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Da Redação
Publicado em 10 de outubro de 2010 às 03h40.
As exportações brasileiras de carne bovina faturaram 2,526 bilhões de dólares em 2004, 62% mais do que em 2003. Do faturamento, 78% resulta da venda de carne in natura, cujo preço médio subiu 14% (leia reportagem de EXAME sobre o Grupo Quagliato, o maior da pecuária brasileira). O principal mercado para essa modalidade foi a Rússia, que pagou 239 milhões de dólares pelo produto brasileiro no ano passado (veja abaixo tabela com os principais países importadores de carne brasileira).
Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), em termos percentuais os maiores aumentos na venda de carne in natura foram detectados na Argélia (374%, para 61,5 milhões de dólares), Rússia (138%) e Irã (111%, para 102 milhões de dólares). O único país a reduzir as importações no ano passado foi a Arábia Saudita, mas apenas em volume (-7,3%, para 61,4 mil toneladas). Em razão dos preços mais altos, o faturamento das vendas para aquele país cresceu 13%.
Preços melhores
Será justamente nos preços que a Abiec vai focalizar em 2005. "A partir de agora, não se trata mais de conquistar grande crescimento de volume. Queremos melhoria de preços e nichos de mercado", diz Marcus Vinicius Pratini de Moraes, presidente da Abiec e ministro da Agricultura no governo Fernando Henrique Cardoso. Segundo Moraes, as iniciativas de marketing serão ampliadas, com a presença brasileira em grandes feiras internacionais do setor, como os eventos em Lisboa, Xangai, Moscou e Colônia (Alemanha).
Em 2004, os exportadores brasileiros conquistaram 40 novos mercados, totalizando 143 países importadores. O problema é que justamente mercados mais rentáveis como o americano, japonês, coreano e taiwanês continuam impondo barreiras à entrada do produto, sem falar nas sobretaxas aplicadas pelos europeus. "Japão e Coréia consomem carne 70% mais cara por causa do lobby dos produtores locais contra o Brasil", diz Moraes. "Na Noruega, para impedir a entrada da carne brasileira, a sobretaxa chega a 300%."
Apesar de o protecionismo inviabilizar a entrada de carne brasileira in natura nos Estados Unidos, os americanos são os maiores compradores da carne industrializada no Brasil, tendo gasto 197 milhões de dólares em 2004.
| 10 principais importadores de carne bovina brasileira in natura | ||
| País |
US$ milhões
|
2004/2003 (%)
|
| Rússia |
239
|
138
|
| Holanda |
214
|
48
|
| Chile |
199
|
25
|
| Egito |
162
|
74
|
| Itália |
135
|
77
|
| Reino Unido |
123
|
37
|
| Irã |
102
|
111
|
| Alemanha |
84
|
55
|
| Espanha |
76
|
41
|
| Arábia Saudita |
73
|
13
|
| 5 principais importadores de carne bovina brasileira industrializada | ||
| País |
US$ milhões
|
2004/2003 (%)
|
| Estados Unidos |
197
|
32
|
| Reino Unido |
127
|
38
|
| Itália |
22
|
69
|
| Venezuela |
21
|
844
|
| Holanda |
15
|
25
|
| Fonte: Abiec | ||