JBS e J&F pagarão US$155 mi nos EUA em acordos por corrupção; ação sobe 7%

A holding J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, deve pagar US$ 128,3 milhões, e a JBS, US$ 26,9 milhões

A processadora de alimentos JBS e seus controladores, reunidos na holding J&F Investimentos, anunciaram nesta quarta-feira, 14, dois acordos com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos para encerrar processos legais contra as companhias.

O primeiro acordo foi assinado pela J&F, da família de Joesley e Wesley Batista. A J&F se declarou culpada por violar a Lei de Práticas de Corrupção no Exterior (FCPA) dos EUA. As práticas foram objeto do acordo de leniência celebrado entre a J&F e o Ministério Público Federal brasileiro e dos acordos de
colaboração celebrados entre Joesley e Wesley com a Procuradoria Geral da República referentes a ilícitos detectados em desdobramentos da Operação Lava-Jato. Pela violação, a J&F deveria pagar 256,5 milhões de dólares (1,4 bilhão de reais), mas a J&F recebeu crédito de 50% por causa dos valores pagos às
autoridades brasileiras, então o montante a ser recolhido ficou em 128,3 milhões de dólares. A JBS não faz parte desse acordo.

O acordo da JBS foi assinado com a Securities and Exchange Commission (SEC) por violação das regras do mercado de capitais americanos. Devido às práticas de corrupção admitidas no âmbito da Lava-Jato, a subsidiária da JBS nos EUA Pilgrim's Pride falhou em manter a precisão de seus livros contábeis internos. A multa que a JBS deve pagar neste caso é de 26,9 milhões de dólares.

Os investidores no mercado financeiro reagiram bem à notícia. Às 13h46, a ação da JBS subia 5,8% na B3, para 20,81 reais, levando o valor de mercado da empresa a 51,2 bilhões de reais. Logo que o comunicado foi publicado, o papel chegou a subir 7%. O Ibovespa, principal índice acionário do mercado brasileiro, ganhava 0,9%, para 99.386 pontos.

"Com o acordo, a JBS limpa o seu histórico de pendências relacionadas à Lava-Jato", diz Pedro Galdi, chefe de análise de investimentos da corretora Mirae. "E o valor a pagar é baixo."

A processadora de alimentos, dona da marca de pratos prontos Seara, vive um ótimo momento. No segundo trimestre do ano, seu faturamento chegou a 67,6 bilhões de reais, uma alta de 33% em relação ao mesmo período de 2019. O valor acordo nos EUA, de aproximadamente 150 milhões de reais, corresponde a 0,2% do faturamento trimestral da companhia.

"Temos avançado na nossa estratégia de crescimento no segmento de produtos de valor agregado e marca", disse a JBS no comunicado sobre o balanço. "Esta pandemia [covid-19] tem acelerado algumas tendências. Alimentos fáceis de cozinhar, rápidos de preparar, saudáveis, e indulgentes, assim como as compras por e-commerce. Tudo isso tem criado importantes oportunidades de crescimento e de acelerar a transformação dos negócios. Porém, o mais relevante é que os fundamentos dos negócios não se alteraram. O mundo terá 9,7 bilhões de pessoas em 2050 que irão consumir 70% a mais de proteína."

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