Negócios

EUA colhem provas do MP em ação contra Petrobras

Investigadores recolheram durante a semana passada cópias de documentos da Operação Lava Jato no Brasil para dar sustentação a uma ação coletiva milionária


	Logotipo da Petrobras visto em refinaria em Cubatão
 (Paulo Whitaker/Reuters)

Logotipo da Petrobras visto em refinaria em Cubatão (Paulo Whitaker/Reuters)

DR

Da Redação

Publicado em 23 de agosto de 2015 às 10h26.

São Paulo - Investigadores norte-americanos recolheram durante a semana passada cópias de documentos da Operação Lava Jato no Brasil para dar sustentação a uma ação coletiva milionária, ou class action, em curso na Suprema Corte de Nova York.

O grupo reclama perdas milionárias causadas pelo esquema de corrupção na Petrobras após compra de ações da estatal que vieram a sofrer baixas na Bolsa de Valores de Nova York, a maior dos Estados Unidos. Os ex-presidentes da estatal José Sergio Gabrielli e Graça Foster devem ser citados.

O coletivo é formado por um fundo de pensão de professores e pesquisadores do Reino Unido, outros três de servidores dos Estados de Ohio, Idaho e Havaí, a gestora Skagen, da Noruega, e o Danske Bank, da Dinamarca. Por negociar papéis na Bolsa de Nova York, a Petrobras é obrigada a comunicar fatos relevantes que possam influenciar a decisão de investidores. Para eles, a estatal não comunicou apropriadamente ao mercado o esquema de corrupção na empresa.

Durante a estada da comitiva americana no Brasil foram colhidas cópias de documentos e perícias tornadas públicas nas ações criminais da Lava Jato com autoridades e defensores de alguns dos principais delatores da investigação.

A missão foi cercada de sigilo para evitar desgaste ante o fato de que a norma aplicável legal é aquela do país onde se produz a prova, ou seja, os advogados da Petrobras podem questionar o conjunto de provas obtidas sem obedecer formalidades legais.

Os investidores foram recepcionados por um especialista em crimes transnacionais que os acompanhou na busca por evidências sobre cartel, pagamento de propina e superfaturamento de contratos na Petrobras.

O advogado Jeremy Lieberman, do escritório Pomerantz, é o responsável pela defesa dos investidores. "Sentença, delações premiadas, confissões, tudo pode ser prova. E isso pode ser feito, inclusive, sem a presença física. A presença é o ideal, obviamente, mas muitos (ex-diretores da Petrobras) estão presos. Nós não sabemos o procedimento de como eles poderiam de alguma forma testemunhar, mas estamos explorando isso", declarou Lieberman.

A companhia foi reconhecida pelo juiz federal Sérgio Moro - que conduz as ações penais da operação na primeira instância - como vítima do cartel de empreiteiras que tomou o controle de contratos bilionários para distribuição de propinas a políticos do PT, PMDB e do PP.

Ao assumir o papel de assistente do Ministério Público Federal na acusação aos réus da Lava Jato, a Petrobras se comprometeu a prestar informações às autoridades.

A defesa dos investidores, no entanto, discorda da posição ocupada pela estatal no processo. "Pensamos que é uma piada dizer que eles são vítimas. A Corte em Nova York abordou essa questão.

A Petrobras disse que foi vítima, portanto, as ações de (Nestor) Cerveró (ex-diretor da área Internacional), (Renato) Duque (ex-diretor de Serviços) e (Paulo Roberto) Costa (ex-diretor de Abastecimento) não devem ser atribuídas à empresa, porque eles não estavam agindo para a empresa, e sim contra a empresa", afirma o advogado Jeremy Lieberman.

Em audiência realizada em junho na Corte de Nova York, a defesa da Petrobras alegou que apenas poucos ex-executivos da estatal sabiam das irregularidades.

Em abril, a companhia reconheceu em seu balanço financeiro de 2014, divulgado com cinco meses de atraso, a perda de R$ 6,2 bilhões relacionada à Lava Jato. Outros R$ 44,6 bilhões foram registrados como prejuízos após revisão no valor de ativos. Os dados serão utilizados como argumento de defesa dos investidores. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Acompanhe tudo sobre:EmpresasEmpresas abertasEmpresas brasileirasEstatais brasileirasEmpresas estataisPetrobrasCapitalização da PetrobrasPetróleoGás e combustíveisIndústria do petróleoPaíses ricosEstados Unidos (EUA)Operação Lava Jato

Mais de Negócios

Como um sapateiro do interior gaúcho criou uma marca de luxo espalhada pelo mundo

Novo instituto de treinamento aposta na cirurgia robótica e mira R$ 3 milhões

Do Minha Casa Minha Vida ao luxo: ele construiu um império imobiliário de R$ 3 bi no Nordeste

Amigos criam clube de beleza que fatura R$ 34 mi e tem parceria com Boca Rosa