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Goldman ignora crise e busca expansão no país

O banco americano teve o melhor ano de sua história no Brasil, a despeito da paralisação da economia


	Goldman Sachs: banco reportou um lucro de R$ 120 milhões
 (Getty Images/Getty Images)

Goldman Sachs: banco reportou um lucro de R$ 120 milhões (Getty Images/Getty Images)

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Da Redação

Publicado em 6 de março de 2015 às 09h14.

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São Paulo - Em 2014, o banco americano Goldman Sachs teve o melhor ano de sua história no Brasil, a despeito da paralisação da economia.

Ao reportar um lucro de R$ 120 milhões, o presidente da instituição no País, Paulo Leme, disse que nunca viu o banco tão disposto a aumentar sua exposição no mercado brasileiro.

O otimismo - num ano em que se prevê recessão, aumento do risco de crédito com as empresas envolvidas na Operação Lava Jato, e um cenário político controverso - deve-se, justamente, ao pessimismo.

Leme diz que o banco hoje não tem nenhuma exposição de crédito ao País, o que significa que não precisa se preocupar em fazer provisões para possíveis calotes como alguns concorrentes estrangeiros tiveram de fazer.

Além disso, tem uma vantagem: enquanto muitos bancos tendem a restringir crédito neste momento, o Goldman Sachs pode começar a conceder empréstimos.

A ideia é dar crédito a grandes empresas, principalmente àquelas menos sujeitas a calotes. O foco da instituição é ocupar espaço em setores nos quais alguns bancos concorrentes já não têm como aumentar a exposição.

Mas Leme não faz nenhum previsão do quanto poderia emprestar. Isso significa que o banco pode chegar ao fim do ano ganhando dinheiro no Brasil apenas com as mesmas atividades que tanto lhe renderam no ano passado.

O banco atua em renda variável, renda fixa, faz assessoria de operações estruturadas e de operações de fusões e aquisições. Cerca de 80% de suas receitas no ano passado vieram destas atividades.

Um dos destaques, segundo Leme, que assumiu a instituição no fim de 2014, foi a renda fixa: o banco passou a ser o primeiro na atuação de venda de títulos do Tesouro Nacional.

Mas o Goldman Sachs também ganhou com operações de tesouraria, ou seja, investindo e aplicando em juros e câmbio, e com o fato de ter reduzido despesas.

Em 2014, por exemplo, deixou um andar inteiro do prédio que ocupa em uma região nobre de São Paulo. Mas continua com o mesmo número de pessoas que atuavam em 2013 no banco: 290.

Para este ano, com o dólar no atual patamar e os preços das ações brasileiras, Leme acredita que muitos investidores estrangeiros devem vir para o País em função destes preços.

Conjuntura

Na economia, o cenário continua negativo e pode ficar ainda mais a depender de variáveis como as investigações da Operação Lava Jato ou o risco de racionamento de energia. Leme diz que o risco deste último já foi maior.

Como a economia reduziu o ritmo, também as pessoas devem reduzir o consumo de energia. Se até pouco tempo a instituição trabalhava com cenário de até 45% de risco de racionamento energético, agora as chances caíram para 20% a 35%.

O dólar deve continuar subindo no curto prazo, segundo o executivo. Ele diz que basta olhar o mercado futuro, que já vê o câmbio a R$ 3,30. O Goldman Sachs, no entanto, continua a acreditar que o dólar deverá fechar 2015 a R$ 2,80.

"Com dólar a R$ 3,00 vai ter mais aluguel de filmes da Disney na Netflix", brincou Leme, ao ser questionado sobre sua declaração de 2013 em que disse que os brasileiros estavam gastando sua poupança na Disney.

Brincadeiras à parte, Leme acredita que haverá, em 2015, um incentivo cambial à exportação. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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