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Ele transformou a experiência de marca em um negócio de R$ 400 milhões

Da primeira festa universitária ao desafio de reposicionar o Carnaval de Rua de Florianópolis como ativo turístico, plataforma de negócios e impacto econômico

Fernando Ligório, sócio-fundador e CEO do Grupo 4ZERO4 (Divulgação/Divulgação)

Fernando Ligório, sócio-fundador e CEO do Grupo 4ZERO4 (Divulgação/Divulgação)

Rafael Martini
Rafael Martini

Editor da Região Sul

Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 16h02.

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Quando, sem dinheiro e com pouca experiência, tirou do papel a primeira edição de um evento universitário que reunia shows e competições esportivas, o então estudante de Administração da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Fernando Ligório, não podia imaginar onde chegaria em apenas quinze anos.

O que começou como uma iniciativa pontual, apoiada mais em intuição e disposição do que em capital ou estrutura, acabou se transformando em um negócio profissional, escalável e cada vez mais integrado às estratégias de grandes marcas.

A expansão da empresa ocorre em um contexto de valorização acelerada das chamadas experiências de marca — um diversificado arsenal à disposição das equipes de marketing, que vai desde a entrega de brindes em supermercados até a participação em grandes festivais de música, passando por eventos de lançamento de produtos, festas exclusivas e seminários voltados a grupos restritos de executivos.

Em um ambiente de excesso de informação e disputa intensa pela atenção do consumidor, criar vivências memoráveis tornou-se um diferencial competitivo. “A criação de experiências ganha muita força porque permite capturar a atenção do público, algo cada vez mais difícil, e gerar memórias positivas que criam vínculos entre marcas e consumidores”, afirma Ligório.

No ano passado, o Grupo 4ZERO4, controlado por Ligório e pelos amigos e sócios Francis Ziembowicz e Rodolfo Maggioni, entregou mais de 4,3 mil projetos, atendeu clientes como Heineken, Bradesco, Seara, 99 e Sebrae e promoveu ações em todo o País e no exterior, incluindo Nova Iorque e Paris.

O grupo fechou o período com faturamento de R$ 315 milhões, cifra que deve pular para R$ 400 milhões em 2026, refletindo tanto a ampliação do portfólio quanto o ganho de escala das operações.

Para dar conta de atender demandas tão diversas, Ligório, Ziembowicz e Maggioni estruturaram o negócio em quatro empresas, cada uma com equipes, metas e planos de negócios específicos. A pioneira VOE, criada após o sucesso das primeiras festas universitárias, ganhou a companhia da Hit Makers, hub de negócios proprietários; da Imagineers, especializada em ações de live marketing regional; e da SEA, voltada a projetos de trade marketing.

Juntas, as operações reúnem mais de 200 colaboradores, distribuídos em cinco escritórios — Florianópolis, Porto Alegre, Brasília, Fortaleza e São Paulo —, o que permite atuação nacional e capilaridade operacional.

Esse know-how será colocado à prova em um dos maiores eventos do calendário da capital catarinense. Pelo segundo ano consecutivo, a Hit Makers será responsável pela organização do Carnaval de Rua de Florianópolis, que deve reunir mais de 1,5 milhão de pessoas entre os dias 13 e 17.

Em 2025, a festa resultou em aumento de 18% na movimentação do aeroporto e crescimento de 11,6% no faturamento do varejo, números que reforçam o impacto econômico do evento para a cidade e para a cadeia do turismo. Para este ano, a expectativa é ampliar ainda mais esses indicadores.

Para que tudo funcione, iniciativa privada e poder público atuam em parceria. Na apresentação dos planos para a edição deste ano, o prefeito Topázio Neto destacou a estratégia de consolidar Florianópolis como um destino de Carnaval que combina festa, organização e segurança, apostando em planejamento, coordenação institucional e respeito à dinâmica urbana da cidade. A proposta é fortalecer o Carnaval como ativo turístico sem abrir mão da qualidade de vida de moradores e visitantes.

Resgate da essência

O resultado desse trabalho conjunto é uma programação desenhada para diferentes perfis de folião. No Centro, maior entre as nove arenas previstas, atrações como Ferrugem, Jammil, Glória Groove, MC Davi e MC Pedrinho vão subir em trios elétricos e arrastar a multidão por uma das áreas mais tradicionais do Carnaval de rua da capital catarinense.

Em outros pontos da cidade, atrações locais, como Dazaranha, ajudam a reforçar a identidade cultural do evento, incluindo palcos montados em regiões históricas como o tradicionalíssimo Santo Antônio de Lisboa.

Ligório afirma que a incorporação dos trios elétricos no Centro representa um resgate da essência do Carnaval. “A festa surgiu com pessoas caminhando atrás dos blocos.

O desfile nas ruas é parte da sua essência. Queremos estimular a ocupação dos espaços urbanos com alegria, diversidade e segurança”, diz. A proposta é reforçar o caráter democrático da festa, valorizando o espaço público como lugar de convivência.

Além da programação artística, a organização aposta fortemente em infraestrutura e segurança como pilares do evento. Todas as arenas contarão com banheiros, serviços de apoio e esquema especial de controle e monitoramento.

Ao todo, quatro mil pessoas devem trabalhar diretamente na operação, entre equipes técnicas, produção, segurança e serviços de apoio, garantindo o funcionamento da festa ao longo dos dias de programação.

“A garantia de infraestrutura e segurança é uma grande preocupação nossa”, afirma Ligório. Ele destaca que Florianópolis já é reconhecida nacionalmente pela tranquilidade oferecida a moradores e turistas. “Estender isso ao Carnaval é fundamental para atrair cada vez mais público e consolidar a festa como um ativo permanente da cidade. As pessoas precisam saber que podem aproveitar as atrações com tranquilidade — apenas se divertir.”

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