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Life Pet Hub projeta R$ 75 mi em 2026 com plano de saúde para gatos

Holding de saúde pet cresce acima de 100% ao ano, amplia rede independente para 4 mil clínicas e aposta em tecnologia própria para escalar operação nacional

Tássio Mendes, da Life Pet Hub: “Existem mais de 30 milhões de gatos no Brasil e havia uma carência de produtos criados especificamente para esse público” (Divulgação/Divulgação)

Tássio Mendes, da Life Pet Hub: “Existem mais de 30 milhões de gatos no Brasil e havia uma carência de produtos criados especificamente para esse público” (Divulgação/Divulgação)

Karla Dunder
Karla Dunder

Freelancer

Publicado em 13 de dezembro de 2025 às 06h01.

Última atualização em 15 de dezembro de 2025 às 10h26.

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A Life Pet Hub, dona das marcas Dog Life, Pet Life e CatLife, está em um dos momentos de maior expansão desde sua criação. A companhia, que deve encerrar 2025 com R$ 30 milhões em faturamento, projeta alcançar R$ 75 milhões em 2026, mantendo um ritmo de crescimento anual superior a 100%.

Com uma rede de mais de 4 mil clínicas e hospitais credenciados em 320 cidades, a empresa já atende 40 mil vidas em planos e soma cerca de 700 mil vidas no ecossistema quando considerado o Meu+ Pet — produto de assistência criado em joint venture com o Banco Mercantil, que sozinho reúne mais de 600 mil clientes.

Agora, a holding acelera em uma frente que avança mais rápido que o restante do mercado: o segmento de gatos, que já representa um quarto da sua base. O lançamento da CatLife, o primeiro plano de saúde exclusivo para felinos no Brasil, marca a entrada formal da companhia em um nicho que cresce acima da média.

Uma empresa analógica que virou pet tech — e encontrou escala

Fundada em 2005 como Dog Life, a empresa nasceu como uma das pioneiras de planos de saúde pet no país. Mas faltava musculatura de tecnologia. Durante mais de uma década, ficou limitada a cerca de mil vidas, sem escala e com processos manuais.

A mudança começou após a chegada da Sena Investimentos, acionista que assumiu o comando em 2018. Foram anos de testes — franquias, modelos híbridos de atendimento, diferentes formatos de rede — até que, entre 2019 e 2020, veio a virada definitiva: a transformação digital.

Com a parceria da mineira SYDLE, a empresa construiu uma plataforma proprietária, automatizada e escalável. O relançamento ocorreu no início da pandemia, justamente quando o setor passou a registrar explosão de demanda.

“Quando decidimos digitalizar tudo, a lógica foi simples: se queríamos alcançar o Brasil inteiro, precisaríamos de tecnologia própria, fluida e integrada à rotina do veterinário e do tutor”, afirma Tássio Mendes, diretor da Life Pet Hub. “Essa estratégia é o que nos permite lançar, testar e aprender rápido — e é o que sustenta o crescimento atual.”

A partir daí, a holding passou a dobrar de tamanho ano após ano.

O salto de crescimento trouxe dois desafios centrais.

1. Crescer sem perder eficiência operacional

A empresa investiu em automação e uso responsável de IA em fluxos como atendimento, análise de documentos, elegibilidade e auditoria médica.

“A estratégia foi investir em tecnologia, especialmente em processos onde o uso responsável de IA permitiu eliminar gargalos e dobrar de tamanho mantendo basicamente a mesma estrutura”, diz Mendes.

2. Construir uma rede nacional sustentável

A expansão da rede exigiu adaptação regional e negociação com clínicas de portes distintos.

“Adaptamos nossa abordagem de credenciamento às particularidades de cada região, respeitando o perfil de cada parceiro”, explica.

Hoje, a Life Pet Hub opera em um modelo leve, sem ativos próprios, o que facilita escalar para novos estados sem necessidade de estruturas físicas.

Um mercado bilionário e ainda pouco explorado

O setor pet brasileiro movimenta mais de R$ 68 bilhões por ano e já é o 3º maior do mundo. Mas, dentro dele, o mercado de planos de saúde segue com baixa penetração — menos de 10% dos tutores contam com algum tipo de cobertura.

Os serviços recorrentes, incluindo planos, devem crescer 22% até 2026, impulsionados por:

  • aumento da humanização dos pets

  • avanço de tratamentos de média e alta complexidade

  • crescimento da renda per capita nos lares pet

  • envelhecimento da população animal

  • entrada de grandes grupos financeiros e varejistas no setor

No segmento felino, o espaço é ainda maior: o Brasil tem mais de 30 milhões de gatos, com taxa de crescimento superior à de cães, segundo dados do setor.

Essa lacuna é o que motivou o lançamento da Cat Life.

Por que apostar em felinos — e o que muda no modelo

Gatos têm comportamento de consumo e perfil clínico diferentes, com menor sinistralidade e maior número de lares com mais de um animal. Isso permite construir modelos mais sustentáveis e preços mais competitivos.

“Existem mais de 30 milhões de gatos no Brasil e havia uma carência de produtos criados especificamente para esse público”, afirma Mendes. “Reunimos dados suficientes para desenvolver um produto que faça sentido para os pets, tutores e também para nossa rede credenciada.”

O plano exclusivo oferece cobertura nacional, consulta domiciliar, atendimento com especialistas e procedimentos próprios para felinos — algo inexistente hoje entre os grandes players.

O que diferencia a Life Pet Hub no setor

Além do foco em tecnologia e automação, a holding apresenta outros diferenciais competitivos:

  • modelo 100% digital, com vendas e atendimento via IA

  • tecnologia proprietária, com arquitetura aberta e modular

  • rede independente, que facilita a escala nacional

  • estrutura leve, sem clínicas próprias

  • modelo multimarcas, permitindo segmentação por perfil de tutor

  • joint venture com o Banco Mercantil, ampliando alcance e custo de aquisição de cliente (CAC) mais baixo

“Por sermos uma holding independente, conseguimos firmar parcerias tanto com grandes redes de hospitais e laboratórios quanto com clínicas de diferentes portes”, diz Mendes.

Os próximos passos — e a meta de dobrar, de novo

Para 2026, a Life Pet Hub trabalha com três prioridades estratégicas. A primeira é escalar a Cat Life e consolidar liderança no segmento felino. Deve expandir a rede credenciada, com foco em qualidade e eficiência e pretende entrar com mais força no mercado corporativo, oferecendo planos pet como benefício

A expectativa é ultrapassar 80 mil vidas nos planos e alcançar R$ 75 milhões em faturamento, mantendo a curva de expansão dos últimos anos.

“Nossas expectativas para 2026 são altas”, afirma Mendes. “Queremos ultrapassar a marca de 80 mil vidas nos planos e atingir R$ 75 milhões de faturamento. O objetivo é consolidar a Life Pet Hub como a maior holding independente do setor pet no Brasil.”

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