você tem que desmamar, recriar e engordar”, diz.

Apesar de o ciclo de produção da pecuária ser mais longo, o Brasil tende a ganhar ainda mais relevância no abastecimento global de carne bovina. Segundo Batista, o país reúne condições difíceis de replicar em outros grandes mercados produtores, como disponibilidade de terras, clima favorável e recursos hídricos para sustentar uma produção em larga escala.

Esse potencial ganha peso em um momento em que os Estados Unidos enfrentam uma redução de seu rebanho bovino e maior pressão sobre a oferta de carne. A importância do produto brasileiro para o mercado americano também ficou evidente nas discussões comerciais recentes, com a carne bovina sendo retirada da lista de produtos brasileiros sujeitos às novas tarifas.

“O Brasil é um país fantástico. Temos clima, terras férteis e água”, diz o empresário. “O Brasil com certeza caminha para ser o grande fornecedor da proteína vermelha no mundo”.

Veja a entrevista completa de Fabrício Batista, CEO da JBJ Agropecuária, ao programa "De frente com CEO", da EXAME:

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