Com Uber, WeWork e coronavírus, Softbank tem pior prejuízo da história

O Softbank reportou 13 bilhões de dólares em prejuízo operacional, o maior de sua história e puxado por perdas de 18 bilhões de dólares no Vision Fund

O que já estava ruim por dentro pode piorar com elementos externos. É o que mostrou o balanço anual do conglomerado japonês Softbank, divulgado na madrugada desta segunda-feira.

O grupo comandado pelo investidor Masayoshi Son divulgou prejuízo operacional anual de 1,36 trilhão de ienes (13 bilhões de dólares), o maior de sua história. Pela primeira vez desde 1994, o Softbank também anunciou que não pagará dividendos neste ano fiscal.

Do prejuízo, 18 bilhões de dólares veio só do fundo de investimento Vision Fund. Criado em 2017, o fundo já investiu em 88 startups. Mas, até agora, ganhou somente 4,8 bilhões de dólares. Com aportes sobretudo dos bilionários da Arábia Saudita, o Vision Fund tinha orçamento de 100 bilhões de dólares, e investiu em empresas como Uber, de transporte por aplicativo, WeWork, de escritórios compartilhados. No Brasil, o Softbank também investiu em empresas como Loggi, Banco Inter e Gympass.

A pandemia intensificou o cenário de perdas, sobretudo em setores mais sensíveis. Nomes como a Uber e sua rival chinesa Didi viram as operações derreterem diante do isolamento social, assim como a Oyo, de reserva de hotéis. O grupo afirmou em comunicado junto aos resultados que “a incerteza no negócio de investimentos vai continuar” no próximo ano fiscal caso a pandemia permaneça.

Além dos resultados, o Softbank também anunciou hoje que Jack Ma, fundador da Alibaba, sairá do conselho de administração do grupo. Ma é um aliado histórico de Masayoshi Son. Em seu lugar, devem entrar três novos conselheiros e a expectativa é que façam frente ao mandatário do Softbank.

As ações do Softbank fecharam o pregão na bolsa japonesa em alta de 1,03%, com as perdas já precificadas e um anúncio de que o conglomerado vai dar prosseguimento a seu plano de recompra de ações. O Softbank anunciou neste ano que vai recomprar 2 trilhões de dólares em suas próprias, o que vem evitando uma queda maior do papel neste ano. A empresa deve também aumentar a liquidez e se desfazer de alguns ativos — um dos mais visados é sua participação na própria Alibaba, vista como um dos grandes acertos do portfólio do Softbank.

O coronavírus e a crise prévia que já abatia o Softbank devem significar um ponto de virada no ecossistema de investimentos e empreendedorismo em todo o mundo. O ano de 2019 marcou o auge nos investimentos de fundos de capital de risco em todo o mundo.

Os investimentos de fundos de capital de risco passaram de 36 bilhões de dólares, em 2009, para mais de 290 bilhões no ano passado. Com juros em baixa histórica pelo mundo e uma economia estável pós-crise de 2008, investidores passaram a correr mais risco em busca dos novos “Google” ou “Facebook”, que poderiam um dia ir de promessa a realidade e valer centenas de bilhões de dólares. Na prática, muitos negócios se provaram pouco sustentáveis financeiramente.

Uma tendência de busca por negócios com perspectiva mais saudável de lucro e crescimento já estava no radar. Agora, virou questão de sobrevivência.

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