Com digitalização e aumento nas vendas, lucro do Carrefour Brasil cresce 31% e atinge R$ 886 milhões

Resultados foram os primeiros anunciados desde a morte de homem negro numa loja da varejista em novembro do ano passado, e suscitou debates sobre os desafios para a agenda ESG entre investidores brasileiros
A morte de João Alberto Silveira Freitas, assassinado por seguranças de uma loja do Carrefour em Porto Alegre ao fazer compras no local, no último dia 20 de novembro, provocou uma série de manifestações pelo Brasil (Diego Vara/Reuters)
A morte de João Alberto Silveira Freitas, assassinado por seguranças de uma loja do Carrefour em Porto Alegre ao fazer compras no local, no último dia 20 de novembro, provocou uma série de manifestações pelo Brasil (Diego Vara/Reuters)
Leo Branco
Leo Branco

Publicado em 17/02/2021 às 06:15.

Última atualização em 19/02/2021 às 09:46.

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O Grupo Carrefour Brasil, dona de marcas importantes para o varejo brasileiro, como Carrefour e Atacadão, registrou lucro líquido 886 milhões de reais no quarto trimestre de 2020. Apesar de representar 31% de expansão em relação ao obtido no mesmo período do ano anterior, o desempenho ainda é bem inferior ao visto no terceiro trimestre, quando a empresa teve um lucro 73% superior quando comparado ao terceiro trimestre de 2019.

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Em função de choques causados pela pandemia no varejo brasileiro, como a alta nas vendas motivada pelo auxílio emergencial do governo e pela adoção crescente dos canais online, o Carrefour reportou um total de 74,8 bilhões de reais em vendas ao longo de todo o ano, sendo 22 bilhões de reais no quarto trimestre, o que representa um crescimento de 26,8% quando comparado ao terceiro trimestre de 2019.

A digitalização é uma das justificativas da varejistas para o bom desempenho. De acordo com o Carrefour, a aceleração digital e as vendas online da rede Atacadão lideraram a migração para os canais online. O maior número de compras e aumento do tíquete médio do Banco Carrefour também colaboraram: o faturamento foi 19,2% superior ao do quarto trimestre, totalizando 11,6 bilhões de reais.

O resultado chama a atenção dos investidores por ser a primeira divulgação financeira da empresa após a morte de João Alberto Silveira Freitas, homem negro assassinado por seguranças de uma loja do Carrefour em Porto Alegre logo após fazer compras no local, no último dia 20 de novembro.

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As imagens do confronto entre João Alberto e os seguranças do supermercado, publicadas nas redes sociais, chocaram o país em pleno feriado de Consciência Negra e provocaram manifestações em lojas do Carrefour em cidades brasileiras.

Desde então a varejista tomou medidas para evitar episódios lamentáveis como esse no futuro. Na lista estão a contratação de seguranças pelo próprio Carrefour (até então, a vigilância nas lojas era feita por agentes terceirizados) e a criação de um fundo para iniciativas de combate ao racismo num valor inicial de 25 milhões de reais.

O episódio levantou discussões importantes sobre a relevância aos investidores brasileiros da agenda ESG, sigla em inglês para as boas práticas ambientais, sociais e de governança das empresas.

Para muitos evangelizadores do tema no país, o interesse por boas práticas corporativas ainda está longe de ser a prioridade número 1 dos investidores. Um sintoma disso, talvez, seja o movimento das ações do Carrefour após a morte de João Alberto.

No dia seguinte, os papéis da empresa na B3, a bolsa brasileira, até chegaram a cair, mas recuperaram o valor ao longo do dia e fecharam em alta. De lá para cá, o valor dos papéis ficou estável na faixa de 20 reais.