Faturando R$ 15 mi, "Tinder da construção civil" vai além das obras

Prospecta Obras, que liga construções a lojistas e prestadores do ramo, criou vertical batizada de Prospecta Analytica para oferecer o serviço para qualquer segmento
Wanderson Leite, CEO e fundador da Prospecta Obras: 12% do faturamento da empresa já vem por meio dos outros negócios (Prospecta Obras/Divulgação)
Wanderson Leite, CEO e fundador da Prospecta Obras: 12% do faturamento da empresa já vem por meio dos outros negócios (Prospecta Obras/Divulgação)
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Luciana Lima

Publicado em 28/04/2022 às 16:42.

Última atualização em 28/04/2022 às 19:17.

Quando fundou a Prospecta Obras, a ideia de Wanderson Leite era criar uma espécie de Tinder da construção civil, ou seja, ligar quem estava construindo com lojistas e prestadores de serviços para construção. Agora, a rede de franquias, que faturou R$ 15 milhões em 2021, abriu mais uma frente de negócios, a Prospecta Analytica, e quer oferecer inteligência de dados para qualquer tipo de negócio. 

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Fundada em 2008, a Prospecta Obras utiliza big data para mapear obras em qualquer região do país. Com a informação, lojas, arquitetos e outros profissionais da construção civil conseguem sair na frente e oferecer propostas personalizadas para os clientes. Atualmente, a companhia conta com 700 mil obras catalogadas. 

Nos últimos anos, além dos pedidos de construtoras, a Prospecta passou a receber clientes interessados no serviço de mapeamento de outros segmentos. “Clínicas, farmácias e produtores rurais nos abordavam questionando se não poderíamos oferecer essa inteligência também para o segmento em que eles atuavam”. 

Foi aí que a empresa resolveu abrir mais uma vertical concentrada em conectar clientes e prestadores de serviços ou lojistas em três frentes: saúde, agronegócio e business. “A informação, atualmente, é um dos diferenciais competitivos de todo negócio. Uma empresa de Cuiabá, que vende tratores, por exemplo, precisa saber exatamente quem são os clientes. É aí que nós entramos: fazemos o levantamento de todos os produtores, definimos o perfil de cada um deles e conectamos”.  

Até agora, cerca de 12% do faturamento da Prospecta Analytica vem das outras frentes de negócio, mas a ambição, segundo Leite, é chegar a 50% do faturamento. “Podíamos ficar acomodados, já que o setor de obras cresceu 8% em 2021 e estávamos indo bem mesmo sem as outras frentes. Porém, queremos atingir outro patamar e nos tornar uma empresa focada em análise de dados”. 

Tinder da construção 

Antes de criar a Prospecta Obras, em 2008, o empreendedor trabalhava em uma loja de móveis planejados no Vale do Paraíba e tinha, justamente, a função de prospectar clientes. “Tive a ideia de ir buscá-los dentro das obras e showrooms das construtoras, afinal, a maioria delas entregavam os imóveis sem acabamento”, diz. 

O empreendedor passou a fazer listas em excel com todos os dados que coletava nas visitas, não apenas dos clientes de móveis planejados, mas também de quem precisava de outros produtos e serviços. O dono da loja em que trabalhava contou aos colegas do segmento e, rapidamente, outros lojistas passaram a procurá-lo para comprar os “mailings”. Em menos de três meses, o negócio já tinha conseguido atrair 50 clientes. 

Leite conta que pediu demissão da loja e começou a Prospecta Obras com apenas R$ 30, usados para fazer os cartões de visita. “Eu vi que existia essa demanda, mas, no começo, mapeávamos as obras de forma manual, visitando uma por uma”, diz. 

Com dois anos de operação e faturando R$ 30 mil, Leite percebeu que era hora de expandir a empresa. “Por atuarmos de forma muito física, estávamos restritos à região do Vale do Paraíba. Queria atingir todo o Brasil e percebi que só faria isso por meio da tecnologia”, afirma.  

Leite juntou R$ 200 mil e investiu na criação de uma área de tecnologia, que hoje conta com 12 pessoas, e no desenvolvimento de uma plataforma de big data. Em 2014, entraram para o mercado de franquias. “Na época, percebemos que 73% das lojas que eram o nosso foco, como marmorarias, marcenarias e etc. não tinham presença digital, então, precisávamos ter pontos físicos que nos aproximasse delas também”. 

O empreendedor afirma que, apesar da pandemia, o setor de construção continua bastante analógico. “Ainda hoje 48% de nossos clientes de obras não têm presença digital, como redes sociais. E o maior desafio, para nós, continua sendo mudar a mentalidade do nosso setor principal, que são as construções”, finaliza.