Negócios

Da lente de astronauta com ouro aos óculos com IA: a visão de futuro do presidente da Oakley

Com o Brasil entre os mercados mais estratégicos da marca, Caio Amato aposta em inovação de produto, parcerias com criadores e famosos e um centro de criação para manter a curva de crescimento – seja qual for o país ou geração

Caio Amato, CEO global da Oakley: “A gente quis transformar os óculos em um objeto de expansão humana. Hoje você está num show, num momento histórico, e todo mundo está com o celular na mão. Você deixou de viver para capturar” (Leandro Fonseca/Divulgação)

Caio Amato, CEO global da Oakley: “A gente quis transformar os óculos em um objeto de expansão humana. Hoje você está num show, num momento histórico, e todo mundo está com o celular na mão. Você deixou de viver para capturar” (Leandro Fonseca/Divulgação)

Publicado em 2 de fevereiro de 2026 às 13h55.

Última atualização em 5 de fevereiro de 2026 às 15h21.

Tudo sobrePodcast De frente com CEO
Saiba mais

Por anos, a Oakley foi associada a uma estética “de bunker pós-apocalíptico”, uma marca que lançava produtos do seu jeito — e ponto. Agora, a empresa diz estar abrindo as portas desse bunker para o mundo. A mudança, segundo Caio Amato, presidente global da marca, é parte do motor que fez a companhia bater recordes sucessivos de vendas nos últimos cinco anos e sustenta a ambição para 2026.

“Vamos ter o maior ano da história e com o maior crescimento percentual já registrado”, diz Amato que é brasileiro e assumiu a cadeira de CEO global há um ano.

Veja também: Toguro com ‘antirressaca’ e nova fábrica: os novos planos da Cimed para 2026

A gente não prevê o futuro; a gente cria o futuro

Em entrevista exclusiva ao podcast De Frente com CEO, da EXAME, Amato conta que o diferencial competitivo da Oakley está em transformar sentimento em produto e sustentar uma obsessão por inovação — do design agressivo dos óculos às tecnologias por trás das lentes e das novas plataformas de “smart glasses”.

A EssilorLuxottica (controladora da Oakley) fechou 2024 com € 26,5 bilhões de receita e uma operação global que inclui cerca de 200 mil funcionários e 18 mil lojas, segundo documentos corporativos e relatórios de mercado.

“A Oakley é uma das duas principais marcas do grupo. A Ray-Ban e a Oakley são os grandes carros-chefe do lado de marcas dentro do grupo”, afirma.

Veja a entrevista completa de Caio Amato, presidente global da marca, no podcast "De frente com CEO", da EXAME. 

yt thumbnail

O produto como plataforma: de design extremo a óculos com IA

A inovação de produto é um dos pilares que explicam a aceleração recente da Oakley. Um dos exemplos citados por Caio Amato é uma parceria com a Meta, que materializa a tese de expandir o papel do óculos para além da função tradicional. A proposta é transformar o acessório em uma plataforma tecnológica capaz de integrar captura de imagem, acesso à informação e interação com o ambiente — sem a mediação constante do celular.

“Quem disse que os óculos têm que ser só para corrigir a vista e proteger do sol?”, diz Amato. “A gente quis transformar os óculos em um objeto de expansão humana. Hoje você está num show, num momento histórico, e todo mundo está com o celular na mão. Você deixou de viver para capturar.”

Essa visão está ancorada em um princípio que o executivo define como central na cultura da Oakley: desafiar o óbvio.

“Na Oakley, a gente se define como uma máquina de destruir verdades universais”, afirma. “Inovação, para a gente, é questionar aquilo que todo mundo acha que é óbvio.”

A mesma lógica orienta projetos que ainda não chegam diretamente ao consumidor, mas alimentam o motor de inovação da empresa. Um deles é o desenvolvimento de lentes para viseira dos capacetes de astronautas da Axiom Space, criado para enfrentar condições extremas fora da Terra.

“No espaço, quando você está olhando direto para o sol, são 120 graus no seu rosto; na sombra, menos 100”, conta o CEO. “A gente descobriu que o único material que bloqueava a radiação suficiente lá em cima era o ouro”, diz o CEO que afirma que foi preciso criar um maquinário novo e reinventar todo o sistema industrial para conseguir fazer essa viseira.

Brasil: “amor de marca” no topo e um centro de criação local

Sem abrir números de faturamento local, Amato afirma que o Brasil ocupa uma posição rara para a Oakley: está no topo em “amor de marca” (fidelidade e recomendação) e entre os países que mais devem crescer nos próximos cinco anos.

“O Brasil é muito, muito importante”, diz, citando também Estados Unidos e Austrália como pares relevantes na leitura interna.

O executivo atribui parte dessa conexão à capacidade de traduzir nuances culturais em produto e diz que a empresa mantém um Creation Center local no Brasil, com desenvolvimento de itens específicos (como vestuário, calçados e peças desenhadas para o consumidor brasileiro).

Na visão dele, a digitalização também ajuda a “diversificar” o esporte no país (além do futebol), impulsionando modalidades como surf e skate — categorias históricas para a marca.

Pirataria, preço e tributação: o paradoxo do acesso

Durante o podcast o executivo também expõe um dilema clássico do consumo no Brasil: tecnologia custa caro e o peso tributário eleva o preço final, abrindo espaço para pirataria — especialmente em categorias aspiracionais, como óculos e tênis.

“Um tênis nos Estados Unidos vai estar entre 5% e 15% de um salário-mínimo. Um tênis aqui no Brasil é quase um salário-mínimo”, afirma.

Nesse contexto, ele diz que a resposta da Oakley passa por educação do consumidor e pela defesa da tecnologia como valor real (e de saúde).

Como exemplo, ele descreve a lente PRIZM, com tratamento no espectro de luz para melhorar contraste em esportes (como golfe) — e afirma que produtos falsificados podem prejudicar a visão por não seguirem padrões ópticos e de correção.

“Quando você coloca um produto original ao lado de um falso, a diferença é gritante — principalmente para a saúde dos olhos”, diz o CEO. “Não é só uma questão de marca ou preço: é saúde.”

Acompanhe tudo sobre:Podcast De frente com CEOInteligência artificialCEOs

Mais de Negócios

Como o espumante transformou a Vinícola Garibaldi em um negócio de R$ 300 milhões

Brazil at Silicon Valley 2026 discute sistemas 'além da capacidade humana'

A decisão inicial que levou este negócio de US$ 33 mil ao faturamento mensal de seis dígitos

As vendas do McDonald’s voltaram a crescer após a rede resgatar essa velha estratégia