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CPFL investe R$ 40 mi em fase do programa de redes inteligentes

A companhia acertou com a norte-americana Silver Spring Networks a expansão do seu Programa de Automação da Distribuição

CPFL: com investimento, espera diminuir custos e melhorar seus indicadores de qualidade (Alexandre Battibugli)

CPFL: com investimento, espera diminuir custos e melhorar seus indicadores de qualidade (Alexandre Battibugli)

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Estadão Conteúdo

11 de novembro de 2016, 19h43

São Paulo - A CPFL vai iniciar uma nova fase em seu Programa de Rede Inteligentes nas concessionárias paulistas do grupo - Paulista, Piratininga, Leste Paulista, Sul Paulista, Jaguari, Mococa e Santa Cruz -, com o objetivo de melhorar sua eficiência operacional e a qualidade do serviço prestado aos consumidores.

A companhia vai investir R$ 40 milhões na ampliação de sua infraestrutura própria de telecomunicação, visando obter maior agilidade na detecção de falhas na rede de distribuição para minimizar seus efeitos e reduzir o tempo de resposta para a recomposição do fornecimento de energia. Com isso, espera diminuir custos e melhorar seus indicadores de qualidade.

A companhia acertou com a norte-americana Silver Spring Networks a expansão do seu Programa de Automação da Distribuição (DA), para implementar uma rede de comunicação que conecte os 3.700 religadores instalados nas sete distribuidoras paulistas, adicionalmente aos 640 medidores inteligentes ligados a grandes consumidores que já foram conectados por meio da mesma tecnologia, em uma primeira fase do projeto.

Foram os resultados positivos dessa primeira fase em termos de confiabilidade na comunicação e redução de custos que estimularam a CPFL a avançar na infraestrutura própria de comunicação.

A Silver Spring Networks, que possui equipamentos e dispositivos de alta tecnologia para implantação de cidades inteligentes, vai implantar sua plataforma IPv6 de Infraestrutura de Medição Avançada.

A solução, baseada na tecnologia de radio frequência RF Mesh, vai substituir o serviço via GPRS até agora fornecido por empresas de telecom, por meio da tecnologia GPRS.

"Essa prestação de serviço pelas utilities de telecom (...) deixa a desejar em relação a requisitos que a concessionária tem em relação à eficiência e rapidez nesse processo", diz o diretor de Engenharia da CPFL, o Caius Vinicius Sampaio Malagoli.

Ele salienta que a nova tecnologia a ser implementada permite que a infraestrutura seja utilizada no chamado self-healing, de reconfiguração da rede.

Na prática, explica, o sistema identifica um defeito na rede de distribuição que ocasiona falta de energia, determina o circuito e a região da falha e automaticamente reconfigura para deixar sem energia especificamente a área onde o defeito se encontra, sem intervenção humana, de modo a limitar ao menor número de consumidores possível a interrupção no fornecimento e acelerando o atendimento por parte das equipes de campo.

Segundo Malagoli, a tecnologia RF Mesh aumenta a confiabilidade da comunicação para 98%, ante a disponibilidade média de 80% da solução GPRS.

Além disso, o custo tende a ser menor. "Fazemos um investimento para ampliar a nossa infraestrutura e em contrapartida deixamos de ter o custo da operadora para fazer a comunicação atual. Então substituímos um contrato de serviço com a operadora que tem uma qualidade mais baixa, por uma infraestrutura própria com qualidade mais alta", explica, sem revelar qual a estimativa de redução de custo, que também deve contabilizar a otimização dos deslocamentos das equipes de campo.

Ele também não revela qual a projeção da esperada redução dos indicadores de qualidade, que medem frequência e duração das interrupções, conhecidos como FEC e DEC.

O gerente geral da Silver Spring Networks no Brasil, Gadner Vieira, acrescentou que a nova tecnologia já prepara a rede para outras aplicações, que serão necessárias num futuro próximo tendo em vista a perspectiva de ampliação da geração distribuída e também de introdução da chamada tarifa branca.

"As redes estão se tornando cada vez mais complexas. E a CPFL está fazendo esse investimento pensando no futuro de outros dispositivos, como indicador de falta de circuito, bancos de capacitores, reguladores de tensão... Tem várias coisas que poderão ser implementadas em cima da mesma infraestrutura", disse.

Novos contratos

Por ora, não há decisão sobre implementação da mesma tecnologia nas duas distribuidoras gaúchas da CPFL - RGE e RGE Sul (ex-AES Sul).

"Estamos fazendo uma avaliação conjunta para ter sinergia na contratação", conta Malagoli. Não há prazo para a definição desse serviço.

Segundo a Silver Spring, esta nova etapa do projeto de automação da distribuição nas distribuidoras paulistas da CPFL é a maior da companhia fora dos Estados Unidos e "uma das maiores implantações de DA do mundo, em área de cobertura".

A empresa se refere ao fato de que os 3,7 mil religadores cobrem 305 cidades, em mais de 100 mil quilômetros quadrados da área de concessão da CPFL em São Paulo.

"A CPFL está sendo pioneira em Smart Grid, em colocar efetivamente uma solução passando por medição e automação total da rede de distribuição", disse Vieira, ao comentar que desenvolve projetos similares junto a outras distribuidoras, mas ainda estão em fase de prova de conceito e negociação.

O executivo da Silver Spring salientou, porém, que as perspectivas são positivas para novos negócios em redes inteligentes de energia no País.

"O Brasil está em um momento ímpar (...), oportuno para embarcar na onda de tornar redes mais inteligentes", disse, citando não só as perspectivas de evolução da Geração Distribuída e de introdução da tarifa branca, como tambéma possibilidade de criação de um programa de modernização da rede de distribuição (Inova Rede), aprovado pelo Congresso Nacional no texto de conversão da Medida Provisória 735, que aguarda sanção presidencial.