Entre Magazine Luiza e Amazon: a dura vida da Via Varejo

Dona de Casas Bahia e de Ponto Frio deve anunciar recuo no faturamento e no lucro trimestral, em resultados a serem divulgados nesta quarta-feira

A varejista Via Varejo, dona de Casas Bahia e Ponto Frio, divulga nesta quarta-feira os resultados anuais de 2018 e deve reforçar a dificuldade de competir num mercado cada dia mais disputado. Suas principais competidores no país vivem bom momento.

A B2W, tradicional líder do varejo online, aposta numa crescente integração com a Lojas Americanas para levar mais opções de retirada aos consumidores. O Mercado Livre investe em sua carteira digital e em mais centros de distribuição próprios para fidelizar os vendedores. O Magazine Luiza, que divulga resultados nesta quinta-feira, acertou tanto a mão na integração de lojas físicas e online que valorizou 13 vezes na bolsa em dois anos. Para completar, a americana Amazon lança cada vez mais categorias de produtos no Brasil e deve começar a operar sua própria rede logística.

A Via Varejo, que opera duas das mais tradicionais marcas do varejo brasileiro, ainda sofre com a claudicante estratégia de ora integrar, ora separar suas operações física e online. Segundo previsão do banco Itaú BBA, o lucro líquido da varejista deve recuar 17,6% no quarto trimestre em relação ao fim de 2017, para 106 milhões de reais. O faturamento também deve sofrer leve queda, de 0,9%, para 7,3 bilhões de reais. a margem operação, por sua vez, deve apresentar recuo de 1,6 ponto percentual, para 5,4%.

São números que contrastam com os do Magazine Luiza, que amanhã deve anunciar aumento de 22% no faturamento trimestral e queda menor no lucro, de 3%. São especialmente tímidos para uma empresa que na teoria está muito bem posicionada para um mercado que demanda agilidade na entrega e um contato com o consumidor sem fricção entre as operações online e digital — a Via Varejo tem mais de mil lojas e 26 centros de distribuição pelo país.

Segundo relatório do banco BTG Pactual, o ano de 2018 não foi “brilhante” para o varejo brasileiro, mas há grande expectativa para 2019. Nos últimos 12 meses, as ações da Via Varejo caíram 30%. A retomada demandará superar suas próprias dificuldades, e uma concorrência cada vez mais azeitada.

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