Ericsson pagará US$ 1 bilhão em multas por caso de corrupção

O caso começou em 2013, quando a SEC iniciou uma investigação sobre violações da lei de práticas de corrupção estrangeira
Ericsson: a companhia deverá ter um monitoramento independente de conformidade nos próximos três anos, além de reformular e fortalecer seu programa de ética e compliance (Bob Strong/File Photo/Reuters)
Ericsson: a companhia deverá ter um monitoramento independente de conformidade nos próximos três anos, além de reformular e fortalecer seu programa de ética e compliance (Bob Strong/File Photo/Reuters)
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Karin Salomão

Publicado em 09/12/2019 às 11:09.

Última atualização em 09/12/2019 às 11:09.

A empresa sueca de telecomunicações Ericsson chegou a um acordo para pagar multas de mais de 1 bilhão de dólares, depois de ser acusada de corrupção e suborno em diversos países. 

São dois processos distintos. No primeiro, a companhia firmou um acordo com o Departamento de Justiça americano (DOJ) para encerrar acusações criminais em relação a violações da Lei de Práticas de Corrupção (Foreign Corrupt Practices Act - FCPA). A multa acordada é de 520,6 milhões de dólares.

Já em um segundo processo, a Ericsson firmou um acordo para encerrar acusações da Securities Exchange Comission (SEC, a CVM americana), relacionadas a violações da FCPA como pagamento de propina e violações contábeis. A Ericsson deve pagar uma sanção de 458,4 milhões de dólares, além de juros de 81,5 milhões de dólares.

O pagamento combinado é de 1,06 bilhão de dólares. A companhia afirma que o pagamento já havia sido provisionado no balanço. 

Como parte da resolução, a companhia deverá ter um monitoramento independente de conformidade nos próximos três anos, além de reformular e fortalecer seu programa de ética e compliance.

Investigações

O caso começou em 2013, quando a agência americana SEC iniciou uma investigação sobre violações da lei de práticas contra corrupção estrangeira. Já o departamento de justiça dos EUA começou as investigações em 2015.
As investigações foram finalizadas no primeiro trimestre de 2017.

As acusações eram de casos de corrupção, falsificação de registros contábeis e suborno de funcionários do governo de países como China, Vietnã, Indonésia, Arábia Saudita e Djibuti, entre os anos de 2000 e 2016, para manter os seus negócios.

"Especificamente, alguns funcionários em alguns mercados, alguns dos quais eram executivos nesses mercados, agiram de má fé e conscientemente falharam na implementação de controles suficientes. Eles foram capazes de entrar em transações com propósitos ilegítimos e, juntamente com as pessoas sob sua influência, usaram esquemas sofisticados para esconder seus erros", diz a companhia em comunicado

Segundo a empresa, esses executivos firmaram contratos falsos a preços inflacionados, além de organizar excessivas viagens e entretenimentos para representantes comerciais.

Nos últimos anos, a companhia sueca também enfrenta retração do mercado e a concorrência da chinesa Huawei e da finlandesa Nokia. A companhia viu seus lucros encolherem e precisou demitir milhares de funcionários em 2016.