Negócios

Espanha descarta ajudar empresa em disputa no Panamá

País disse que não vai apoiar financeiramente a Sacyr, líder do consórcio que ameaçou suspender as obras de ampliação do Canal do Panamá

Trabalhadores no campo de obras para expansão do Canal do Panamá durante uma excursão organizada para a mídia, na Cidade do Panamá (Carlos Jasso/Reuters)

Trabalhadores no campo de obras para expansão do Canal do Panamá durante uma excursão organizada para a mídia, na Cidade do Panamá (Carlos Jasso/Reuters)

DR

Da Redação

Publicado em 6 de janeiro de 2014 às 19h28.

Cidade do Panamá - A Espanha afirmou nesta segunda-feira que não vai apoiar financeiramente a empresa Sacyr, líder do consórcio que ameaçou suspender as obras de ampliação do Canal do Panamá por divergências sobre os custos, numa disputa com o órgão que administra a passagem interoceânica da qual os governos dos dois países parecem querer se distanciar.

Uma delegação do governo espanhol encabeçada pela ministra do Desenvolvimento, Ana Pastor, se reuniu nesta segunda-feira com o governo panamenho para buscar um acordo para a divergência entre o consórcio liderado pela espanhola Sacyr e a Autoridade do Canal do Panamá (ACP).

Na saída do encontro, porém, Ana e o presidente do Panamá, Ricardo Martinelli, insistiram em que se trata de uma disputa entre empresas privadas e a ACP, órgão autônomo, e deve, portanto, ser resolvida entre as partes envolvidas.

"A autoridade do Canal e o consórcio têm de resolver entre si todos os seus problemas", disse o presidente panamenho a jornalistas. "Estamos certos de que o resultado das reuniões que estão sendo feitas entre eles vai resolver qualquer conflito", destacou.

Ana, por sua vez, garantiu: "O que estamos fazendo é reunir as partes para tentar encontrar uma solução", disse ela, que afirmou ainda que "esse é um problema entre uma entidade privada e uma entidade que é independente, segundo a Constituição (do Panamá)".

Anteriormente, o embaixador da Espanha no Panamá, Jesús Silva, havia descartado a possibilidade de que seu país, em meio a uma grave recessão, fosse oferecer qualquer tipo de ajuda financeira à Sacyr para que leve adiante a obra multimilionária.

"Não, de modo algum, o governo espanhol não é parte, esse é um problema entre um contratante e seu cliente... o governo não é parte e em caso algum se considera que o governo espanhol coloque recursos", assinalou.

O consórcio Grupo Unidos pelo Canal (GUPC), integrado também pela italiana Impregilo, a belga Jan De Nul e a panamenha Constructora Urbana, ameaçou em 1 de janeiro suspender as obras, pleiteando receber cerca de 1,6 bilhão de dólares do governo do país centro-americano, valor atribuído a sobrecusto causado por falhas geológicas não previstas.

O projeto a cargo do consórcio tem custo estimado em 3,2 bilhões de dólares.

Em julho de 2009, a Sacyr e suas sócias ganharam a licitação do projeto com uma proposta abaixo do preço de referência de 3,48 bilhões de dólares estipulado pela ACP e, consideravelmente, menor do que ao menos outro dos concorrentes.

O chefe da ACP, Jorge Quijano, disse que o país está preparado para negociar os custos adicionais se não forem justificados, e um funcionário panamenho declarou à Reuters que o governo considera a possibilidade de criar um fundo com todas as partes envolvidas.

Acompanhe tudo sobre:América LatinaEuropaPiigsEspanhaPanamáProcessos judiciais

Mais de Negócios

De R$ 300 mil em dívidas a 11 óticas: a virada da franqueada de Pato Branco rumo aos R$ 17 milhões

Agentes de IA da Senior assumem tarefas e mudam a rotina do RH

Após 13 anos focada em veículos, seguradora bilionária abre nova frente para dobrar de tamanho

Ozempic ou Mounjaro? Veja quem domina as respostas do ChatGPT sobre canetas emagrecedoras