Negócios

Eles têm R$ 1 milhão para acabar com os 'perrengues' de viajar

A Blis.AI, criada por um trio de amigos da faculdade, quer que toda a viagem seja decidida pelo WhatsApp

Rodrigo Cioffi, Rafael Cohen e Luiz Antunes, da Blis.AI: aporte será direcionado ao desenvolvimento do produto

Rodrigo Cioffi, Rafael Cohen e Luiz Antunes, da Blis.AI: aporte será direcionado ao desenvolvimento do produto

Laura Pancini
Laura Pancini

Repórter

Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 07h00.

Três amigos que se conheceram na faculdade decidiram usar inteligência artificial para atacar um dos pontos mais sensíveis do turismo: o atendimento lento, manual e pouco integrado em agências e plataformas de viagem.

À frente da Blis.AI, traveltech criada por Rafael Cohen, Rodrigo Cioffi e Luiz Antunes, o trio quer que tarefas como cotações, reservas, remarcações e reembolsos sejam conduzidas por agentes virtuais que operam 24 horas por dia, integrados aos sistemas que o mercado já usa e presentes em canais conversacionais como web e WhatsApp.

Recentemente, a empresa captou R$ 1 milhão em uma rodada pré-seed, capital destinado a acelerar o desenvolvimento do produto e a expansão da operação.

Como funciona?

A proposta da Blis.AI é ir além dos robôs de atendimento que apenas respondem perguntas frequentes.

A ferramenta foi desenhada para executar de ponta a ponta processos considerados críticos no dia a dia de agências, TMCs, consolidadoras e companhias aéreas, como reservas de hotéis, marcação de assentos, cancelamentos, remarcações, emissões e reembolsos de passagens.

Em vez de funcionar como uma camada isolada, a plataforma se conecta diretamente a sistemas e plataformas de back-office. Assim, assume tarefas operacionais que hoje demandam equipes inteiras de atendimento.

Segundo o CTO Luiz Antunes, a Blis.AI foi construída em um modelo verticalizado, no qual a inteligência artificial não se limita à interação com o cliente, mas é responsável por tomar decisões operacionais em tempo real. Isso significa que a tecnologia aprende continuamente com as interações e se adapta às regras e exceções típicas do setor de viagens.

A promessa é reduzir erros, cortar custos e manter a personalização em escala. “O viajante quer rapidez, mas também quer sentir que está sendo compreendido”, diz o CEO Rafael Cohen.

Na prática, a ferramenta aparece para o usuário final como uma conversa em canais digitais — especialmente o WhatsApp —, enquanto a “camada invisível” de automação executa as tarefas diretamente nos sistemas das empresas parceiras.

A meta dos fundadores é consolidar a Blis.AI como uma espécie de infraestrutura de automação para o turismo. Operando em modelo B2B2C, a empresa mira negócios que desejam escalar o atendimento sem multiplicar o número de atendentes humanos.

Barbear ou viajar?

Antes de tentar reorganizar o atendimento no turismo com IA, o trio de fundadores já havia passado por uma primeira experiência empreendedora.

Formados juntos no Ibmec, em Belo Horizonte (MG), Cohen, Cioffi e Antunes criaram, entre 2020 e 2021, a Easy Barbers, voltada ao segmento de barbearias.

O negócio ganhou tração inicial durante a pandemia, mas perdeu força com a flexibilização das restrições sanitárias, quando parte do mercado voltou a operar em modelos mais tradicionais.

“A Easy Barbers foi uma escola”, diz Rodrigo Cioffi, hoje COO da Blis.AI. “Aprendemos muito sobre produto, operação e, principalmente, sobre o que significa escalar um serviço.”

Essa experiência, segundo os fundadores, foi fundamental para o desenho da nova empresa. Se a primeira tentativa mostrou o peso de depender de mudanças de hábito, a segunda veio com foco em integração profunda a estruturas já consolidadas.

Na Blis.AI, a prioridade foi construir uma ferramenta que se conectasse ao ecossistema, em vez de tentar “forçar” uma nova rotina para o mercado. A aposta é que, ao se encaixar na engrenagem existente, a IA ganhe espaço mais rapidamente.

Com o novo aporte de R$ 1 milhão já direcionado ao desenvolvimento de produto e ao reforço da operação, a próxima etapa da jornada será provar que a automatização “profunda” do atendimento pode se tornar padrão — e não exceção — no turismo.

Acompanhe tudo sobre:StartupsViagensAgências de turismoTurismo

Mais de Negócios

Com um celular, um plano e nenhum cliente, ele construiu um negócio milionário

Boticário abre inscrições para programa de aceleração de startups

Elas engravidaram juntas e hoje faturam milhões com cosméticos para bebês

'O que a gente faz não é só entrega': o desafio da startup que leva o e-commerce às favelas