Rodrigo Tognini, CEO da Conta Simples: “Em 2025, superamos em mais de 30% o que tínhamos previsto" (Conta Simples/Divulgação)
Repórter de Negócios
Publicado em 29 de janeiro de 2026 às 08h02.
Última atualização em 29 de janeiro de 2026 às 09h00.
Planilhas, comprovantes de papel e horas perdidas tentando lembrar quem gastou o quê, com o quê, para quê.
Em muitas pequenas e médias empresas, o processo de reembolso ainda parece coisa dos anos 1990 — e trava parte do time financeiro numa rotina improdutiva. Foi justamente nesse gargalo que a fintech Conta Simples decidiu apostar.
Criada em 2019, a Conta Simples começou como uma alternativa digital aos cartões corporativos tradicionais, mirando empresas com poucos funcionários, mas grandes dores de cabeça. De lá para cá, cresceu de forma silenciosa — e, em 2025, deu um salto: dobrou sua participação no mercado de cartões empresariais e ultrapassou a marca de 2 milhões de unidades emitidas.
O momento justifica um novo capítulo na história da fintech. Depois de captar 200 milhões de reais no início de 2024, a empresa fechou o ano seguinte com crescimento 130% acima da meta de receita, reforçou a operação de crédito e lançou mais de 150 funcionalidades novas. Agora, quer usar inteligência artificial e funding externo para escalar ainda mais.
“Em 2025, superamos em mais de 30% o que tínhamos previsto. Foi um ano em que consolidamos a reestruturação feita no ano anterior e colhemos os frutos de uma operação mais simples e mais ágil”, afirma Rodrigo Tognini, CEO da Conta Simples.
Criada no fim de 2018, a Conta Simples surgiu com a proposta de eliminar uma dor clássica das PMEs: o reembolso corporativo. Com poucos funcionários e quase nenhuma estrutura financeira, essas empresas geralmente lidam com processos manuais, planilhas, papéis e muita perda de tempo.
Foi nesse vácuo de eficiência que a fintech decidiu entrar, oferecendo uma solução digital de cartão corporativo e gestão de despesas automatizada.
Nos primeiros anos, o produto era simples — um cartão atrelado a uma conta PJ. Mas com o tempo, o escopo foi ampliando. Em 2021, a startup captou sua Série A. Em 2023, atingiu o breakeven. E em 2024, recebeu a licença de Sociedade de Crédito Direto (SCD) do Banco Central, o que permitiu começar a operar com crédito próprio. A segunda rodada, uma Série B de 200 milhões de reais, veio no mesmo ano.
A mudança mais relevante, no entanto, veio de dentro.
Em 2024, a Conta Simples passou por uma reestruturação interna para preparar o crescimento seguinte. “Foi um ano de reestruturação na empresa. Mudamos a gestão, a governança e a estrutura organizacional”, afirma Rodrigo Tognini, CEO da Conta Simples.
Entre as mudanças, a fintech abandonou o modelo de metas por OKRs e adotou um sistema mais direto, com desdobramentos simplificados. Também reduziu camadas hierárquicas para acelerar a comunicação e as decisões. “Estávamos muito hierarquizados. Isso trazia burocracia e dificultava a agilidade”, diz Tognini.
A base para o crescimento em 2025 foi construída nesse momento de revisão interna. A simplificação de processos e o foco em times mais horizontais prepararam a empresa para escalar em novos segmentos, com uma operação mais eficiente, menos travada por estruturas antigas.
O principal motor de crescimento da Conta Simples em 2025 foi a combinação entre escala em cartões corporativos e a entrada em clientes maiores. A fintech dobrou sua participação no mercado e ultrapassou 2 milhões de cartões emitidos. O volume de crédito também saltou: foram quase 400 milhões de reais concedidos no ano, um aumento de 161%.
Parte disso veio de uma nova estratégia de vendas: em vez de esperar o cliente chegar, a Conta Simples criou um time de prospecção ativa, com abordagem mais próxima ao modelo de vendas enterprise. A aposta permitiu entrar em contas mais parrudas, com faturamento na casa de centenas de milhões de reais por ano.
“Conseguimos entrar muito forte nesse segmento de empresas com mais de 100, 200 funcionários”, diz Tognini. Segundo ele, essas empresas têm dores diferentes das microempresas — e demandam uma oferta mais robusta. Por isso, a Conta Simples reforçou os três pilares que estruturam sua proposta: banco, pagamentos e software.
No núcleo do produto ainda estão os cartões corporativos. Mas ao redor deles a fintech construiu um ecossistema de serviços: conta PJ com rendimento automático, crédito, ferramentas de gestão financeira, automações e integrações com ERPs. “O que nos diferencia é a união desses três pilares. Poucas empresas entregam a jornada completa com a profundidade que a gente entrega”, afirma o CEO.
Em 2025, foram lançadas 158 novas funcionalidades. A empresa estima que seus clientes economizaram 430 mil horas de trabalho e 47 milhões de reais em custos administrativos. “Esse é valor direto. É tempo e dinheiro que a empresa deixa de gastar com processo manual”, diz Tognini. O software virou o coração da operação — e também a principal barreira de entrada para concorrentes.
Para 2026, a Conta Simples quer seguir crescendo nos cartões corporativos — onde já detém 2,5% de market share — e ampliar sua presença no crédito fora do cartão. A fintech pretende captar uma estrutura de dívida no mercado para escalar a concessão de capital de giro, hoje financiada com recursos próprios.
“A gente ainda está na fase de aprendizado com esse produto. Mas deve superar essa etapa até o fim do semestre e partir para captação externa”, afirma Tognini. Segundo ele, rodar a operação com o próprio balanço trouxe maturidade para o modelo. “Isso nos forçou a ter um olhar mais criterioso. Agora, quando formos captar, vamos levar essa robustez para fora.”
Outros vetores de crescimento virão de produtos lançados recentemente. A conta global, criada no fim do ano passado, será uma das apostas para 2026, mirando empresas brasileiras com operações no exterior. A expectativa é multiplicar por quatro essa frente ao longo do ano.
A fintech também começa a testar ofertas para nichos específicos, como o setor de turismo. Em 2025, lançou uma linha de crédito voltada para agências de viagem, e agora estuda outros mercados com dor financeira semelhante. “A gente vai testando o que faz sentido e tem demanda”, diz o CEO.
Por fim, a tecnologia segue como prioridade. A empresa deve lançar novas automações com inteligência artificial para tornar os processos ainda mais rápidos e inteligentes. “Estamos colocando IA na conciliação bancária, na análise de despesas, em todo o fluxo financeiro. O crescimento precisa vir junto com evolução de produto”, afirma.
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