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Apresentado por SISTEMA CAMPO LIMPO

Como o Brasil se tornou referência global em logística reversa no agronegócio

Sistema Campo Limpo consolida modelo de responsabilidade compartilhada e já destinou corretamente mais de 900 mil toneladas de embalagens vazias de defensivos agrícolas desde 2002

Logística reversa no agronegócio: embalagens vazias de defensivos destinadas corretamente pelo Sistema Campo Limpo retornam à cadeia produtiva em novos produtos. (SISTEMA CAMPO LIMPO/Divulgação)

Logística reversa no agronegócio: embalagens vazias de defensivos destinadas corretamente pelo Sistema Campo Limpo retornam à cadeia produtiva em novos produtos. (SISTEMA CAMPO LIMPO/Divulgação)

EXAME Solutions
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Publicado em 2 de julho de 2026 às 17h00.

Última atualização em 2 de julho de 2026 às 17h11.

O que fazer com as milhares de embalagens vazias de defensivos agrícolas utilizadas todos os anos em um dos maiores produtores de alimentos do planeta? No Brasil, a resposta para esse desafio passa por um modelo de logística reversa que reúne agricultores, canais de distribuição, indústria fabricante e poder público em uma operação coordenada, presente em praticamente todo o território nacional.

Foi essa combinação que permitiu ao Brasil construir, ao longo de mais de duas décadas, um dos maiores sistemas de destinação ambientalmente correta desse tipo de material no mundo.

Os resultados mais recentes dessa trajetória do Sistema Campo Limpo estão reunidos no Relatório de Sustentabilidade 2025 do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias. Em 2025, o programa destinou corretamente 75.996 toneladas de embalagens vazias de defensivos agrícolas, crescimento de 11% em relação ao ano anterior.

Desde o início da operação, em 2002, mais de 900 mil toneladas de embalagens vazias de defensivos agrícolas já receberam destinação ambientalmente adequada. Hoje, o Sistema está presente em 25 estados e no Distrito Federal, com uma rede de 424 unidades de recebimento, além de milhares de ações de recebimento itinerante que ampliam o atendimento aos produtores localizados em regiões mais distantes.

“O Brasil é o país que mais recicla embalagens de defensivos agrícolas no mundo. É motivo de muito orgulho para nós, porque mostra que a agricultura brasileira, além de altamente produtiva, também é uma agricultura comprometida com a sustentabilidade”, afirma Marcelo Okamura, diretor-presidente do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV), entidade que representa a indústria fabricante no Sistema Campo Limpo.

Esse reconhecimento, segundo ele, não é resultado de uma ação isolada, mas da construção de um modelo que distribui responsabilidades entre todos os participantes da cadeia agrícola.

Um Sistema construído por todos os elos da cadeia

O principal diferencial do Sistema Campo Limpo é justamente o conceito de responsabilidade compartilhada. A legislação brasileira estabelece atribuições específicas para agricultores, canais de distribuição, indústria fabricante e poder público, fazendo com que cada participante tenha um papel definido na logística reversa.

Na prática, o agricultor realiza a tríplice lavagem, inutiliza e devolve as embalagens no local indicado na nota fiscal. Os canais de distribuição recebem e armazenam esse material. A indústria, representada pelo inpEV, coordena a retirada das embalagens das unidades de recebimento e garante sua destinação ambientalmente adequada. Já o poder público responde pelo licenciamento das unidades, pela fiscalização e pelas ações de conscientização.

Segundo Okamura, o sucesso do modelo brasileiro está justamente no cumprimento dessas responsabilidades. “O Sistema funciona porque todos os elos da cadeia fazem bem o seu papel. Temos uma legislação bastante avançada, agricultores engajados, uma ampla rede de recebimento e o acompanhamento do poder público. Essa é a essência da responsabilidade compartilhada.”

"Em 18 de agosto, o Dia Nacional do Campo Limpo celebra os avanços da logística reversa e conscientiza sobre a destinação correta de embalagens vazias de defensivos agrícolas."

Essa estrutura acompanha o próprio crescimento do agronegócio brasileiro. À medida que novas fronteiras agrícolas avançam em estados como Pará, Rondônia e a região do Matopiba, o Sistema Campo Limpo amplia sua presença para manter a capilaridade da operação.

Em 2025, foram inauguradas quatro novas centrais de recebimento e nove postos. Além disso, foram realizados 4.795 recebimentos itinerantes, cerca de 20% acima do ano anterior, para facilitar a devolução das embalagens por pequenos produtores localizados em áreas mais distantes.

Da logística reversa à economia circular

Os impactos do Sistema Campo Limpo vão além da destinação correta das embalagens. Em 2025, das 75.996 toneladas destinadas, 92% foram encaminhadas para reciclagem. A resina reciclada retorna à cadeia produtiva e pode se transformar em até 38 artefatos homologados que atendem a diferentes setores, incluindo novas embalagens e tampas para defensivos agrícolas, tubos para infraestrutura, postes de sinalização e cruzetas utilizadas na rede elétrica.

Para Okamura, o próximo passo é seguir ampliando ainda mais esse índice: “Hoje já reciclamos 100% das embalagens plásticas rígidas. Seguimos evoluindo e integrados entre os elos do Sistema Campo Limpo. Isso demonstra que, ao atuarmos de forma coordenada, tornamos realidade um modelo de logística reversa que é orgulho para o Brasil e exemplo de ESG na prática para o agronegócio.”

O que traz ganho ambiental e se reflete na redução das emissões de carbono. Ao substituir parte do plástico virgem por resina reciclada na fabricação de novos produtos, o Sistema reduz emissões associadas à produção de matéria-prima nova e reforça sua contribuição para a agenda climática.

Em 2025, o inpEV também conquistou o Selo Ouro do Programa Brasileiro GHG Protocol pelo inventário de emissões de gases de efeito estufa.

Transparência e educação fortalecem o modelo

A educação é outra frente considerada estratégica pelo Sistema. Desde 2010, o Programa de Educação Ambiental (PEA) Campo Limpo já impactou mais de 3 milhões de estudantes, além de promover ações voltadas aos agricultores sobre os procedimentos corretos para a devolução das embalagens vazias.

Para Okamura, esse investimento é essencial para garantir a continuidade do modelo. “Ninguém muda um país sem mudar a educação. Estamos formando novas gerações com maior consciência ambiental, ao mesmo tempo em que seguimos orientando os produtores para que façam corretamente a devolução das embalagens.”

Mais de 24 anos após o início de suas operações, o Sistema Campo Limpo demonstra como uma legislação estruturada, aliada ao engajamento dos diferentes elos da cadeia agrícola, pode transformar uma obrigação legal em um modelo reconhecido internacionalmente.

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