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Esta indústria de cosméticos começou num fundo de quintal. Hoje fatura R$ 200 milhões

Fundada por um ex-professor de artes marciais sem capital inicial, a empresa aposta agora em uma nova fase de crescimento com a abertura de um centro de distribuição no Espírito Santo

Edson Borgo, da Ecosmetics: “É muito desafiador competir com marcas que vivem só de mídia. Cosmético técnico, que realmente trata, tem valor alto, mas exige outro tipo de comunicação” (Ecosmetics /Divulgação)

Edson Borgo, da Ecosmetics: “É muito desafiador competir com marcas que vivem só de mídia. Cosmético técnico, que realmente trata, tem valor alto, mas exige outro tipo de comunicação” (Ecosmetics /Divulgação)

Isadora Aires
Isadora Aires

Freelancer

Publicado em 30 de dezembro de 2025 às 08h01.

Num setor saturado por marcas terceirizadas e embaladas por marketing de influência, a Ecosmetics tenta ocupar um espaço mais difícil: o das indústrias que fabricam, exportam e inovam em cosméticos profissionais com estrutura própria.

Fundada por um ex-professor de artes marciais sem capital inicial, a empresa aposta agora em uma nova fase de crescimento com a abertura de um centro de distribuição no Espírito Santo.

Com 25 anos de estrada, a empresa nasceu em Teixeira de Freitas, no sul da Bahia, e hoje exporta para 74 países, com produtos voltados a salões de beleza e barbearias.

A nova unidade logística, instalada no município de Serra, na Grande Vitória, tem 2.000 metros quadrados e será a base de distribuição nacional e internacional. 

“Estamos prontos para essa nova fase. Acreditamos que, com essa estrutura logística, vamos atender melhor o mercado interno e expandir ainda mais nossa presença internacional”, afirma Edson Borgo, CEO e fundador da empresa.

O investimento marca o início de um plano de expansão mais agressivo.

A empresa deve faturar 200 milhões de reais neste ano. A meta faz parte de um redesenho estratégico que inclui a conversão da rede de distribuidores em franquias e o lançamento de uma nova fábrica voltada para pó descolorante, produto com alta demanda e complexidade de fabricação.

As duas iniciativas estão previstas para 2026.

No médio prazo, a companhia quer crescer entre 25% e 28% com o novo modelo de franquias, que será adotado, primeiramente, pelos 300 distribuidores atuais.

A mudança também responde a ajustes tributários previstos para 2026, segundo Borgo. Já a nova fábrica, fruto de uma sociedade com um fornecedor italiano, deve colocar a Ecosmetics entre as líderes na produção de pó descolorante no país.

Da pá de madeira ao polo industrial

O início da Ecosmetics foi marcada pela escassez de recursos e decisões pragmáticas.

Sem dinheiro para começar uma indústria, Borgo produzia seus primeiros produtos com uma pá de madeira e um tacho embaixo de um pé de abacate, no quintal de casa, até ser interditado pela Vigilância Sanitária.

“Eu era totalmente fundo de quintal. A Vigilância fez certo em fechar. Aquilo me forçou a mudar”, diz.

A mudança forçada levou Borgo ao estudo.

Incentivado pela esposa, Elizabeth Borgo, ele cursou administração e passou a entender as falhas de gestão do próprio negócio.

Alugou um galpão, formalizou a empresa e, pouco a pouco, estruturou a fábrica que hoje ocupa 10 mil metros quadrados. Com mais de 300 distribuidores no Brasil e centros logísticos em Portugal e Miami, a operação cresceu, mas manteve o foco no salão de beleza como canal prioritário.

Para o CEO, o grande trunfo da marca foi investir em educação.

Por meio da academia da empresa, instalada em Vila Velha, no Espírito Santo, mais de 26.000 cabeleireiros já foram formados.

Os cursos ensinam tanto técnicas de cabelo quanto noções de gestão, fluxo de caixa e precificação. Desde o início da jornada, Edson percebeu que os salões de beleza normalmente enfrentam dificuldades de gestão.

“Comecei a ajudar esses salões também a formar preço, a fazer fluxo de caixa, dando uma noção básica de gestão. [...] Eu queria que eles crescessem também pra eu crescer junto”, diz Borgo.

Concorrência pulverizada e inovação cara

Com 380 produtos no portfólio e parcerias com quatro laboratórios internacionais, a empresa atua em coloração, tratamento capilar e couro cabeludo — área liderada por Elizabeth Borgo, doutora no tema. Entretanto, inovar nesse mercado custa caro.

Um único produto pode levar anos para ser desenvolvido. “Temos produto que levou seis anos de testes. Só um teste recente custou 54 mil reais. E tivemos que refazer tudo”, lamenta.

O cenário competitivo pressiona. Estima-se que existam mais de 8.000 marcas de cosméticos no Brasil, muitas sem fábrica própria e com foco total em publicidade.

“É muito desafiador competir com marcas que vivem só de mídia. Cosmético técnico, que realmente trata, tem valor alto, mas exige outro tipo de comunicação”, diz Borgo.

A virada logística no Espírito Santo e a entrada no sistema de franquias podem dar novo fôlego à Ecosmetics, que já emprega 200 pessoas diretamente no Brasil e impacta mais de 3000 famílias por meio de sua rede de distribuidores.

A aposta agora é combinar tecnologia própria, base educacional e presença internacional para disputar um espaço de longo prazo.

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