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Caso Epstein: Departamento de Justiça dos EUA divulga 3 milhões de páginas de arquivos

Anúncio foi feito pelo o vice-procurador-geral, Todd Blanche, nesta sexta-feira

O vice-procurador-geral dos EUA, Todd Blanche, discursa durante uma coletiva de imprensa no Departamento de Justiça dos EUA ( Alex Wroblewski / AFP /Getty Images)

O vice-procurador-geral dos EUA, Todd Blanche, discursa durante uma coletiva de imprensa no Departamento de Justiça dos EUA ( Alex Wroblewski / AFP /Getty Images)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 16h00.

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O Departamento de Justiça dos Estados Unidos retomou, nesta sexta-feira, 30 de janeiro, a divulgação de um novo lote de arquivos investigativos sobre o criminoso sexual falecido Jeffrey Epstein, muito aguardados por investigadores, jornalistas e legisladores.

O volume de material divulgado foi considerado expressivo: mais de 3,5 milhões de páginas, cerca de 2.000 vídeos e aproximadamente 180.000 imagens.

Em uma coletiva de imprensa, o vice‑procurador‑geral, Todd Blanche, informou que o departamento incluiu "grandes quantidades de pornografia comercial e imagens apreendidas dos dispositivos de Epstein, mas que ele não havia tirado". Blanche acrescentou que " algumas das imagens parecem ter sido tiradas pelo Sr. Epstein ou por pessoas próximas a ele".

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Atraso na publicação

A divulgação chegou com atraso em relação ao cronograma previsto, pois estava prevista para dezembro, conforme a Lei de Transparência dos Arquivos Epstein, sancionada em 19 de novembro pelo presidente Donald Trump, que obrigava o Departamento de Justiça a tornar públicos todos os documentos relacionados a Epstein no prazo de 30 dias.

No início de dezembro, o departamento havia publicado cerca de 3.500 arquivos — entre documentos judiciais, correspondências e fotos nunca antes tornadas públicas —, alguns dos quais foram censurados por apresentarem material altamente sexual, e outros classificados como CSAM (sigla em inglês para child sexual abuse material, ou material de abuso sexual infantil).

Conteúdo e conexões com figuras públicas

Epstein foi acusado em 2019, em um tribunal federal em Manhattan, de tráfico sexual de menores, com alegações de que ele explorava meninas enquanto recebia massagens. Ele morreu na prisão, enquanto aguardava julgamento, e sua morte foi considerada suicídio.

Entre os documentos divulgados em dezembro, havia fotos de Epstein com Ghislaine Maxwell — sua cúmplice condenada — em viagens ou situações sociais com terceiros.

Uma ferramenta de busca no site do Departamento de Justiça revelou o nome de Donald Trump centenas de vezes nos documentos publicados em dezembro, segundo a CNBC. Trump negou qualquer irregularidade e nunca foi acusado em conexão com Epstein, embora tenham tido uma amizade que terminou há cerca de 15 anos.

Além de Trump, Epstein mantinha relações com figuras de alto poder, incluindo o ex‑presidente Bill Clinton, o bilionário Les Wexner e o ex‑príncipe inglês Andrew, entre outros.

Pressão política

A morte de Epstein, antes do julgamento, alimentou teorias de conspiração — algumas das quais foram amplificadas por Trump durante a campanha presidencial de 2024. Durante essa campanha, Donald Trump prometeu "desclassificar os arquivos de Epstein" caso fosse eleito.

Em fevereiro, a procuradora‑geral escolhida por Trump, Pam Bondi, afirmou que uma lista de clientes de Epstein estava sob revisão para divulgação, mas os documentos finalmente distribuídos para influenciadores do movimento MAGA (Make America Great Again) não continham tal lista e incluíam informações já de domínio público.

A insatisfação entre apoiadores mais próximos de Trump cresceu quando o Departamento de Justiça e o FBI informaram, em julho, que uma revisão exaustiva não encontrou evidências que justificassem a investigação de outras pessoas ligadas ao caso.

Acusações

Jeffrey Epstein foi acusado pela primeira vez por promotores federais da Flórida em 2006, por ter relações sexuais com uma menor. Ele acabou fazendo um acordo judicial que resultou em 13 meses de prisão no Condado de Palm Beach, com permissão para sair quase diariamente por meio de um programa de trabalho externo, apoiado por sua própria equipe de segurança.

Ghislaine Maxwell, por sua vez, foi condenada por conspiração para tráfico sexual de menores e cumpre uma pena de 20 anos de prisão. Recentemente, ela solicitou a um promotor federal e a uma juíza do Distrito Sul de Nova York a anulação de sua condenação, alegando o surgimento de "novas provas substanciais".

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