“É preciso despertar o poder feminino”, diz fundador da Natura

Em evento para consultoras, Luiz Seabra, Luiza Helena Trajano e Ana Paula Padrão falaram sobre empreendedorismo, feminismo e liderança

São Paulo – Cerca de 300 consultoras da Natura estavam reunidas hoje na Casa Natura Musical, em Pinheiros, zona oeste de São Paulo, para ouvir sobre empreendedorismo.

O assunto, no entanto, se misturou aos conceitos de feminismo, liderança e motivação de maneira natural durante as palestras, que contaram com Luiz Seabra, fundador da companhia, Luiza Helena Trajano, do Magazine Luiza e Ana Paula Padrão, diretora da Revista Cláudia.

Seabra abriu o evento lembrando a importância da palavra e atitude das consultoras para com as consumidores. “Palavras podem ser venenos ou curas e vocês são a nossa palavra”, disse ele.

O empresário falou da importância do reconhecimento das mulheres como parte da força de equilíbrio do universo e destacou a revolução feminina como parte da evolução do mundo.

“Uma vez, Lygia Fagundes Telles (autora), questionada sobre o que querem as mulheres, respondeu simplesmente: um lugar ao sol”, afirmou ele. “É isso, direitos iguais”.

Atentar para dentro do potencial de cada um, ainda que em um cenário externo seja desfavorável, foi outro conselho. “Não contemple apenas o abismo porque ele nos contempla também”, afirmou ele. “É preciso despertar o que as mulheres têm de poderosas…elas mesmas”.

Ana Paula Padrão trouxe números da evolução da independência financeira das mulheres e do impacto positivo disso para a economia e sociedade.

Da década de 60 para cá, a média de filhos por cada brasileira caiu de seis para menos de dois. No mesmo período, a escolaridade subiu de 1,9 hora de estudos para 8,1 horas de estudos diárias.

“Estamos fazendo, há anos, uma revolução silenciosa e, para seguir com mais força, é preciso criar redes, laços, grupos de ajuda mútua entre todas”, comentou ela.

Trajano lembrou da importância das mulheres fortes de sua vida, sua mãe, avó e tia, como grandes influenciadoras de seu jeito de liderar, intuir e, principalmente, encarar desafios.

“Nunca deixei de ser feminina, ainda que cercada por executivos homens, assim como nunca deixei de ouvir minha intuição”, contou ela. “Se antes, eles achavam estranho quando eu dizia que estava intuindo algo, hoje, os homens ao meu lado dão muito mais atenção”.

A empresária falou da importância de trabalhar no que se acredita e não por dinheiro. “Quando você é o que você é de verdade, o dinheiro vem, as coisas acontecem”, disse, lembrando da importância da coragem de mudar sempre. “As coisas só acontecem para quem está em movimento”.

Eventos semelhantes para consultoras são promovidos todos os anos pela Natura. A diferença deste, além do tema central ter sido o feminismo, está na nova missão em que ele está inserido. A companhia está, desde o início do ano, revitalizando o modelo de venda direta.
Com a nova estrutura, as consultoras têm um plano de crescimento, onde elas podem ganhar mais 5.000 reais mensais se baterem metas de vendas.

A estratégia também enfatiza o empreendedorismo da rede de mais de 1,3 milhão de consultoras no Brasil. As líderes de negócios, consultoras que administram grupos em suas regiões, podem alcançar até 15.000 reais por mês, dentro do mesmo escopo.

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