Freelancer em Negócios
Publicado em 8 de abril de 2026 às 11h00.
O varejo brasileiro registrou mais de 195 mil tentativas de fraude entre janeiro e setembro de 2025, segundo a Serasa Experian.
Desde 2021, a startup catarinense Deconve aposta em biometria facial para reduzir perdas e autenticar pagamentos. As soluções já foram implementadas em clientes como a Havan.
“A gente propõe uma troca: mais segurança para a empresa e mais praticidade para o cliente, que não precisa de senha nem cartão”, afirma Rodrigo Tessari, CEO da Deconve.
Para 2026, a meta é dobrar o faturamento e chegar a R$ 4 milhões, com expansão da biometria facial como pagamento entre clientes atuais e novos contratos.
Foi dentro da Universidade Federal de Santa Catarina que Rodrigo Tessari começou a pesquisar aplicações de inteligência artificial. O projeto virou CNPJ em 2016.
“Foi a partir desse momento que passamos a desenvolver uma série de soluções baseadas em biometria facial para o varejo físico. Todas seguem a mesma premissa: aumentar a lucratividade das lojas ao tornar a operação mais eficiente”, diz Tessari.
A primeira solução, lançada em 2020, era voltada à contagem de fluxo em lojas. O primeiro contrato foi fechado, mas cancelado semanas depois por causa da pandemia.
Apesar disso, a startup recebeu um investimento anjo em 2020 e adaptou a tecnologia para demandas daquele momento.
“Durante a pandemia, a tecnologia também foi aplicada no controle sanitário. Com a reabertura dos shoppings e as limitações de circulação, a câmera conseguia contabilizar o limite de pessoas”, afirma.
A virada veio em 2021, com a parceria com a Havan. A partir daí, a empresa passou a focar em soluções de segurança para o varejo baseadas em biometria facial.
A Deconve ID foi a primeira solução nessa linha, usada para identificar pessoas com histórico de fraudes e acionar equipes de segurança em tempo real.
A principal aposta hoje é o FaceMatch, voltado a pagamentos com biometria facial. No crediário — o crédito oferecido pela própria loja — o cliente registra documento e imagem. A partir daí, cada compra vira uma checagem de identidade.
“A solução faz o que a gente chama de ‘cara-crachá’: compara a foto capturada no momento da compra com a imagem cadastrada. Se for a mesma pessoa, a transação é autorizada. Hoje, cerca de 98% das autenticações acontecem em menos de um segundo”, afirma Tessari.
Além do pagamento, o sistema também atua na origem do problema: fraude no cadastro. A chamada documentoscopia digital, validação automática de documentos, tenta garantir que quem abre o crédito é, de fato, o titular.
A tecnologia foi desenhada para facilitar a adoção no varejo e pode ser integrada diretamente ao sistema de caixa utilizando apenas uma webcam, sem necessidade de equipamentos específicos. Em alguns casos, também consegue operar mesmo sem conexão com a internet, evitando interrupções no ponto de venda.
A Havan virou o principal laboratório da tecnologia. A varejista implementou o sistema em toda a rede para compras com o cartão próprio.
“O Deconve FaceMatch é empregado para autenticar pagamentos por meio de reconhecimento facial em todas as nossas unidades, oferecendo alta assertividade e resposta rápida", afirma Alexsandro Eloi Venâncio, gerente de sistemas da companhia.
O impacto aparece no comportamento do consumidor. Hoje, apenas 5,89% das transações com o cartão da rede ainda exigem cartão físico e senha. O restante já acontece via biometria facial. Na prática, isso reduz filas e também um custo invisível: emissão de cartões.
Na solução de furtos, as perdas reduziram em 17%, com economia de mais de 25 milhões de reais, segundo a empresa.
Para além dos resultados, ter um cliente desse porte impulsionou a expansão.
“Crescemos muito na indicação dos clientes, muito puxado pela Havan, que abriu portas para a gente", diz o empresário.
O uso de biometria facial no varejo exige cuidado no tratamento de dados pessoais — e isso já faz parte da operação comercial.
“A gente tem um cuidado desde o desenvolvimento até a implementação. Não é só vender a solução, é orientar como usar, armazenar e tratar esses dados”, afirma Rodrigo Tessari, CEO da Deconve.
Segundo a empresa, a imagem não é armazenada diretamente. O sistema converte o rosto em um template biométrico — uma representação matemática — e mantém os dados apenas pelo tempo necessário para validação e auditoria, com descarte em até 30 dias.
Na prática, isso virou parte da venda. A startup leva documentos, termos de uso e envolve áreas jurídicas dos clientes antes da implementação.
A aposta agora é expandir o FaceMatch. A meta é sair de 2 milhões para 3 milhões de autenticações mensais.
A estratégia passa por parcerias com empresas de software de ponto de venda, os sistemas que operam o caixa, para integrar a solução de forma mais direta. No longo prazo, o plano é virar um hub de segurança para o varejo, combinando prevenção a furto e autenticação de pagamentos.
O crescimento também passa pelo reforço no time comercial e em marketing. A startup, que começou com duas pessoas, hoje conta com 13 funcionários, 8 clientes e mais de 500 unidades monitoradas.
“A gente sempre olhou a geração de caixa como norte. Desde 2023 estamos no break-even, com o necessário para operar e reinvestir”, diz.
Também desde 2023, a empresa dobra o faturamento ano a ano — e projeta repetir o ritmo em 2026, saindo de R$ 2 milhões para R$ 4 milhões.
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