Repórter
Publicado em 2 de março de 2026 às 07h00.
Última atualização em 2 de março de 2026 às 09h24.
A Eden, startup de saúde digital que já atua em 18 países, anunciou a expansão no Brasil com a contratação do médico radiologista Felipe Kitamura como Chief Medical Officer (CMO).
A Eden, que processa 5 bilhões de exames por ano e impacta 19 milhões de pacientes anualmente, traz ao mercado brasileiro uma plataforma de inteligência artificial (IA) para exames de imagem, visando reduzir gargalos operacionais e melhorar o cuidado com os pacientes.
A empresa foi fundada em 2016 pelo mexicano Julián Ríos, quando ele tinha apenas 16 anos. A motivação por trás da criação da Eden foi pessoal: o jovem empreendedor teve a mãe diagnosticada tardiamente com câncer de mama pela segunda vez.
Ríos percebeu a fragilidade do sistema de diagnóstico e, desde então, criou uma plataforma que conecta sistemas de radiologia, usando IA para agilizar fluxos de trabalho e apoiar radiologistas a tomarem decisões mais rápidas e precisas.
A Eden é uma plataforma de inteligência artificial (IA) voltada para a radiologia, que visa transformar como os exames de imagem são realizados e analisados.
A empresa integra dados de exames e sistemas de radiologia para automatizar tarefas repetitivas, como a organização de imagens e a detecção de padrões, ajudando os radiologistas a focarem no diagnóstico e na tomada de decisões críticas.
Ao processar bilhões de exames por ano, a Eden utiliza IA para reduzir o tempo de análise e aumentar a precisão. O objetivo é não apenas agilizar o trabalho dos radiologistas, mas também melhorar a qualidade do atendimento ao paciente, garantindo diagnósticos mais rápidos e precisos.
A Eden já recebeu investimentos de Sierra Ventures, Khosla Ventures e até Ashton Kutcher e Leonardo DiCaprio, que apoiaram a empresa em rodadas anteriores, além de Ribbit Capital, a16z e ONEVC, que participaram da rodada de Série A de R$ 100 milhões.
Esse último aporte será usado para acelerar seu crescimento e expansão, com foco no Brasil e América Latina. Para liderar essa nova fase, a Eden contratou o radiologista Felipe Kitamura como Chief Medical Officer (CMO).
Médico radiologista e professor afiliado de Radiologia na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Felipe é reconhecido internacionalmente por sua pesquisa em inteligência artificial aplicada à radiologia, com mais de 6 mil citações em publicações acadêmicas ao redor do mundo.
“O Brasil é o maior país da América Latina e um dos mercados mais relevantes do mundo para a transformação digital da saúde. A radiologia é central nesse processo, mas ainda enfrenta gargalos importantes de acesso, eficiência e sobrecarga”, afirma Ríos.
A escala brasileira deixa esse desafio ainda mais evidente. Em 2023, o SUS realizou mais de 101 milhões de exames de imagem, respondendo por cerca de 60% do volume total nacional.
Ao mesmo tempo, o acesso per capita é maior no sistema privado, com beneficiários de planos de saúde realizando significativamente mais exames por pessoa, especialmente em modalidades de maior complexidade, como tomografia e ressonância magnética.
Em paralelo, há um problema estrutural que se repete: a desigualdade na distribuição de especialistas e infraestrutura.
Dados do setor mostram que, enquanto grandes centros como São Paulo podem ter cerca de 9 a 10 radiologistas por 100 mil habitantes, regiões como Norte e Nordeste operam com densidades significativamente menores, em torno de 4,7 e 7,6, além de lacunas importantes fora das capitais.
A infraestrutura segue o mesmo padrão. Segundo o Atlas da Radiologia, o Brasil tem, em média, cerca de 3,38 tomógrafos (CT) por 100 mil habitantes e 1,69 aparelhos de ressonância magnética (MRI) por 100 mil habitantes, além de aproximadamente 27 equipamentos de ultrassom, 16 de raio-X e 3,21 mamógrafos por 100 mil habitantes.
“Tecnologia em radiologia precisa ser construída com quem está na linha de frente. Meu papel na Eden será garantir que inovação e impacto clínico caminhem juntos, com mais eficiência para o radiologista e melhor cuidado para o paciente”, afirma Kitamura.