Lojas Havan: meta de 200 megalojas para 2026 (Germano Lüders/Exame)
Repórter de Negócios
Publicado em 18 de fevereiro de 2026 às 12h15.
Última atualização em 18 de fevereiro de 2026 às 13h44.
O impacto dos juros elevados e o consumo seletivo não foram suficientes para fazer a Havan parar de crescer.
A varejista de Brusque, no norte de Santa Catarina, fechou o último ano com um faturamento de 18,5 bilhões de reais, 16% a mais do que em 2024.
O lucro também cresceu. A companhia teve 3,4 bilhões de reais de lucro líquido em 2025, alta de 28% e recorde histórico.
A margem líquida ficou em 25,1% no ano — e chegou a 30,2% no quarto trimestre, de acordo com o balanço da companhia, do qual a EXAME teve acesso. O resultado é muito maior do que a média do setor.
O crescimento veio principalmente da expansão física. Ao longo do ano, a rede inaugurou sete megalojas e encerrou 2025 com 184 unidades em operação, além do e-commerce. A área total de vendas chegou a 923 mil metros quadrados, ainda de acordo com o balanço.
O aumento da base de lojas também ampliou o fluxo de clientes, também o maior da história em 2025.
“2025 foi um ano com muitos obstáculos, mas conseguimos com muito trabalho e resiliência superar os desafios. Na Havan, sempre acreditamos que lucro e alegria caminham juntos”, afirma Luciano Hang, fundador do negócio.
Para 2026, quando completa 40 anos, a empresa projeta atingir 200 megalojas e faturamento de 22 bilhões de reais.
A explicação mais segura — e sustentada no balanço — é expansão física e ganho de escala.
A Havan inaugurou 7 megalojas em 2025 e encerrou o ano com 184 unidades (eram 177 um ano antes), além do e-commerce. A área de vendas disponível chegou a 923,3 mil metros quadrados, com mais 41 mil metros quadrados adicionados só nas novas lojas.
O balanço também fala em “fluxo de clientes recorde”.
O ponto que mais chama atenção para o setor não é só crescer. É crescer com essa rentabilidade.
A margem bruta caiu de 40,9% para 38,9% — sinal de pressão em custo de mercadoria e/ou mais promoções. Só que, mesmo com essa queda, a empresa aumentou a margem final.
No ano, o EBITDA, lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, ficou em 3,1 bilhões de reais, com margem de 23%. O EBIT, lucro operacional, veio em 2,8 bilhões de reais, com margem de 20,9%.
A varejista encerrou 2025 com dívida bruta de 678 milhões de reais, e 4,9 bilhões de reais em caixa e aplicações financeiras.
Na prática, fechou o ano com caixa líquido de 4,3 bilhões de reais (dívida líquida negativa). O balanço também registra a liquidação de duas operações de debêntures no período.
Para um setor que costuma viver no crediário e no capital de giro, isso muda a conversa. Com caixa, a empresa financia expansão sem depender tanto de banco — e atravessa ciclos de consumo ruim com menos susto.
A geração de caixa operacional foi de 2,5 bilhões de reais em 2025.
Do lado dos investimentos, a empresa colocou 470 milhões de reais em imobilizado, além de desembolsos com imóveis e outras linhas. E também houve distribuição de 2,2 bilhões de reais em dividendos pagos no ano.
A ambição está dada: 200 megalojas e 22 bilhões de reais em faturamento. Mas 2026 cobra execução.
O primeiro risco é o básico do varejo: consumo. Se o cliente segue seletivo, a expansão precisa ser cirúrgica — loja ruim vira custo fixo por anos.
O segundo é margem. A margem bruta já caiu em 2025. Se a competição apertar e a empresa tiver de segurar preço, o jogo vira. A diferença é que, com caixa líquido bilionário, a Havan tem fôlego para atravessar uma fase ruim e continuar investindo — enquanto concorrentes mais alavancados tendem a frear.
"As metas são ambiciosas, como sempre foram, mas temos um time preparado", diz Hang.